Alecrim e Manjerona.


vidabreve,

Há pouco mais de uma semana José Sócrates afirmou que as dívidas de um Estado são por definição eternas — uma evidência que não inibiu a direita de lhe cair em cima.

 

Ontem, Pedro Passos Coelho esclareceu que não haverá emprego para milhares de professores, sugerindo-lhes em alternativa os países de língua portuguesa — declaração sensata, pela qual é hoje fustigado com indignação universal.

 

Em Portugal podemos dizer tudo, excepto a verdade. No fundo isto não é um país, é uma ópera bufa.

17 comentários em “Alecrim e Manjerona.”

  1. Não concordo contigo em relação ao Pedro Passos Coelho. Se um governante acha que a melhor solução para o seu país é que as pessoas emigrem estamos muito mal, não que não o soubéssemos já.
    Em relação aos professores ainda ontem dizia que não vai haver lugares no quadro para os contratados, mas apesar disso choca-me que já tenha sido dito por duas vezes às pessoas que a solução é a emigração. Não gosto. Têm de ser apresentadas outras soluções.

    1. Ele apresentou outra solução, Leonor: escolher uma nova carreira. A segunda é que foi emigrar. Não existe uma terceira, excepto a de criar empregos artificiais. É desagradável? Mas é a verdade.

        1. Concordo com a sua opinião, Leonor.
          Convidar os jovens a emigrar, é sinal de que o governo só possui uma completa ausência de políticas de recuperação para a economia do país. Caso contrário, pediria aos jovens que se empenhassem denodadamente, que colaborassem e dessem o melhor de si para as concretizar.
          Realmente, o Primeiro Ministro apontou aos professores, uma segunda hipótese “escolher uma nova carreira”. Só não sei se ele se referia a uma carreira para S. Bento, para o Marquês, ou para o Terreiro do Paço, e esse conselho seria, metaforicamente , um convite para que convoquem uma nova manifestação…

          1. Exactamente. É reconhecer a incapacidade para inverter a actual situação. Choca-me que um governante aponte como solução para o desemprego a emigração.

        2. Concordo com o Luís. De facto, Leonor, se “não que não o soubéssemos já”, qual é o interesse de o negar (recorde-se que aquilo foi uma resposta à pergunta do jornalista).

          Não é omitindo a verdade que vamos lá. E neste caso não é dizendo aos professores que fiquem em casa à espera que o vento mude de direcção.

          1. Pois não, José Maria, é um facto que a situação não é brilhante, mas, como digo em cima, apontar a emigração como solução, e atenção que não é o primeiro membro do Governo que o faz, choca-me.

  2. Quanto ao primeiro, esta frase foi apenas a “mais tolerável” de uma série de disparates, que demonstra o mau carácter de quem as pronuncia e de quem nos conduziu a este estado de coisas.
    Concordo com a Leonor quanto a PPC. Não discuto que seja a mais pura verdade, tal como é verdade que alguns cursos superiores deixaram de ter saída profissional e os alunos têm de enveredar por outros. É evidente.
    Mas há formas de dizer as coisas e esta, não foi nada feliz.
    Para dizer a verdade, não precisamos de ser indelicados. Assustadores. Sem soluções. Ou até prepotentes.
    As mesmas frases, ditas de forma diferente, caem-nos da melhor ou pior forma. Isso distingue as pessoas e transmite ou não confiança.
    Neste contexto, já de si é derrotista, mais derrotas anunciadas de cima é, no mínimo frustrante.
    Precisamos de esperança, não de quem nos deixe baixar os braços.

    1. Precisamente, macarvalho.
      E se o nosso ghoverno estiver realmente empenhado em motivar todos aqueles de que a sociedade necessita, quer no campo específico, como no geral, terá de começar pela justiça. Por forma a que todos sintam que estão por direito no seu país e por conseguinte se motivem para a tão necessária recuperação económica, financeira e social.
      E uma das medidas que a meu ver é prioritária, não tem a ver com o estímulo à emigração, mas sim, e pelo contrário, com a criação de condições para a radicação, cada vez mais forte e empenhada na recuperação.
      Mas, como disse, é necessário dar à população, segurança e sentido de justiça. É necessário julgar e condenar exemplarmente, aqueles que cometem crimes, sejam eles políticos, ou não. É necessário repatriar aqueles que imigram para o nosso país, cometem crimes e por aí continuam, criando insegurança e gastando recursos do estado. É necessário acabar com a indigência, aproveitando aquilo que essas pessoas podem dar à sociedade, requalificando-as e trazendo-as para a vida activa. Escrevia à dias o Luis Menezes Leitão, acerca dos desconchavos deste primeiro ministro, comparando-os ao terramoto que assolou Lisboa no ano de 1755.
      Hoje não temos, a menos que ainda não se conheça, alguém com as características do 1º ministro do rei D. José. Se tivessemos, se tivermos, não tenho dúvidas que as primeiras decisões que tomará, em caso de catástrofe, serão aquelas que mencionei… tal como o marquês, quando tomou as rédeas do reino.

      1. Leonor, eu nem discuto a honestidade do PM nem lhe tiro o valor de quem tem em nãos uma granada, oferecida como uma caixa de bombons e um lindo laço.
        Considero, desde o início, que só um grupo de heróis quereria herdar tamanha tarefa, com medidas tão impopulares e sujeitas ainda à supervisão da dupla maldita franco-alemã, notoriamente fora do contexto europeu, sem a mínima visão de futuro.
        Nota-se muito trabalho, empenho, coordenação, tentativas de saída com os pés assentes, mesmo com falta de apoio em todos os lados, incluindo os Órgãos que deveriam rodeá-lo, mas alguma inexperiência política, faz-lhe sair algumas tiradas bem infelizes, mesmo que sejam verdades absolutas.
        Em absoluto contraste com o seu antecessor, dono de uma fórmula mágica de dominar os súbditos, enganando-os com cada palavra dita.
        Diga-se isto, em abono da verdade e para evitar comparações.
        Mas, repito: desmoralizados, já nós estamos. Precisamos é de quem nos mostre um pouco de luz e nos ajude a acreditar em saídas, quando estamos todos a esfarrapar-nos para pagar uma crise antes negada, que alguns gozaram até mais não.
        Porque eu ainda acredito na honestidade que vejo, lamento apenas que me atirem ainda mais ao chão.
        Há muitas formas de falar e de dizer a mesma coisa.
        Sem isso, temos apenas o fado!

  3. E aos outros milhares de desempregados? o que é que sugere que ele sugira? Ala , tudo p’rá emigração? Pois, talvez resultasse mandar os pacóvios dos Portugueses todos p’ró estrangeiro, assim podia ser que se resolvesse a “crise”! Ou então aumenta-se como deve ser, aumentos de jeito, claro, o acesso à saúde e pode ser que comecem a bater a bota uns milharzitos a mais por ano, quem sabe? País que não sabe tratar e dar de comer aos seus, não é País!
    O Dr. Passos Coelho fala de barriga cheia, é pena, e azar nosso, porque se ele vivesse a situação de milhares de Portugueses e o mandassem emigrar, eu gostava de ver a reacção !

    1. A Odete, portanto, acha que o dinheiro cai do céu, mandado pelo S. Pedro, e o malandro do Passos não o distribui pela gente, ficando com ele todo.
      “Filosofia”, aliás, comum a outros “comentadores” acima…
      Realmente, não há direito.

      1. Não sei se quando o António P. Castro refere “outros comentadores acima”, está a seleccionar alguém, se a generalizar. No entanto, permita-me que lhe apresente um pequeno problema de gestão; Imagine o caro António, que é proprietário de uma considerável exploração agrícola, a qual produz fruta, pecuária e cereais. Agora imagine, António que a gestão de cada uma destas áreas da sua exploração, é gerida por cada um dos seus 3 filhos, os quais dirigem uma centena de empregados.
        Imagine agora, que por diversos factores, o negócio começa a perder rendimento, chegando ao ponto de os lucros não serem suficientes para pagar os ordenados dos 100 funcionários. Que conselho daria o caro António aos seus filhos-gestores?
        Ahh! Reduzir o número de empregados. É obvio. Mas… e se o negócio continuar a baixar, se as vendas forem cada vez menores?
        Hmmm… reduzir os funcionários… até ao último. Ou seja, falir. Deixar a quinta ao abandono e aconselhar os filhos a emigrar, obviamente!

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