A política dá saúde. Pelo menos no Reino Unido. É esta a conclusão óbvia a que chegamos ao analisarmos a lista dos primeiros-ministros britânicos das últimas sete décadas. Dos oito já falecidos, metade ultrapassou a barreira dos 90 anos. Mais do que uma questão de genes, é caso para pensar que a actividade política, usualmente tão depreciada, proporciona boa condição física e mental. A não ser assim, como explicar que o bubedor e fumador Winston Churchill (1874-1965), que chefiou o Governo de Londres em dois períodos – primeiro entre 1940 e 1945, depois entre 1951 e 1955 – tenha morrido com 90 anos? Uma longevidade partilhada por três dos seus sucessores. Harold Macmillan, primeiro-ministro entre 1957 e 1963, viveu até aos 92 anos, falecendo em 1986. Alec Douglas-Home, que liderou o Governo entre 1963 e 1964, morreu com 92 anos, em 1995. E James Callaghan, primeiro-ministro de 1976 a 1979, faleceu em 2005, com uns invejáveis 93 anos.
Os restantes quatro chefes do Executivo britânico que integraram este lote também tiveram uma vida longa. Clement Attlee (primeiro-ministro entre 1945 e 1951) morreu em 1967, com 84 anos. Outro trabalhista, Harold Wilson (chefe do governo de 1964 a 1970 e depois no período 1974-76), faleceu com 79 anos, em 1995. o conservador Anthony Eden (líder do Governo de 1955 a 1957) morreu em 1977, igualmente aos 79 anos. E Edward Heath, igualmente conservador, faleceu em 2005, com 89 anos. Havia chefiado o Governo britânico entre 1970 e 1974.
O longo tempo que passam em gabinetes e a troca acalorada de argumentos nos debates parlamentares terão contribuído para que estes políticos ultrapassassem a esperança média de vida? John Major (primeiro-ministro entre 1990 e 1997), o seu sucessor Tony Blair (que chefiou o Governo na década 1997-2007) e o actual chefe do Executivo, Gordon Brown, serão talvez ainda demasiado novos para responder. Mas a pergunta pode ser dirigida a Margaret Thatcher, primeira-ministra entre 1979 e 1990 – o mandato mais longo de um chefe do Executivo britânico durante todo o século XX, Vai já a caminho dos 86 anos, o que parece garantir a continuação desta excelente média.
Dizem que os jovens estão cada vez mais afastados da vida política. Ora aqui está um exemplo que talvez possa contribuir seriamente para que mudem de opinião.


Uma dúvida:
Os resultados positivos alcançam-se só no Reino Unido, ou é um princípio universalmente válido?
Parece-me um princípio universalmente válido, exceptuando nos casos de atentados bem sucedidos à integridade física dos políticos. Mas confesso que só me debrucei sobre o caso britânico. Questão de oportunidade.
Por cá ficam todos com cabelos brancos ao fim de 1 ou 2 anos, é impressionante. Sofre-se muito, em Portugal. Talvez devesse haver mais trocas acaloradas de argumentos nos debates, ao estilo de Manuel Pinho e da Tia do Louçã…
Nem todos têm cãs. Ao Doutor Ruas, insigne autarca de Viseu, não se lhe vê um cabelo branco. E ao doutor Constâncio também não.
Não conheço o Dr. Ruas, mas o dr. Constâncio está a ficar assim para o careca… é por isso que não se lhe vêem as cãs. Ou será que pinta o que restou?
Será?
Mais que serem politicos, estamos a falar de pessoas com grande actividade intelectual, as quais nunca aceitariam uma reforma completa, de ficar sem fazer nada. Isso ajuda a longevidade, pois esta provado que a inactividade (especialmente mental) esta fortemente correlacionada com a morte prematura.
É bem capaz de ser isso, João.