Na minha meninice devorei os romances de Harold Robbins: nessas narrativas corajosas, em palavras duras, os protagonistas ficavam multimilionários e conduziam bólides nas 24 Horas Le Mans. Mal sabia o dr Pais do Amaral que anos depois cumpriria as aspirações de uma criança intoxicada por má literatura.
O que me agradava sobremaneira nas aventuras dos canalhas mais ricos do mundo era a exibição das suas acrobacias eróticas: esses homens, leitor, tinham falos, e esses falos, leitor, só conheciam dois estados — ou estavam erectos ou, hélas, entumescidos. Pontualmente também os encontrávamos rijos, túrgidos, e até mesmo, se a memória não me falha, tumefactos — mas nunca, nunca por amor de deus se achavam moles, tenros, frouxos, indolentes ou descaídos.
Recordo um capítulo em particular, no qual o protagonista fodia uma groupie platinada com mamas grandes e botas à cowgirl no jacuzzi de uma penthouse com vista para o rio Hudson — se não foi isto, perdoem a liberdade poética. Pouco antes do orgasmo a mulher gritava com arrebatamento:
— Ben, tu és o maior!
E ele responde, entre duas bombadinhas:
— Obrigado, Mandy.
E ela retorque, triunfante:
— Eu não sou a Mandy, sou a Sandy. Mas podes chamar-me o que quiseres, desde que continues a foder.
Ao assistir à entrevista de José Sócrates na semana passada compreendi finalmente a natureza da relação entre os portugueses e o primeiro-ministro: ele pode dizer o que quiser, desde que continue a fodê-los.

Infelizmente, Luís, a melhor imagem para metaforizar Portugal não é o jacuzzi de uma penthouse com vista para o rio Hudson. Mas reconheça-se-lhe: o PM é muito pujante – ou toma viagra -, porque não para de foder.
Coitado, só se for foder-nos o juízo. Porque, quanto ao resto, mon dieu de la france…
Bem, foi isso que eu sugeri no post com extraordinária subtileza.
Dava para perceber, mas mesmo assim fico mais descansada com o seu esclarecimento. Porque se fosse em sentido literal, saaaaaafa! Par Toutatis 🙂
Par Toutatis? Já vi isso em qualquer lado…
Socratix?
Par Armandovarix.
Desculpe-me a indiscrição, mas porque diz isso?
O juízo e o país, pois claro. Quanto ao resto (presumo que se refira à vertente sexual), ignoro e assim quero permanecer.
Isso é que é presumir…
Conhece aquele dito popular que mete presunção e água benta? Pois bem: compenso a escassez duma com, porventura, algum excesso da outra.
…”de la France” e não só… Do resto do mundo inteiro também, pois parece que as queixas já chegam de todo o lado.
Você por aqui, Carlos?
É verdade, Luís. Espero não incomodar.
Nunca incomoda.
Obrigado, Luís.
Sem pôr de lado a liberdade literária do ‘post’, Luís, só me ocorre parafrasear uma rapariga rural içada à ‘glória’ efémera de protanonista do Big Brother (que Harold Robbins não desdenharia): “fosga-se”!
O Harold Robbins nunca escreveria fosga-se. Ele era um homem de barba rija.
Também acho que não. Ele não era muito bom em Português rural. Hehe…
… pois…, além do mais, também consta que não tinha nenhuma licenciatura em ‘Português técnico’, o que é sempre da maior utilidade.
Eu sempre achei que não saber uma língua técnica (uma língua na sua vertente técnica, claro) acaba sempre mal.
No meio dessa fodança toda, há relatos de orgasmos?
Duvido muito.
Foder é um prazer.
Haja quem goste de ser fodido.
Cumprimentos
Sempre o optimista, António.
Um texto curto e grosso, Luís, como se impõe quando a metáfora é o Harold Robbins (que também li, confesso, quando esse tipo de leituras me era interdito). Mas o mais curioso é a coincidência de a entrevista de Sócrates ter sido, também para ti, uma revelação.
eheheheh… e aposto que até gostavas que a entrevista te tivesse sido interdita… 😉
hehe, sou muito inocente.
Registo que hoje se virou uma página aqui no DO. A partir de agora sempre que um comentador entender dar vazão ao seu variado vernáculo para melhor expressar o que lhe vai na alma, terá aqui certamente uma porta aberta que o acolherá carinhosamente. Pensava eu aqui com os meus botões, que determinada terminologia deveria estar confinada aos blogues individuais. Tontice a minha, afinal ainda tenho muito, muito que aprender…
Não se iluda. É uma vez sem exemplo.
Pois é João, foi esse o meu receio.
Pois, logo agora que isto tinha ganho uma “vida nova”…
Há quem diga que às vezes é bom perder a pose.
Pois eu sou mais da opinião, que às vezes é necessário ter alguma pose.
Foi à manifestação em defesa da família, Ariel?
Caro Luís, não fui à manifestação da família, porque tenho o hábito de só me juntar com gente que respeita integralmente a liberdade individual de cada um poder foder com quiser, em duo, em trio só com gajos só gajas, à arrecuas em pé ou à canzana e o que a imaginação a vontade e a oportunidade determinar, e que tem mais que fazer na vida do que andar a espiolhar as cuecas do vizinho. Estamos esclarecidos?
Quem escreve assim não é mariano.
Hehe…
Muito obrigada João, eu sei que me compreende.
:))
Sempre, Ariel. Pelo menos, tento sempre.
Eu até enrubesci com o vernáculo. Fosga-se!
Parece-me que já ouvi isso em qualquer lado…
Grande Ariel! Touché, Luís?
🙂
Obrigada Ana. Sabe, sou grande fã da Annaïs Nin…
:))
E da Joana d’Arc, aposto, a avaliar pela sua resposta ao Luís. 😉
E da padeira de Aljubarrota!
:))
Ah, claro, sobretudo dessa!
LOL
Já agora, da Deuladeu…
:))
Ariel, isso é que é escrever, carago. Precisava de ter a sua capacidade de síntese para responder a isto: http://marsalgado.blogspot.com/2010/02/l es-copains-dabord-uma-das-poucas.html. É que estou a ficar sem forças… 🙂
Caro Carlos Azevedo, muita simpatia a sua. Irei ler com mais vagar os argumentos que defendeu no mar salgado, mas pelo que me apercebi de uma leitura rápida, estamos completamente sintonizados .
🙂
Em trio, parece-me bem….
Como eu a compreendo, Ariel.
Caro Sergio, muito obrigada.
:))
Faço minhas as palavras da Ana Vidal: Grande Ariel!
:))))
[Só alguém muito diatanciado, lhe colocaria essa pergunta…]
Obrigada minha amiga.
:))
Por favor, não parem. Continuem.
Já o disse uma vez e repito: há caixinhas de comentários no DO que valem um guião humorístico com sucesso garantido. Esta é uma delas.
O que eu me rio aqui. Obrigada:))
– Ok, Luisinha.
– Eu não sou Luisinha. Sou Teresinha, mas não faz mal, desde que não parem…
Hehe…
Ó Teresinha… “por favor não parem”, neste contexto, é uma afirmação perigosa!
Não parem, ao estilo, é tão bom, não foi?
Do meu ponto de vista, foder é excelente. E é a primeira vez, que me lembre, que leio tal palavra no “delito”. Parabéns!
Desiluda-se, porque é à coelho. Quer dizer: não é para durar.
Eu não tenho a certeza disso, João…O Luís M. Jorge esteve ausente por uns tempos – ganhou fôlego e regressou em grande forma :))
(Pronto, já me atrevi)
O Luís em grande forma? Quer dizer: entumescido?…
Thumbs up!!
Melhor que o “fuck you” (a ler com pronúncia madeirense) do Joe Berardo, só o “fuck you” (a ler com pronúncia de inglês técnico) do Sócrates.
Fodendo durante a…
Neste planeta tão fodido,
fodido miseravelmente,
mesmo sem fazer o pedido
há quem foda a nossa mente.
São viciados a foder
sem pedir autorização
ficando por compreender
tal falta de educação!
(com o respectivo “link” no meu blogue)