7 comentários em “Uma boa notícia, para variar”

      1. O problema é que a energia da fusão nuclear não passa de uma (má, péssima) desculpa para estimular os políticos a gastarem rios de dinheiro com experiências caras de física dos plasmas. Má desculpa, porque a energia da fusão implica três outros grandes problemas, que nada têm a ver com física dos plasmas, e que ninguém faz nem sequer a mais pálida ideia sobre como poderão ser resolvidos.
        Ou seja, por mais que se consiga fazer estes grandes avanços no controlo de plasmas e na produção de energia a partir deles, isso em nada nos põe mais perto da fusão nuclear como fonte de energia, porque os outros três problemas permanecem totalmente por resolver (e sem que sequer se invista na sua resolução).

        1. Bom, caso seja possível explorar a fusão nuclear não será barato chegar lá. A fissão nuclear necessitou do projecto científico (pelo menos à altura) mais caro de sempre (e existiu porque foi com fins militares em período de guerra). A fussão seria sempre mais cara.

          Agora os meus problemas com a sua objecção: primeiro que nada, não sabemos se será mesmo impossível chegar lá, se é impossível chegar lá no médio prazo (necessitando nós ainda de um século ou dois) ou se é possível de todo chegar à fusão nuclear no prazo de 20 a 50 anos, por exemplo. Sei que nunca lá chegaremos se não se investir.

          Por outro lado, a fusão nuclear pode ser vista como uma espécie de exploração espacial. Não trará necessariamente qualquer vantagem directa, mas provavelmente terá efeitos benéficos paralelos devido ao desenvolvimento de outras tecnologias. É um argumento relativo, bem o sei, mas também sei que é a única forma de lá chegar.

          Já agora, o facto de não se saber hoje como resolver o problema não implica que não seja possível resolvê-lo dentro de um par de décadas. A tecnologia não fica quieta, tem consciência disso, espero.

          1. (1) É claro que qualquer investigação científica, mesmo num campo totalmente “inútil”, pode levar a descobertas (altamente) úteis noutros campos.

            (2) Há problemas com a fusão nuclear (por exemplo: o desenvolvimento de materiais capazes de resistir a fluxos intensíssimos de neutrões) que, não só não se sabe como resolver, como também nem sequer são investigados. Nem sequer se faz a mais pequena ideia como poderiam eles vir a ser investigados (no exemplo acima: como se testarão os materiais?). Ou seja, estamos quase que perante uma questão epistemológica: problemas que não se tenta resolver e nem sequer se faz a mais pequena ideia sobre como se poderia tentar resolver.

  1. De um artigo de Michael Dittmar, um físico de partículas e estudioso destas questões:

    enough knowledge about the imagined tritium breeding process, required for a future commercial [fusion] power plant, has been accumulated to understand that nobody within the fusion community has even the slightest idea on how this problem can be solved

  2. a esperança anima tanta esta como outras ciencias e issoé bom; presentemente a energia nuclear é a mais cara de todas. A atenção que é dada a segurança não tem mais que distrair sobre o verdadeiro problema do nuclear= o custo.
    Se em Chernobyl ou Fukushima começar a somar as rendas de todo os equipamentos presos por 40? anos vamos obter valores inimagináveis e só pagaveis por nós todos (como no BPN mas milhares de vezes pior). e ainda não se sabequantomais se vais gastar para anular os restantes assuntos a resolver.

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