A pergunta que se impõe à TAP


Pedro Correia,

Mas por que motivo “é prática corrente” (garante o Jornal de Negócios) os membros do Governo – primeiro-ministro, ministro e secretários de Estado – “serem dispensados do pagamento de bilhete nas deslocações oficiais em que utilizam os serviços da companhia aérea portuguesa”?

25 comentários em “A pergunta que se impõe à TAP”

  1. O questão é que não se trata de uma “benesse” exclusiva dos membros do Governo. Abrange outros altos cargos do Estado e os chefes de missões diplomáticas portuguesas no estrangeiro.
    Aliás, numa altura em que por motivos profissionais me deslocava frequentemente ao estrangeiro, houve uma vez que apesar de pagar o bilhete não consegui viajar na TAP em classe executiva porque o único lugar disponível estava reservado em permanência para o nosso embaixador na cidade para onde eu ia.
    Tanto quanto consegui apurar, trata-se uma prática quase tão antiga como a própria TAP.

    1. Isso só agrava a questão. O assunto tem de ser clarificado sem demora. Por que motivo empresas públicas como a TAP dão benesses destas às “altas autoridades”? Não admira que isto contribua para os péssimos resultados operacionais das referidas empresas, designadamente na área dos transportes.

  2. É que se impõe mesmo.
    Mas de uma maneira ou de outra somos sempre nós (os contribuintes) que pagamos essas viagens, por isso quer queiram quer não os que torcem o nariz ao gesto de PPC, fica-nos mais barato se viajarem em económica.
    Não é assim?

    1. Nós, os contribuintes, pagamos estas viagens que sãò “à borla” para quem não devia, Gi. É o momento adequado de pôr fim a esta prática absolutamente imoral.

  3. Presumo que a lógica (pelo menos em relação aos membros do Governo) é que, ao contrário de alguns países (e tal como muitos outros, obviamente) Portugal não tem um avião para uso dos membros do Governo. Até aí, tudo bem (parece-me). Lá os embaixadores, etc…

  4. Boa tarde Pedro,
    A pergunta à TAP impõe-se. E segundo ouvi agora na SIC N parece que a tradição já virá do tempo do Dr. Salazar.
    Mas também se impõe outra pergunta : o Dr. Pedro Passos Coelho não sabia ?
    Ninguém o informou ? Pelo menos o Dr. Durão Barroso deverá saber.
    Mas convém passar à frente há coisas mais importantes a tratar.
    Bom fim de semana

    1. Claro que há coisas mais importantes a tratar, António. Há sempre. Acho espantoso apenas que este assunto tenha vindo a lume precisamente no momento em que o actual primeiro-ministro decide viajar em classe económica nos voos no continente europeu.
      Não sei se isto vem do tempo do Salazar. Tanto quanto sei, o Salazar só viajou uma vez de avião, entre Lisboa e o Porto, e fez questão de pagar o bilhete do seu bolso. Mas se vem desse tempo mais um motivo para isso ter sido modificado tantos anos depois. Em quantos largos milhares de contos foi a empresa pública de transportes aéreos lesada por esta prática?
      Pergunta você: o recém-chegado Passos Coelho não sabia? Pergunto eu: e os governantes anteriores não sabiam?
      Abraço, bom fim de semana.

  5. De todas as formas, estamos a pagá-las, certo?
    E se é prática corrente, como é que de todas as cores imediatamente se levantaram vozes a dizer que lhe ficava muto bem, na época difícil que o país atravessa?

  6. Quando exerci funções oficiais (em tempo de “vacas gordas” pós-abrilinas, note-se…), viajei sempre em classe executiva, fosse na Europa ou fora, e tenho a certeza de que a instituição a que pertencia jamais deixou de pagar à TAP…
    Não compreendo, portanto, esta conversa.

  7. Talvez fosse bom não esquecer que a TAP é uma empresa 100% pública, ou seja pertence aos contribuintes portugueses.
    Se fosse privada e desse borlas, era problema deles. Se é pública e dá borlas ao governo, sem critério, transforma tudo isto na “fandangada” do costume. São sempre os mesmos a comer – Eles – e sempre os mesmos a pagar – Nós, os contribuintes – porque tudo aquilo tem custos, os aviões voam, consomem gasolina, pagam salários às tripulações, etc. etc…
    Quem diz que os bilhetes são de borla ou é parvo ou faz de nós parvos.

    1. Esta questão tem de ser esclarecida. E não só na TAP. É também preciso apurar quem viaja com isenção total ou parcial de bilhete na CP. Que classes profissionais usufruem deste privilégio e em nome de quê? Até que ponto isto é lícito numa empresa largamente deficitária como é a CP?
      Chegou a hora de estes assuntos serem dissecados sem tabus de qualquer espécie.

  8. Falta saber o que aconteceu aos Falcons comprados no tempo dos Governos de Cavaco Silva, exactamente, para as deslocações dos nossos governantes…nas suas deslocações de curto e médio curso. Compreende-se que as obrigações/compromissos dos ministros não se conciliem com os horários dos voos de carreira, por isso será perfeitamente normal que os utilizem quando necessário.

      1. Desculpe Pedro, mas a questão da utilização dos Falcon não tem a ver com saber se se justifica ou se fica mais caro. A ideia que julgo presidir à aquisição daqueles aparelhos e à sua utilização prende-se com obrigações de agenda dos membros do governo que, como facilmente se compreende, nem sempre se conciliam com os horários dos voos regulares.
        Por outro lado, não estou a ver um 1.º ministro, um MNE , MDN , para referir apenas alguns, e respectivas comitivas viajarem em voos regulares e aproveitarem esse tempo, para tratar de assuntos, muitas vezes sensíveis, sob pena de serem escutados por quem não deviam.
        Há também questões de segurança que justificam a utilização dos Falcon .

        1. Haverá questões de segurança que justifiquem a utilização dos Falcon. Não certamente em viagens aéreas de duas ou três horas, no continente europeu. Mas a questão essencial, que a meu ver justifica maior debate, é a que título a TAP isenta de pagamento membros do governo, membros do corpo diplomático e certos altos funcionários.

  9. Não admira que a TAP ande sempre com as contas no vermelho. Além do pessoal do governo, ainda temos que contar com os familiares e amigos dos tripulantes e pessoal de terra e também da administração. Seria interessante fazer um estudo sobre quantos ocupantes de um voo é que pagam mesmo, principalmente os de longo curso.
    Já fiz uma viagem para o Brasil, em época de férias escolares, em que ao pequeno almoço uma das hospedeiras quase nem conseguia trabalhar porque atrás dela andava uma das filhas pequenas com uma escova de cabelo a pedir que a mãe a atendesse.
    Assim é difícil fazer uma companhia dar lucro.

    1. Achei chocante que o recente acordo a que a administração da empresa chegou com os sindicatos do sector, para evitrar novas greves, tivesse abrangido a autorização de mais viagens gratuitas para familiares de funcionários da TAP. Em tempo de crise isto é um insulto aos portugueses.

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