
Leio no Expresso de hoje que a ex-Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, recusou reunir-se com o novo Secretário de Estado da Cultura para a protocolar passagem de testemunho, com o argumento de que “ministro não passa pasta a secretário de estado”. Para além da arrogância expressa nesta atitude (tiques do governo anterior, aprendidos com o mestre?), pergunto que direito tem um ministro demissionário de decidir isto assim, de ânimo leve. Concorde ou não com a nova fórmula encontrada para a cultura pelo actual governo, o acto da passagem de pasta não é opcional. Gabriela Canavilhas tem de cumpri-lo, porque a isso a obrigam, para além da mais elementar educação, a natureza das funções que aceitou. E, convenhamos, tanta superioridade não corresponde sequer à realidade: que me lembre, a ex-ministra não deu à cultura portuguesa, para além de uma imagem gráfica pessoal notável (que não é mérito seu), nada de relevante. O importante não é o nome do cargo, mas o que se faz com ele.
Bem-vindo à cultura, Francisco José Viegas, seja com que título for. Mudanças precisam-se, urgentemente. A começar na atitude.
(Obrigada, Woody, pelo empréstimo do título deste post)

A ser verdade, numa só cajadada Canavilhas provou como nesta passagem de Ministério a Secretaria de Estado é a Cultura que sai dignificada
Também me parece.
A arrogância fica mal a qualquer um; tolera-se, quando muito, se motivo ou razão houver que lhe subjaza. Não me parece o caso. Evitável, perfeitamente evitável.
Eu diria mais: evitável, perfeitamente evitável.
O protótipo do elitismo e da snobeira que justifica que a Cultura (cada vez tenho mais dificuldade em escrever esta palavra sem me rir) se sustente a si própria e liberte o contribuinte, esse ser inferior e vulgar, da sua inteligência contagiante.
Nem acho que seja elitismo ou snobeira, Javali. É só arrogância.
Custa a crer que seja verdade. A ser, quem é que ela pensa que é??? Ou por outras palavras, o que é que ela pensa que um ministro é??? Fui googlar para ter a certeza do que ia dizer, mas de facto não estava enganada: o significado etimológico de “ministro” é “servo”. Do Estado, do Povo, obviamente. Bem sei que ela é pianista e não linguista, mas a cultura nunca fez mal a ninguém.
Custa tanto a crer que seja verdade que, como conheço não sei quem que conhece não sei quem que conhece o marido dela, vou ter de averiguar.
Nem a cultura nem a educação, Isabel, Mas ficamos à espera de uma confirmação sua, se bem que eu não tenha a certeza se será muito isenta, dada a fonte… 🙂
Ela… sempre pensou ser mais ministra da “Escultura” de que da Cultura!!!!
Pelos parcos conhecimentos que tenho de música, juljo ela está mais vocacionada para o toque de “pifaro” … ou gaita de beiços!
Mas o Secretário de Estado da Cultura do XVIII Constitucional não se reuniu com o seu sucessor? Parece-me que esta “notícia” é aquilo a que poderíamos chamar de “não notícia”.
Por opção, perfeitamente legítima do novo Governo, resolveu fazer o downgrade da pasta da Cultura, portanto se alguém tinha que reunir com o actual S.E. da Cultura era o seu antecessor.
A memória de algumas pessoas é de facto curta. Será que já se esqueceram da ministra que, nos anos 90, quando questionada sobre a taxa de IVA sobre os livros, respondeu que a cultura não era para todos. Isso, sim, foi arrogância, atitude elitista … mais do que isso, foi uma manifestação de total desprezo por todos aqueles que queriam aceder às fontes de conhecimento disponíveis.
Não sei do que fala, confesso. Diga lá quem foi essa ministra, MFM. Mas devo dizer-lhe que uma anterior atitude condenável, seja de quem for, não invalida que esta o seja também.
E não concordo com o seu raciocínio sobre quem deve reunir com quem, como é óbvio. Quem passa a pasta é quem a tem, para quem foi nomeado para o seu lugar (chame-se-lhe ministro ou secretário de estado).
Confesso que nem me dei ao trabalho de ir ler a notícia do Expresso, mas pelos comentários que aqui constam, em primeiro lugar, o seu post apenas, terá feito referência à parte do texto que poderia servir para continuar o malhanço e, em segundo lugar, parece que a notícia nem é verdadeira e os factos já terão sido desmentidos. No entanto, a pazada de lama mais uma vez foi lançada.
Efectivamente as atitudes dos uns não devem servir para justificar a actuação de outros. Quando referi o episódio da ministra que fez aquelas declarações, fi-lo porque é revelador da forma como a chamada direita encara a cultura.
Pois pode não concordar com a minha posição, mas das suas palavras resulta claramente uma contradição: quem tinha a pasta de secretário de estado da cultura não era a Gabriela Canavilhas , pelo que não era a ela que lhe cabia a tarefa da transferência, apesar de o ter feito.
Mais uma vez se demonstra a falta de rigor jornalístico, dos opinion makers e de blogers . The show must go on . É a cultura para os eleitos.
Já agora, a confirmar-se que a notícia é falsa, não lhe ficava mal um mea culpa”.
E é você que me acusa de contradição, quando começa logo por afirmar que nem sequer se deu ao trabalho de ler a notícia do Expresso??? Pelo que diz, limitou-se a opinar sobre os comentários que leu aqui… quanto a rigor, parece-me que também estamos conversados.
Eu não divido o mundo em direita e esquerda, meu caro (ou cara). Esse cliché para mim está esgotado e não me impressiona minimamente. Não é a cor política que está em causa aqui, mas uma atitude pessoal, que eu acharia condenável viesse de quem viesse. E enquanto não tiver a amabilidade de esclarecer-me, continuo sem saber quem é a tal ministra a quem se refere. Não posso, por isso, dizer-lhe o que penso sobre o assunto.
Quanto à passagem de testemunho, acho que percebeu perfeitamente o que eu disse. Não vou repetir-me nem voltar a explicar o óbvio.
Finalmente: se a notícia era falsa, serei a primeira a fazer um “mea culpa” embora não tenha sido eu a inventá-la. Não me custa nada. E você, fará o mesmo, aqui, se ela não for desmentida?
Mas diga-me onde saiu o desmentido, porque eu ainda não o vi em parte nenhuma. Ou também não se deu ao trabalho de procurá-lo?
Em cheio, Ana.
Rui, há coisas que me irritam solenemente. Esta foi uma delas.
Sem tirar nem pôr, Ana! A ‘apropriação’ dos lugares públicos pelos governantes, como se seus fossem, foi talvez o tique mais marcante dos sucessivos executivos de Sócrates. O que revela tanto de uma só penada… Primeiro, a genuína falta de ‘noção de serviço’ ao País; segundo, a inconsciência do que é exercer um mandato do povo, por natureza transitório, com a falta de respeito absoluta que isso traduz; e por último, a pequenez moral de quem se julga o centro do universo, mesmo que este se desmorona à sua volta.
Isso mesmo, Laura: pequenez moral.
Muto bem, Ana. Como sempre, aliás.
Execrável esta atitude de superioridade, venha ela donde vier.
E bem-vindo Francisco José Viegas!
Obrigada, MACarvalho.
Algum problema com o post que escrevi há várias horas, muito antes de outros que já foram publicados? Por algum motivo não passou no critério da gerência? Ao menos digam que não publicam e fico esclarecido.
Acabei de chegar aqui, como pode ver pela hora das minhas respostas. A gerência, de vez em quando, tem mais que fazer. Esclarecido?
Santo umbiguisimo…
Ora aí está uma cultura que é preciso acabar…a do snobismo.
Também acho, Alice.
é triste e mostra o nivel de muito boa gente que chega a ministro ou ministra, sem perceber muito bem as suas funções, e que está ao serviço do país e não de um partido ou de um projecto pessoal…
É nestas alturas que se vê o nível de cada um, Luís…
Só que a “notícia” do Expresso já foi completamente desmentida, o que nada me admirou, aliás. Primeiro, por vir daquele jornal (eu não o tenho em grande conta, por estas e outras), depois porque ouvi do próprio Francisco há já uns tempos que é amigo dela e do marido há muitos anos. “A ex-ministra proibiu a entrada dos novos governantes no ministério”? E “recusou encontrar-se com FJV”? Nem que não tivesse sido desmentido, isto faria algum sentido? Mas basta ver quem assina a “notícia”… O engraçado destas atoardas politicas é que depois estes jornais ficam sempre impunes, por mais que os visados desmintam!
O visado desmentiu? Não vi, ouvi ou li nada sobre isso ainda, Chiado. O facto de a ex-ministra ter acabado por reunir com Francisco José Viegas não significa que não tenha inicialmente recusado o encontro E mais: se é amiga pessoal de FJV, escusava de tê-lo feito passar por essa humilhação. Embora tenha acontecido exactamente o contrário: só ela ficou mal nesta história.
Lamento que tenha omitido a parte da notícia que diz (…) e aí mesmo desbloquearam a situação. A ex-ministra aceitou encontrar-se com o seu sucessor, mas só depois de ele estar devidamente empossado.(…) Assim teria compreendido que foi uma chamada de atenção política para o facto de este governo não ter Ministério da Cultura. Mas a malta gosta é de dizer mal de tudo e todos, e assim, incluo-me na malta dizendo-lhe: Use a cabeça e não seja arrogante.
Costumo usá-la sempre que posso, Manuel Morgado. E não omiti nada: se uma situação precisa de ser “desbloqueada” é porque estava “bloqueada” antes. Além disso, não era o momento para chamadas de atenção políticas e ficou muito mal à ex-ministra essa atitude.
Não sei quem é a sua malta, mas eu não gosto de dizer mal de tudo e todos… só de quem me parece merecê-lo.
Então, anda tudo ingénuo? Continuam todos a acreditar no que se escreve na imprensa?
É claro que a dita senhora recusou a reunião. Tal como é claro que o argumento é apenas uma desculpa esfarrapada.
A menina laroca simplesmente teve medo de assistir à reacção do Viegas quando este começasse a folhear os processos.
Os motivos não sei, Sampy. Mas sei que a atitude foi arrogante e descabida.
Desculpe o comentário anterior um pouco mal educado, mas estou cansado a assistir, ao longo de dois anos, comentários e afirmações invejosas e mal intencionadas de pessoas que não sabem nada dos assuntos, ou tem problemas pessoais com a antiga Ministra. Assisti pessoalmente (não sou politico, boy ou funcionário, nem quero ser!) ao esforço desta, de melhorar o Ministério da Cultura, lugar que ocupou por mérito do seu trabalho anterior. Cometeu erros, só quem nunca lá esteve é que não os comete. Num governo minoritário, num país falido, contra os lóbis apoiados pela generalidade da comunicação social, é difícil fazer muito melhor. Assisto assim, a ataques mesquinhos e invejosos às características pessoais da Ministra. Como se a conhecessem, como se fosse relevante, ou como se o ego e a vaidade desta fosse maior do que daqueles que os escrevem. Já agora, afirmo também, que não foi um ataque ao FJV, do qual é amigo e até foi vizinho durante alguns anos, resta-me desejar-lhe boa sorte, mas prevendo que passará de bom homem da cultura a ao incompetente que se seguiu. Bom, já desabafei!
Está desculpado. Não tenho nada de pessoal contra Gabriela Canavilhas, não a conheço sequer. Volto a dizer: critiquei uma atitude que criticaria a qualquer outra pessoa. E se o fez com um amigo, acho pior ainda…
A verdade é que mesmo antes disto, logo na tomada de posse do novo governo, ouvi-a dizer em directo na televisão a Passos Coelho: “É a si que eu vou responsabilizar pelo que acontecer com a cultura”. Logo aí desautorizou o seu sucessor. Não lhe parece deselegante, no mínimo? Enfim, já desabafei também.
Rigor, rigor na informação é q se exige no fim de tudo.
Quem conta um conto acrescenta um ponto… e retira um outro tanto!
Já fiquei amuado o suficiente por ter perdido o Ministério da Cultura, espero… pois é só o q me resta, q as directivas q saírem da Secretaria sejam, algumas de continuidade pois houve projectos deixados a meio e q precisam ser revistos, alterados e concluídos… e outros novos claro está, com uma nova visão… com uma nova postura… Espero de facto q o FJV tenha um desempenho condigno não com o nome do cargo q desempenha, mas como um verdadeiro representante da Cultura do Nosso Povo… ainda q reporte a quem diz q ficará ele próprio o responsável máximo pela Cultura, o próprio Passos Coelho… o q só vai dificultar um pouco as coisas na hora de atribuir culpas a alguém 🙂
_ Ah quem disse para fazer foi o Secretário.
_ Ah mas quem autorizou foi o P.M.
_ Ah mas o Secretário é q manda.
_ Ah mas o P.M. manda no Secretário.
Lá está… rigor! 🙂
Lamento dizer, mas a mentira por aqui tem pernas longas! A Ana continua a afirmar que o que disse o expresso é verdade, quando, ainda ontem na tvi ouvi a ex-ministra a desmentir formal e absolutamente tudo quanto lá vem, como já antes a tinha ouvido. Começo aliás por me surpreender por o Expresso nem sequer ter seguido uma regra de ouro – fazer o contraditório. Porque não ouviram a ministra? Não convinha? E insisto que não é bom mentir, não se deve apoiar mentiras e que certos jornais mentem demais. Os porquês ficam com a ideia de cada um, mas não é por acaso que aquelas duas jornalistas têm andado envolvidas em tantas polémicas. Talvez porque os Servicinhos têm compensado, basta ver o numero de comentadores anti que pululavam nas tvs e que agora “pulularam” para o governo…
Eu não continuo a afirmar coisa nenhuma, Chiado: apenas fiquei à espera de um desmentido, e acontece que não vi esse que diz, na TVI. Procurei o video ou alguma notícia escrita e não encontrei nada a não ser declarações da ex-ministra a dizer que lamenta a extinção do ministério, que tem muita consideração por FJV e que acha que ele daria um bom ministro, por isso tem pena de que “não lhe tenham reconhecido esse mérito” (se isto não é uma facada disfarçada de elogio, vou ali já venho…). FJV não se pronuncia sobre o assunto, como é natural. Agradeço, por isso, que me diga onde e quando houve o tal desmentido (e se possível o link para essa notícia da TVI). Se ele existiu e corresponde à verdade, dou-lhe razão e retiro o que disse. E não me chame mentirosa, que eu não gosto e é coisa que não sou.
Lamento, mas não a sei ajudar porque tentei encontrar na net, mas no site da tvi24 apenas mostram alguns segundos da entrevista, que teve talvez 20 ou 25 minutos de duração.
Talvez consiga encontrar o que eu não consigo, foi ontem à noite, por volta das 22.30, a seguir ao Medina Carreira.
Mas pode acreditar no que lhe disse já por duas vezes, a senhora desmentiu qualquer fundo de verdade em toda a “notícia” do Expresso, diz que aquilo é inventado do principio ao fim. E até acrescentou que logo que soube da indigitação telefonou ao FJV a felicitá-lo e a garantir-lhe todo o apoio e colaboração. E eu acredito, por isso me revolto quando leio certos comentários, as pessoas não podem ficar cegas e perder o seu sentido critico. E os jornalistas que fazem destas deviam ser mesmo punidos, o que nunca acontece em Portugal, ataques ao caracter sem base nenhuma e apenas com fins partidários, são nojentos. Digo-lhe mais – em MINHA opinião, esta foi dos melhores ministros do anterior governo e só tenho pena que não tenha tido tempo, nem que lhe tivessem dado os meios para ter revolucionado a cultura em Portugal. Fale com as pessoas que trataram com ela, não com as más linguas do costume. Eu só ouço elogios!
De qq modo, aqui vai o endereço que consegui:
http://www.tvi24.iol.pt/politica/cultura-g abriela-canavilhas-canavilhas-ministerio-s ecretaria-de-estado-tvi24/1263071-4072.h tml
Chiado, não tenho nenhuma razão para teimar consigo. Esse link não me esclarece (também já o tinha visto) mas vou aceitar a sua palavra. Diz que a ex-ministra desmentiu e eu acredito. Quanto a falar com quem já trabalhou com ela, já o fiz. E não ouvi elogios, lamento.
Mistura-se a arrogância com uns gramas de manipulação dos factos e junta-se-lhe o q.b. de “omissão”, bloga-se tudo e o resultado é uma “verdade” que não admite contraditório. Enfim, são os tempos que temos e parafraseando o grande Chico Buarque ” Pai, afasta de mim este cálice.”
Esqueceu-se de juntar à receita uma boa dose de paciência para aturar, e ainda responder, a anónimos. É que, sem isso, o cálice fica meio vazio. Para começar, se a minha “verdade” não aceitasse contraditório os seus comentários nunca estariam aqui… não acha?
Mas pronto, MFM, agora acabou-se-me a paciência.