Tal como digo no post que hoje publiquei no Aparelho de Estado, antes mesmo de conhecer os resultados da reunião entre Passos Coelho e José Sócrates, a solução para a crise não está no entendimento entre Sócrates e Passos Coelho. Está na vontade política de cortar radicalmente nas despesas e de abandonar o socialismo que nos governa há decadas.
E tanto não está que, como se vê do encontro em questão, o consenso entre ambos quedou-se por uma meia dúzia de banalidades e lateralidades que só por brincadeira podem ser entendidas como medidas de combate à crise (se é evidente que o combate à fraude e a melhor fiscalização das prestações sociais merecem aplauso, já é de rir que as mesmas sejam encaradas como medidas de combate à crise, como se fosse necessário uma crise para nos lembrar que é preciso garantir que “ninguém tem vantagem em ficar no subsídio de desempre apenas por ser uma situação mais vantajosa do que estar a trabalhar“).
Não é este consenso que salvará Portugal. Nem o acordo político de regime apregoado pelo Presidente da República. Nenhum deles resiste à força da realidade que vivemos.

Enquanto os ouvia naquelas pomposas declarações (Passos Coelho esteve meia hora a repetir a mesma frase), pensava nisso mesmo que dizes: nada disto tem significado palpável. É bom que se entendam, claro, mas a situação é grave de mais para rodriguinhos rectóricos e promessas vagas. Enquanto não se cortar a sério na DESPESA PÚBLICA (desculpa, João, mas sem gritaria a coisa não parece ir a parte nenhuma…), não há sorrisos nem promessas que nos salvem.
É verdade Ana. Infelizmente, temos muita tradição em esperar pela catástrofe para actuar…
Subscrevendo este comentário, deixem-me também acrescentar, que ouvi um senhor qualquer, empresário suponho, a comentar a conversa de Passos – Sócrates , que dizia a determinado ponto: ” As pessoas que lá vão (penso que à sua empresa) só querem o carimbo, trabalho não “. Por acaso este senhor lembrou-se de oferecer trabalho às pessoas que lá vão a procura de trabalho e como ele não lhes dá, pedem -lhe para pôr o carimbo, ( o carimbo é obrigatório a quem vai pedir trabalho, 3 por mês) em como foram procurar trabalho? Tudo isto para dizer que ficaria muito melhor na fotografia o Sr. Empresário se tivesse ficado calado. Mas não admira num país de memória curta, o tal senhor deve ter-se esquecido que há mais de 500.000 desempregados no país, que pretendem arranjar trabalho, até porque estando no desemprego não está a contar tempo para a reforma e há pessoas com mais de 50 anos que ganhavam 450€, não têm 40 anos de trabalho, vão ter uma reforma de quanto? 200, 250€? Será que este empresário é destes? Será que em Portugal, os empresários passaram a chamar-se oportunistas? Exploradores ? Eu não quero dar razão a Louçã ou a Jerónimo de Sousa, porque senão, não saímos das greves, mas quase sou obrigado a dar-lhes razão. Desculpem lá este desabafo, o comentário não era para ser feito desta forma, mas fiquei deveras irritado com o tal senhor empresário que na TV queria aparecer como salvador do mundo, culpando quem quer trabalhar.
Desconheço o comentário feito pelo tal empresário pelo que não posso comentar. De qualquer forma, parece-me importante que se acautelem os efeitos perversos de um sistema de previdência social mal fiscalizado.
Sistema de previdência social mal fiscalizado, não é novidade, a começar logo pelo interior da própria previdência social. Haverá alguma coisa neste pais bem fiscalizada? Talvez a comunicação social que não pode dizer aquilo que quer sem ter invasão às suas redacções. Já sei não devia ter dito isto. Saiu, foi involuntariamente.
Mali principii malus finis…
Do belo par de estaladas
contra o torpor fracassado
restam as marcas reveladas
deste regime trespassado.
A brusquidão do despertar
após tanta letargia
com o país a enquistar
farto de demagogia!