
Cavaco Silva foi contundente nas suas críticas ao governo e ao (actual) PS. Também contundente foi a resposta institucional do PS, chegada pela voz do seu secretário-geral adjunto, João Torres: entre outros argumentos desvalorizou os argumentos do ex-presidente a efeitos da sua triste condição psicológica, que o terá conduzido à “agressividade e violência verbal” intentando uma “lição de moral” que o PS repudia como sendo “inaceitável“. E mais ainda, considerando que Cavaco Silva “perdeu o sentido de Estado que se exige“.
Eu sorrio. Nunca votei Cavaco Silva nas eleições presidenciais. Nem nas legislativas votei no partido que ele presidia – aliás, na vida votei 2 vezes no PS, em 1991 tentando contribuir para evitar a sua recondução como primeiro-ministro, em 1995 avesso à continuidade do “cavaquismo” já sem Cavaco. Mas se sorrio nem sequer é por esta patética pantomina de se querer impedir os ex-presidentes de opinarem politicamente – ao invés do que Mário Soares, figura tutelar do PS, sempre fez (tal como aqui lembrei e até o “Público” refere). Pois o motivo maior do meu sorriso é outro: o actual secretário-geral adjunto do PS, João Torres, acusa Cavaco Silva de ter perdido o exigível sentido de Estado. Mas há três anos Torres era secretário de Estado – função à qual se presume uma filiação ao tal “sentido de Estado”. E intentou obter o destacamento para as funções de seu motorista de um capitão do Exército, ainda por cima seu companheiro / namorado. (Sobre o patético caso botei aqui no DO o postal “O capitão motorista“).
Entenda-se, o relevante disto nem é o facto de um tipo içado a secretário de Estado querer cooptar um capitão do Exército como seu motorista, ainda por cima tendo com ele uma relação de cariz afectiva-sexual. E de com esse “currículo” ter o desplante de vir refutar “qualquer lição de moral” de outras forças políticas ou invectivar a “falta de sentido de Estado” de outrem.
De facto o verdadeiramente relevante deste caso é que o PS de António Costa escolhe um tipo destes para suceder à actual ministra Ana Catarina Mendes no posto de secretário-geral adjunto, alguém que tem este “sentido de Estado”, esta impudicícia. Sim, alguns poderão querer desculpar/compreender João Torres, atribuindo-lhe o desvairo a causas de amor ou fervor sexual. Mas não chega. O que fica é que o PS escolhe para um posto desta relevância um tipo que entende a política como implicando que um posto governativo lhe permite destacar como motorista o capitão de quem é amante. E que tem o atrevimento agora de vir perorar sobre “o sentido de Estado” alheio.
Por mais Galambas que por aí andem não há outro exemplo maior do estado a que chegou este PS…

Como diz um amigo meu, “estes gajos riscam o diamante”.
uma boa expressão, é mesmo isso
Um capitão para motorista?
Caramba, que descrédito para as forças armadas. Não lhe bastaria um furriel para conduzir a viatura?
Justiça lhe seja feita, a chefia militar então recusou. Mas, se tiveres paciência, vai ler o meu postal de há 3 anos: pois fiquei com uma pergunta que se associa ao que aqui perguntas, que forças armadas podem ter oficiais que se prestam a isto?
Eu fui ler o postal de há três anos do jpt e fiquei com dúvidas:
1) O jpt diz que há “nepotismo”. Isso seria verdade se o namorado do secretário de Estado fosse ganhar maior salário como motorista do que como capitão do Exército. É isso que se passa? O salário de um motorista de um secretário de Estado é superior ao de um capitão do Exército?
2) O jpt queixa-se de o namorado do secretário de Estado não ter “formação específica” para ser motorista. Mas tal formação é necessária? Está nas normas legais aplicáveis que, para se ser motorista de um governante, se tem que ter algo mais do que a carta de condução?
Como não pude ler a notícia original no jornal (não sou assinante do dito), fico com estas dúvidas, que gostaria de ver esclarecidas.
O balio hoje decidiu armar-se em totó.
Realmente…
Eu não estava a ligar o nome à pessoa, mas pelo que nos conta só posso dizer realmente isto está muito mal.
O perfil dos personagens que aceitam colaborar com o PM A. Costa configura a um padrão significativo. Quanto aos que por lá se mantêem essa atitude tem igualmente plausível interpretação.
Votar em eleições legislativas, por cá, é tornou-se num exercício inconsequente na medida em que acaba, termina completamente, no momento em que se escreve uma cruzinha. Deputados dependentes do PM -e não do eleitor- dá nisto.
Será por isso que metade do eleitorado coerentemente “passa”.
Eu fico sem perceber qual é o mal de um motorista ser capitão do Exército, nem qual é o mal de um motorista ser amante da pessoa que conduz.
(Declaração de interesses: muitas vezes, quando sigo no meu carro é a minha mulher quem conduz. Outras vezes, eu conduzo enquanto ela vai no carro.)
Será que o facto de um indivíduo ser capitão do Exército o incapacita para o cargo de motorista? Será que há conflito de interesses entre ser-se capitão do Exército e ser-se motorista de um governante? Ou será que aumenta a probabilidade de má condução quando a pessoa que vai ao nosso lado é aquela com quem à noite se faz amor?
Anónimo, nem tem mal nenhum como diz. Mas não sabe o que são os militares e um capitão é sempre capitão até sentado em pijama na sanita.
Este comentário é meu. Não saiu assinado por problema do computador.
Troll
Um esgoto imundo…
JSP
Um esgoto decente só depois de tratamento muito especial.
jpt, com esta impudicícia de 350 paus valeria uma mais carota e com mais substância, talvez concupiscência na lembrança.
O motivo do meu sorriso (amarelo) é esta suculenta notícia não ter tido qualquer destaque na altura e, agora, ser quase impossível de achar na net (ficou-se pela Sábado). Uma explicação (absurda e ofensiva, claro!) deu-a um finado advogado aveirense, há uns anos. Enfim, certo é que a JS, neste século, é uma máquina de produzir estas “personalidades” e a JSD, como se vê pelo Newton, é outra. E quem sorri mesmo a sério com isto é o Ventura.