Apesar de muita gente entender que o debate sobre a praxe é um fait-divers que distrai a atenção de coisas mais importantes (leia-se, a crise), pessoalmente não o vejo como tal. O debate é, pelo contrário, um excelente momento para se reflectir não sobre a própria praxe mas sobre a cultura da população e, especialmente, dos jovens que enviamos para as universidades.
Quase toda a gente já viu o vídeo onde surge um jovem a explicar que tem «o direito a ser humilhado». Esta afirmação, apresentada desta forma, pode ser de imediato colocada como um exemplo da falta de cultura do próprio e como sintoma dos podres da Geração Mais Bem Preparada De Sempre® (GMBPDS). A verdade é que nada sabemos sobre o jovem em causa. Nem sobre ele nem sobre os outros cujas intervenções foram escolhidas para o vídeo. Tal como não sabemos nada sobre outros que indubitavelmente fizeram intervenções bem ponderadas a favor ou contra a praxe. Não, aquilo que escolhemos foi a intervenção de um jovem que não conhece os conceitos de direitos e deveres.
Não vale a pena pensar se o jovem em questão é um exemplo da sua geração, tal como não vale a pena imaginarmos que nós – individualmente falamos – somos exemplos da nossa. Não falo em bons ou maus, apenas representativos. Assumamos por um momento que sim, que aquele rapaz, no seu jeito meio desajeitado, é um perfeito exemplar da sua geração. Que demonstra a falta de formação cultural e cívica de todos esses jovens que seguem para o ensino superior.
O que falhou então? Será ele um exemplar de inteligência diminuta? Caminhamos nós alegremente na direcção de um país com uma queda na inteligência média? Vou assumir – algo a custo, admito – que não. Os nossos jovens não são mais burros que as gerações anteriores. Serão então mais desconhecedores, tem que ser. O que poderiam eles ter feito para não o ser? A minha resposta é simples: nada.
Quando nascemos o nosso conhecimento será essencialmente zero. Nada sabemos sobre a sociedade porque esta é uma construção humana, não é algo que se apreende de forma inata. É necessário compreender o nosso lugar na sociedade que nos acolhe. Parte desse processo passa por entender quais os nossos direitos e deveres. Portugal é um local onde durante décadas se viveu à sombra dos deveres e cujos direitos passavam por ouvir o fado, ir à missa e gritar golo. Há hoje a percepção que a sociedade dá direitos, mas não impõe deveres. Isso pode notar-se na questão do sorteio das facturas, onde um dever se transformou de repente num direito.
Quando vemos um jovem a exigir o direito a ser humilhado, e se o virmos como um exemplo da sua geração, só podemos sentir-nos tristes por lhe termos falhado. Falhámos na sua educação, porque ele não entende a diferença entre direitos e deveres. E este é um aspecto fundamental, especialmente quando se invoca que a ignorância de uma lei não é motivo de defesa – se um indivíduo ignora os conceitos de direitos e deveres, como lhe poderemos exigir que compreenda as leis?
E é então aqui que se nota o falhanço da sociedade. Não é na ignorância de jovens, é nas causas da sua ignorância. A nossa sociedade – no seu todo – falhou os nossos jovens. Não conseguiu cumprir com a sua obrigação – o seu dever – de os fazer entender qual a sociedade em que vivem – direito à educação. Isto pode ter muitas razões, as quais não quero agora aprofundar, mas a consequência é uma geração que não entende a barulheira sobre um acto que é profundamente humano e que, na sua essência, seria o equivalente a cantar kumbaiá em volta de uma colher de pau. Os excessos da praxe não são de hoje e nunca desaparecerão, mesmo que praxe desapareça. Os excessos são resultado de uma sociedade que não compreende os conceitos de tradição, direitos, deveres e não sabe sequer quais os objectivos de um acto. Culpar jovens que nós deveríamos ter ensinado é o mesmo que culpar o analfabeto por não saber ler.

Caro João,
O que eu achei particularmente interessante é que “n” blogues (e “bloguistas”) opostos ferrenhos à praxe e à “humilhação” por terceiros não tiveram o mínimo pudor em humilhar – publicamente – o referido jovem. E não me parece que tenha sido voluntariamente da parte dele…
Bom exemplo.
Para o aluno provavelmente o direito a ser humilhado é parte do Direito à Educação.
É isso que permite ao aluno entrar na cultura superior da Universidade.
Há 40 anos atrás os estudantes como ele eram adeptos de ideologias genocidas como o Comunismo seja tendência Maoísta ou Estalinista. Boa parte mandou nos destinos do país nos últimos 40 anos. Estamos a ficar menos mal.
Este texto desconexo onde não se liga nem estabelece relação com coisa alguma é apenas para chegar a uma conclusão politicamente conveniente.
Caro luckylucky, começo sinceramente a ficar farto de si. Este post aprovei-o apesar de o considerar insultuoso. A partir de agora, ou você tem alguma coisa não raivosa e preconceituosa para dizer ou então apago-lhe os comentários. Chame-lhe censura se quiser, mas na minha casa (ou pelo menos na minha parte desta casa) mando eu. E se me falta ao respeito ponho-o fora.
Quer escrever coisas estúpidas como as que estão acima? Crie um blogue. Quer insultar-me? Tem ali o meu e-mail. Estou farto de aturar parvoíces de alguém que escreve sob anonimato. Acabou.
Subscrevo inteiramente. Excelente, a última frase!