Muitas vezes as melhores frases não surgem da pena de eminentes pensadores mas da boca de pessoas simples. Pensei nisso há pouco, ao ouvir uma peça noticiosa num dos canais televisivos sobre a morte de Cesária Évora. Um amigo da cantora, no Mindelo, falou dela nestes termos lapidares: “A morte não interrompe a vida. Cesária continua viva, do outro lado da vida.”
Creio que é mesmo assim.

Transmissão de pensamentos: ontem descobri esta versão da Cesária, só conhecia da Bethânia, e não me sai do ouvido desde então.
Grande coincidência, Leonor. Esta canção anda a acompanhar-me desde ontem. Acho deliciosa a forma como Cesária Évora a recriou, em estilo de morna.
Eu como católico assumido, acredito que a morte é apenas uma passagem para a outra margem (plagiando os Jafumega). Os que estão no lado de lá são agora uns privilegiados pois podem ouvir a Cesária. Connosco ficaram as lembranças, as memórias, os discos daquela que considero uma das vozes do mundo (vidé LadosAB.blogs.sapo.pt).
De facto, essa metáfora dos Jafumega vem aqui muito a propósito. E outra frase, que ouvi ontem, do Luís Miguel Cintra em entrevista à SIC Notícias: “A vida só faz sentido se existir mais vida para além da que vou viver.”
Tem graça, também ouvi essa frase na dita reportagem e ficou-me no ouvido. Muito bonita e tão profunda.
A versão de “Negue” é linda, não conhecia.
Adoro esta canção. Para mim é uma das canções do século.
Também assisti a essa pequena reportagem e achei que o sentido da frase se aplica na íntegra ao que tenho a sensação, terá sido na essência a vida de Cesária e em certos aspectos o sentimento e a alma do arquipélago e das gentes, que ela tão bem sentiu e interpretou.
Seguramente.
Ouvi ontem mesmo esse comentário e achei que era o que melhor definia aqueles que não queremos ver partir. Os que continuam ao nosso lado, mesmo que em silêncio.
E olhei bem para a sua expressão, que não era de tristeza. Era de quem sabia que a iria encontrar de novo.
Adoro esta versão de “Negue”, que considero até superior à de Maria Bethânia.
Dificilmente eu diria isto….
Exactamente. Não era uma expressão de tristeza, era uma expressão de fé.