A Lisboa de Medina (12)


Pedro Correia,

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Lisboa, Terreiro do Paço

(nem uma árvore plantada na principal praça desta cidade “amiga do ambiente”)

 

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(mas ali já houve árvores, quando o ambientalismo não estava na moda)

88 comentários em “A Lisboa de Medina (12)”

  1. A Plaza Mayor de Salamanca também não tem uma única árvore, e poderia ter. Agora imagine-se o burburinho que seria em Salamanca (e em toda a Espanha!) se se planeasse lá a arborização de uma praça tão emblemática e paisagística.

        1. Se levasses com uma parte do maremoto de 1755 em cima não tinhas fôlego para rabiscar o que quer que fosse, anónimo.

          As redes ‘”sociais” são “giras” para exibir ignorância, sempre com a identidade bem escondida.

          1. Mas se houvesse uma foto do Terreiro coberto de peixinhos até que a postavas…

  2. Também teve carros. Estacionados.
    As árvores bloqueiam as selfies…

    (se calhar fazem falta é umas praças não asfaltadas)

    1. Nem uma arvorezinha para amostra em toda a extensão desta enorme praça, a que alguém já chamou um “claustro imperfeito”.
      O que dirão os nossos activistas ambientais desta opção do alcaide de Lisboa?

          1. ‘Coitados dos cães’.
            Conhece aquela do cão que só tinha uma perna? Nesta praça é que ele se sentia bem, não fosse a tentação de lhe apetecer mijar e, coitado, caía.

      1. esta opção do alcaide de Lisboa

        Não é do alcaide, é da Junta de Freguesia.

        É às freguesias que compete a criação, alteração e manutenção dos jardins públicos.

        Por exemplo, o presidente da minha freguesia promete no próximo mandato fazer mais dois novos jardins públicos na freguesia. (Não sei aonde nem com que dinheiro, mas sei que isso faz parte do programa eleitoral dele.)

    1. “Nem uma árvore por lá…” Boa!… Mas é pior: “nem um poste”.
      Coitados dos cães. E casas de banho para gente? Já houve mas vão desaparecendo. E os cafés não são obrigados a permitir o seu uso, alguns até afixam um letreiro a dizer que as casas de banho são reservadas para clientes. As autoridades pensam nos paraplégicos mas esqueceram e abandonaram os incontinentes (que não são poucos). Se um incontinente urinar na rua é multado? E se for nas calças e cheirar mal? Incidentalmente conheço um incontinente que me diz que urina frequentemente na rua (tomando as devidas precauções para não ser visto por nenhuma autoridade) porque não tem outra solução. Acho estranho. Nem falo em quem sofre da doença de Crohn …. para eles o problema principal não é a urina mas algo mais sólido. Por que são desprezados?

      1. E casas de banho para gente? Já houve

        Continua a haver, mesmo ali ao pé, a meio da avenida Ribeira das Naus.

        1. “Continua a haver, mesmo ali ao pé,”Sim, mas não me referia a nenhuma em particular. Do ponto de vista macro elas têm desaparecido, tanto em Lisboa como noutras terras. Nos cafés, ou não permitem ou permitem de má vontade. Por que se abandonam os incontinentes e doentes de Crohn e se estimam tanto (e bem) os paraplégicos? Porque estes se notam a olho nu com mais facilidade?

  3. Concordo, Pedro.
    É uma pena a praça estar totalmente despida de árvores.
    Pode ficar bem na fotografia, mas é um lugar particularmente desconfortável no Verão.

    1. As árvores, numa enorme praça desabrigada como esta, amenizam o Verão e tornam mais suave o Inverno.
      Pasmo por ver os nossos ambientalistas tão silenciosos nesta matéria.

          1. As coisas que você sabe… Tem andado a conviver com o José Magalhães?

    2. É uma pena a praça estar totalmente despida de árvores.

      Parece ser de facto uma pena, mas creio que árvores ali, se as houvesse, seriam necessariamente árvores muito baixinhas (tipo laranjeiras), que pouca sombra fariam e, de facto, só estorvariam as pessoas que andam através da praça.

      Isto porque naquele local a água está muito perto da superfície e é água salobra. As árvores não poderiam deitar raízes muito fundas sem ficarem intoxicadas pela salinidade da água.

      Seria portanto impossível ter naquele local verdadeiras árvores que dessem muita sombra aos viandantes, tipo pinheiros mansos ou alfarrobeiras.

      1. Mesmo ali ao lado, nas instalações da Marinha, haviam uns plátanos enormes. E não se consta que tivessem sido envenenados pela salinidade. É apenas uma opção urbanística, nada mais. Mas mesmo umas pequenas oliveiras, perto de alguns dos bancos tornariam a praça menos inóspita.

  4. Quem mandou retirar as árvores e os bancos nos anos 20 foi a Real Associação dos Arquitectos não foi o Medina.

      1. Há cem anos não havia consciência ambiental nem Medina.
        As árvores foram retiradas porque quem estivesse no centro da praça não via as janelas e as arcadas do terreiro do paço.

          1. Eu concordo consigo, aquela praça é tão grande que o Medina bem podia plantar lá mais urinóis.

          2. Não confunda um urinol biológico com a piscina do Marcelo, então?

  5. Sempre que passo no Terreiro do Paço – tal como está: árido e escaldante -, penso que seria excelente poiso para a secagem do café.

    Em Lisboa como no Porto há um grupo de intelectuais do urbanismo paisagístico que desprezam os “jardinzecos” (só consideram dignos os grandes parques “lá fora”, que é uma oportunidades de se mostrarem viajados), achando inúteis as árvores nas nossas cidades, salvo se tiverem a bênção de algum “conceito”, “dinâmica” ou “paradigma” da moda.

    Nos últimos anos acrescenta-se a questão da segurança. A vegetação esconde os meliantes. Vai daí, tudo à mostra e desimpedido para ser filmado.

    Equivalem aos que cimentam os jardins das casas particulares para se sentirem mais seguros, não terem trabalho nem bicharada. E, sobretudo, dar um ar “arrumadinho”.

      1. Espero que tenha razão, Pedro. Há dias em fico com reservas que sejamos a maioria, tal se está a disseminar a mentalidade “lifestyle”, o ambientalismo da treta etc. Tudo é imagem, tudo é construído ou artificial. Cada vez menos se consente a natureza tal qual é, na imperfeição. É uma chatice: as árvores sujam, têm doenças e raízes que levantam o pavimento, nem todas dão bom pano de fundo para as selfies. Aliás, os animais e as pessoas também. Às tantas o melhor seria cimentar o planeta para ficar bem na maquete.

        1. Alguns comentadores deste blogue, que vieram aqui aplaudir o Terreiro do Paço coberto de cimento, entre vivas a Medina, seriam os primeiros a aplaudir o planeta nesse figurino, não duvido.

          1. Eu preferia antes ter o Terreiro do Paço coberto de cimento do que ter tantos calhaus na política.

          2. De arquitetas não percebo nada, mas no fim-de-semana em Lisboa senti-me com mais vida ao passar os olhos pelos cartazes da CDU. É como dizem: por uma Lisboa com vida, pelo direito à cidade.

  6. Há já algum tempo que está na moda remover as árvores das praças e avenidas. Os autarcas não gostam da terra e preferem criar um contínuo de pedra, impermeabilizando terrenos. Basta ver o que fizeram nas avenidas da Liberdade (Braga, Porto), terreiro do Paço, e por várias outras cidades e vilas portuguesas. Recentemente, na cidade de Vila Real, destruíram a emblemática avenida Carvalho Araújo, removendo o jardim, a calçada portuguesa (que substituíram por placas de granito) e, claro as árvores e a terra – há mesmo um muro ao cimo da avenida, mesmo à frente do tribunal – já ouvi alguns Vila-realenses chamarem-lhe “da vergonha”. Há qualquer coisa de errado num sistema que permite a um tipo, ou a um executivo camarário, alterar a memória e a identidade de uma cidade. Os centros das cidades estão a ficar todos iguais: de pedra, sem sinais de árvores ou terra, inclementes em qualquer estação do ano. É claro que a culpa é das alterações climáticas!
    Fiquem bem,
    Catarina Silva

  7. Sim senhor, cá temos a Lisboa de Medina
    Para quê esta imagem do Terreiro do Paço (?), Terreiro do Paço antes do terramoto de 1755, a esta da imagem o Marquês de Pombal chamou-lhe Praça do Comércio e ainda assim se chama.
    Para quê comparar quando tinha umas árvores, que não cresceram muito e desde 1930, pelo menos, desapareceram para nunca mais serem plantadas.
    É uma vontade expressa de gostar ver a Praça arborizada ou é de lixar o Medina por a não ter arborizado?
    Mas, interessante seria lixar o Medina com as árvores plantadas nas muitas ruas da cidade e que trazem inconvenientes às pessoas que habitam nos prédios com os ramos das árvores a entrar pela janela. ‘bora abater essas árvores e o Medina que se lixe, seria o belo panfleto eleitoral..

    1. Chiça, os serventes de Medina não dão uma para a caixa.
      Cambada de incompetentes.
      Até usam o Salazar como modelo para justificar a inexistência de uma só árvore na principal praça de Lisboa.

      1. Chiça, digo eu. Cá está você a zandingar.
        Esta medina é mesmo para tirar protagonismo aos populuchas da treta.
        Você sabe a razão das árvores terem sido abatidas, mas agora lembrou-se desta e por todos quanto nos visitam elogiarem esta Praça do Comércio. Tal como está é obra do Costa/Medina e nem pensar que alguém se lembre disso, que a mim não me preocupa.
        Você sabe que as árvores foram abatidas por tirarem a vista ao tal “claustro imperfeito”, e, talvez, também, por pouca afluência de pessoas e quem procurasse sombra tinha as arcadas.
        Então vamos ter no próximo “A Lisboa do Medina” a falta de árvores nos Restauradores, na Praça da Figueira, na Praça Marquês de Pombal e nas que quiser descobrir. Até dia 24 ainda dá tempo para atirar com uma medina de árvores a mais na Avenida da Liberdade.

          1. O interessante é pegar na merdice do ‘abatidas’ , se fosse deitadas abaixo arranjava uma diogoalvice pra gente rir. .
            Diga qual a razão para haver árvores na Praça do Comércio, para quê?
            Se se atirasse ao Medina, ou a quem for, por causa das autorizações para comes e bebes nas arcadas e passeios da Praça ainda vá, agora árvores para fazer sombra a quem?

          2. Este sem-nome é o funcionário típico: faz-lhe confusão ver comércio… na Praça do Comércio. Horrível nome oficial, que nunca suplantou a bela designação que o povo lhe dá: Terreiro do Paço.

            Estes mecos adoravam ver tudo aquilo reduzido a repartições públicas, deserto a partir das seis da tarde.
            Sem árvores, sem passarinhos e sem pessoas. Assim ficam com a vista mais desafogada lá nos gabinetes. Quando não estão em teletrabalho.

    1. ‘Estando Lisboa sustentada por estacas..’. Lisboa não é só a zona da Baixa, a maior parte da cidade está construída nas sete colinas.
      O braço de mar que chegava ao Rossio/Praça da Figueira/Martim Moniz já estava assoreado no tempo dos árabes, apenas restavam as ribeiras Valverde a dar ao Rossio e a de Arroios/Anjos a passar no Martim Moniz/Pç. da Figueira, ambas a desaguar no Tejo. As estacas só foram descobertas na zona Restauradores/Rossio e a ribeira nem sequer foi encanada com a do Martim Moniz.

  8. Petição para transformar o Campo Pequeno num bosque.
    Colocar depois fauna apropriada, esquilos, lebres e veados.

    1. É um objecto histórico, para o bem e para o mal. Tal como acho que não devem deitar abaixo a estátua de um tipo que andou a malhar nos índios também não devem deitar abaixo uma praça dos filhasdaputa dos maçons que andam a malhar em nós.

  9. Já só nos faltava estes lobistas da Portucel.
    Não descansam enquanto não encherem o mundo de calipes…

  10. Não há necessidade. A praça é uma boa praça. Falta apenas colocar todos os ministérios em seu redor.

  11. Devia preocupar-se é com as arvores que arrancam por esse país fora, estas da praça do comercio já não não existem faz décadas.

    1. Que raio de argumento esse.
      Equivale àqueles que defendiam a ditadura porque a democracia já tinha sido “arrancada” há muitos anos em Portugal.
      Não arranjas nada melhor que isso?

  12. Aqui discordo duas vezes, caríssimo Pedro.

    A minha primeira objecção é que esta praça não foi desenhada para ter árvores, nem jardins nem coisas desse género. É um monumento racional, iluminista (recordo que o preceito arquitectónico do Iluminismo que regeu o desenho desta praça é de que qualquer ponto seja possível ver todos os outros pontos) e portanto não é suposto ter organismos vivos intrometidos no desígnio original. O Terreiro do Paço está exactamente como deve estar e continuo convencido de que foi um bom projecto. Só o desnível entre a praça e a estrada ficou ligeiramente mal (mas aceitável) e a solução do barranco ao lado do cais das colunas também não está muito bem, devia ser feito de alvenaria na vertical como numa doca de atracamento.

    A segunda é que este projecto é anterior ao actual executivo camarário e não tem nada a ver com o Medina — e ainda bem porque já teria certamente dado cabo dele. Aliás, fechar este eixo da cidade como ele quer fazer é uma estupidez absoluta e o gajo devia ser atirado ao rio ainda hoje: já há muitos cocós no rio, este seria apenas mais um.

    1. Por acaso Medina concluiu ali perto uma obra que merece aplauso: a requalificação da Estação Sul e Sueste. Também gostei da requalificação da Ribeira das Naus, que só pecou por muito atraso.

      1. A Ribeira das Naus não foi acabada no tempo do Costa? Acho que sim.. DE qualquer forma era um projecto mais antigo, já andavam naquilo há anos e se calhar já ninguém sequer se recorda quem o começou..

        Esta coisa de os PC ficarem com o louro dos projectos (e as culpas) dos projectos também tem muito que se lhe diga — normalmente são projectos dos gabinetes dos arquitectos, nunca estiveram nos “programas” eleitorais (que eles de qq maneira não respeito) e andam por lá nas gavetas anos a fio muitos deles.. Excepção feita para o Túnel do Marquês que na altura foi apadrinhado e concluído pelo PSL. Não me recordo se foi tudo no mesmo mandato mas acho que não que passou de um para outro anos depois

  13. Podia-se instalar uns canteiros de alfaces. Ecológico q.b. e “very typical” para turista ver.
    Não adianta é aos saladeiros pensar em tomates, que em Lisboa não os há.

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