A Paixão segundo Francisco


Rui Rocha,

Naquele tempo, enquanto os soldados romanos o crucificavam, Jesus olhou os Céus e disse:

Pai, perdoa-lhes; pois não sabem o que fazem.

Mas logo ali continuou:

Agora, em verdade Te digo; se estes cabrões dos romanos abrirem o bico para dizer uma palavra que seja sobre minha Mãe, estrelinha que os guie, que deslargo-me da cruz e acerto-lhes um arraial de porrada naquelas trombas que ainda ficam todos roídinhos de saudades do Obelix.

 

(Os mais atentos constatarão que o post é repetido. Pois é. O ponto é que o Papa Francisco também veio dizer outra vez o que já antes tinha dito. Apesar de alguns lhe chamarem esclarecimento. Na verdade, nem sequer é bem a mesma coisa. É pior. Porque na versão inicial sempre estava em causa, em sentido figurado, a senhora sua mãe. E agora, se virmos bem, o que está em causa é uma formulação geral dirigida a qualquer tipo de sátira ou provocação. Perante a carnificina de inocentes, o Papa, em lugar de dedicar o seu tempo e o seu verbo a condenar radicalmente a bárbarie, prefere teorizar sobre a liberdade de expressão. Este relativismo moral de quem professa a crença no absoluto é francamente inadmissível. A insistência na ideia de provocação, num contexto destes é, ela sim, uma verdadeira blasfémia contra o valor sagrado da vida humana. Que cresce com a reiteração intencional do que já tinha sido dito. Perante inocentes trucidados, o Papa opta pela via corporativa de defesa do edifício intocável das religiões e investe na elaboração de uma tese que, queira ou não, acaba sempre na cedência à ideia da responsabilidade da vítima. Perante a bárbarie só pode existir condenação sem mas nem meios mas. Se virmos bem, a repetição do post é coisa bem pouca perante uma posição que é, falando sem rodeios, uma vergonha).

0 comentários em “A Paixão segundo Francisco”

  1. Socos é no caso dos grandes amigos, como Gasbarri. Se o não forem, a coisa fia infinitamente mais fino.

  2. Rocha, não brinques com coisas sérias. O Papa Francisco não disse que batia em quem lhe insultasse a mãe. O que disse é bem diferente. Vai conferir e tem mais cuidado quando decidires abordar temas deste género.

      1. “É verdade que não devemos reagir com violência, mas se o dr. Gasbarri, que é um grande amigo, ofender a minha mãe, deve estar preparado para levar um soco. É normal.”

  3. Muito giro.

    É difícil encontrar sarcasmos fora das inúmeras piadas primárias, tidas como ateias, mas que reflectem mais a teia ateia do simples judiar gratuito. Como todo o judiar, dizer-se gratuito é figura de estilo – a ideia é mais pagar pela vergastada redentora.
    A França Laica sabe bem pôr o barretinho, e caminhar de cabeça baixa, exibindo ao mundo a sua sina pela sinagoga.
    “A justiça tem que ser servida a este pregador do ódio”, foi dito enfaticamente na Assembleia Nacional, pelo PM, a propósito de um simples desabafo pessoal e inócuo de Dieudonné.
    A concepção justicialista francesa, servida à pressão, ficou bem conhecida no Reinado do Terror, que nos introduziu à França contemporânea.
    Portanto se a França pode ensinar alguma coisa sobre o Terror, é mais sobre a técnica de cortar cabeças, apurada pelo Dr. Guillotin.
    No Tribunal Revolucionário não faltou lei, nem julgamentos. A eficácia da justiça era aliás notável. Os processos não se arrastavam por anos, tudo era decidido eficazmente em poucos minutos, apesar do veredicto raramente diferir da guilhotina.
    Portanto, sobre Terror, a França impressionou-nos pela sua legalidade.

    O Papa Francisco esteve irrepreensível.
    Claro que poderia ter ido ao limite, aceitando total liberdade de expressão, mas isso implicaria aceitar a blasfémia, algo que a sua Cúria não lhe perdoaria. Também não seria suficiente um discurso “nem sim, nem sopas”.
    Sabia que estava numa armadilha, com as matilhas do costume prontas a morder. Por isso, aquele soco ameaçado ao que estava mais próximo, foi visto direitinho para a cúria ortodoxa que lhe encheria os ouvidos. Quanto aos outros, fiéis à Laica, ou às teias ateias, já sabia que são cães que ladram mas não mordem.
    Portanto neste caso não deu a outra face, limitou-se a pegar na vassoura e a explicar como expulsaria os vendilhões do Tempo perdido. É normal.

    Seria talvez mais bem visto na sinagoga francesa se se remetesse ao Velho Testamento, à pura ortodoxia judaica, que gaba o exemplo de Moisés – passar todos a fio de espada, excepto as virgens, que ficavam para a sua soldadesca.

    Por isso, entre as diversas opções facínoras que os livros sagrados nos trazem pelo exemplo dos seus profetas, creio que o Papa escolheu uma imagem simpática que honra bem a tolerância superior do macho latino.

      1. Alternativamente poderia dizer que chamaria os guardas suiços, instauraria um processo legal, visando enfiar o Dr. Gasbarri nos calabouços do Vaticano.
        Isso não seria mais a actuação de um cobarde mariquinhas?

  4. Burro velho não aprende línguas mas continua a zurrar a preceito. Por outro lado como quem sai aos seus não é de Genebra -excepto os referidos indígenas- estará tudo como dantes no Quartel de Abrantes e nas cúrias por esse mundo fora até que o céu (ou o juiz alexandre) lhes caia na cabeça.

  5. Dá sempre jeito a existência de um pugilista lá para os lados do Vaticano. Os romanos andam habituados à liberdade de acção e a tanto perdão; e quando confrontados com a resposta dizem que não vale bater assim, só assado.
    Bem, à boa maneira gastronómica, se querem caldeirada, sirva-se. E quem não quer não chegue o prato à frente.

  6. Como alguém cita acima, o que o Papa disse é que “é normal” que quem insulta a mãe alheia esteja pronto para levar um soco. Não disse que dar esse soco “é correcto”. O mal é que já ninguém cuida de ler (ou ouvir) o que os outros dizem, estão bem mais ocupados a pensar no que eles próprios vão dizer. Eu explico: a nossa religião, a católica, é assim mesmo, o pecado – o erro, a fraqueza, inerentes ao ser humano – “é normal”. Não somos perfeitos, nem o papa é. O segredo é sermos capazes de separar o que “é normal” do que é correcto. Evitando fazer o que “é normal” mas não correcto, ou, quando já não vamos a tempo de evitar (porque não nos apercebemos, ou porque nos faltou a força) arrependermo-nos. Não é tudo, mas é um melhor que nada. Cristo, lá está, era divino. O Papa não é. Eu não sou. Tento ser boa pessoa, mas também me passo. “É normal” que um gajo que me passe à frente, de propósito, numa fila também esteja pronto para levar qualquer coisa para casa. Há esse risco.

  7. Eu diria que a sra. depotada oropeia Ana Gomes, que acha que o CH anda a publicar capas que ofendem os muçulmanos, é pessoa para ter grande influência no Vaticano.

  8. Ouvi o que o Papa disse e entendi perfeitamente. Temos de ser sujos, correctos e entender o que ele disse. Ele não desculpou nada, nem ninguém, foi bem claro e transparente. Nada, mas nada, justifica actos bárbaros disse-o ele, mas porque razão nós os provocamos? Se sabemos que eles reagem, da pior forma, porque insistirmos? Se qualquer um de nós, souber que blasfemam contra os nossos, de certeza que reagimos. Ninguém normal, aceita de bom tom que a sua mãe, pai, seja ultrajado porque reage logo e muitas das vezes as reacções são muito más. A liberdade tem limites e quando passa os limites, deixa de ser liberdade para ser libertinagem. Se eles são psicopatas, loucos e não se importam de morrer como mártires, para defenderem os seus deuses e nós sabemos isso porque insistimos? O psicopata fica feliz, fazendo o mal e o louco, quando picado não sabe o que faz e age da pior forma, mas nós insistimos na provocação e depois é o que se vê…….

    1. Ou seja você tem o desplante de dar razão ao psicopata e cria uma sistema de incentivos para serem todos psicopatas.

      Basicamente desde o Papa, ao comentador vento todos apoiam e fazem o jogo dos Sauditas que chicotearam o blogger.

      Este tipo de comentários assegura que nunca liberalismo algum poderá existir do Islão.
      Começa logo aqui a traição a cada árabe que seja ateu, agnóstico, muçulmano liberal quando boa parte do Ocidente os critica.

      Vão repetir o erro que fizeram com os Palestinianos: só os mais extremistas têm poder porque lhes foi dado de bandeja.

      1. Tem de ler o que está escrito e não o que quer ler. Ninguém, dá razão alguma, aos psicopatas, loucos e fanáticos, antes pelo contrário. Fugir desses porque esses, não olham a meios para atingirem os fins, sendo que os fanáticos gostam de ser mártires, nós sabemos disso e continuamos a provocar. Uma coisa é humor para pessoas tolerantes, outra é usar e abusar desse humor com quem não o tolera. Se sabemos que não o toleram porque insistimos? É para provocar e acirrar os ânimos daqueles que já afirmaram que se vão vingar? Se é para isto, bem que podemos pedir paz, pois nem dum lado, nem do outro, estão dispostos a ela. Ninguém critica ninguém, apenas se constatam factos.

        1. Eu li muito bem e tal como o Papa, você não compreende nem à segunda.
          Nem sequer o básico de um país que saiu à 40 anos de uma ditadura e uma PIDE lhe ensinou algo.

          Se defende que as pessoas se calem porque então há violência você incentiva que todos os que podem usem a violência para calar o próximo.
          E com os Islâmicos não é só calar, é também não desenhar, é não mostrar.

          Ou seja você tem espírito para viver numa ditadura.
          Se o Governo amanhã instituir a censura você aceita como uma ovelha.
          Afinal para si a Paz é o valor supremo.

          1. Só o senhor compreende tudo, sapiência total, mas não compreende o básico. Não digo que as pessoas se calem, eu digo: tudo tem um limite, até a liberdade que quando ultrapassa os limites, deixa de ser liberdade, para ser libertinagem e as mesmas não são iguais. Não aceito a censura porque vivi-a,
            mas também não aceito libertinagem. Aceito a liberdade de expressão, não aceito que a troco dessa liberdade passe a valer tudo. Aceito que se respeite o próximo e a paz, para mim e para todos, é um valor que não tem preço. Viver-se sem paz é muito mau, mas para si tem pouca importância.

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