
(A Norte do Trancão [2])
“Em Roma sê romano”, clamava a sageza republicana, tão avessa à barbárie multiculturalista que tanto, neste depois, viria a ensombrar o Império.
Nessa crença sendo, cruzando o Porto fui conduzido ao Velasquez para proceder à obrigatória “observação-participante”: ali, entre ordeiros e satisfeitos grupos provenientes de um bem sucedido encontro futebolístico local, um “dérbi” como sói dizer-se – no qual os vizinhos vindos da industriosa Paços de Ferreira haviam soçobrado -, confrontei-me com a célebre “francesinha”, essa avoenga do hambúrguer de queijo disposta em maré viva de gordura. Foi um apreciável acto etnográfico. Agrado que se me sublinhou à saída, na gentil despedida que me foi ofertada, uma “boa estada cá pelo Norte” concedida pelo “colaborador” que nos atendera, a qual me foi logo interpretada como devida não só a ter eu pedido, repetidamente, “uma imperial, por favor” como por o ter feito com aquilo a que aqui chamam, erradamente, “sotaque”.

> a célebre “francesinha”
Uma espécie invasora, inventada há cerca de cinquenta anos, por degenerescência do “croque-madame”.
Tem a arte de um caixote de lixo onde se despejaram as vitualhas da despensa. Serve para fartar brutos e matar a excelente culinária que havia no Norte.
Os parolos tomaram-na como sua, e estão impantes de orgulho da obra. Os aristocratas que sobram no Norte devem ter medo deles e fecham o bico e os olhos perante a barbárie.
Homem é que é Homem, tem que papar uma francesinha, pelo menos, uma vez na vida.
És muito cromo