Por estes dias, uma das maiores ameaças ao jornalismo é a sua aparente rendição total à frivolidade por efeito de contaminação das chamadas “redes sociais”. Leio por exemplo que na conferência de imprensa concedida por George Clooney sábado passado, no Festival de Berlim, houve jornalistas credenciados que lhe fizeram perguntas inteligentíssimas como esta: “O que acha da cerveja e das mulheres belgas?”
Nada que deva espantar: já houve quem, munido de cartão de imprensa, se despisse perante o célebre astro de Hollywood. Já houve quem lhe propusesse casamento, quem gemesse de forma bem audível como se estivesse na cama com o actor e quem confessasse ter “sonhos húmidos” ao pensar nele.
Sem cumprir patamares mínimos de exigência e credibilidade, nenhum jornalismo é levado a sério. Passa a ser outra coisa qualquer, muito diferente. Chamam-lhe até infotainment, com esta mania agora tão comum de usar palavras americanas para designar tudo.
Depois admirem-se de que as pessoas fiquem à distância. Pois ainda bem que ficam. É um sinal evidente de bom critério. E de sanidade mental.
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Partilho as tuas preocupações relativamente aos desvios que o jornalismo tem vindo a sofrer, mas no caso do Clooney é diferente. Mesmo as jornalistas mais credenciadas poderão ter dificuldade em fazer, na sua presença, perguntas inteligentes…
Aguardarei por uma entrevista de Judite Sousa ao senhor Clooney para confirmar se a tua tese tem sustentação, Teresa.
Depois são os homens que “objectificam” e pensam com …
Aprendemos com vocês as alegrias da objectificação…