
(Postal no meu mural de Facebook)
Leio o João Gonçalves (agora também João S. Gonçalves) desde os tempos do seu blog Portugal dos Pequeninos. Verve cáustica, mente inquieta e, acima de tudo, imensa verrina. Concordando ou não – até porque ele estará duas ou três braçadas à minha direita -, gostando ou desatinando, o certo é que nestas quase duas décadas o homem tornou-se item da minha paisagem.
Após a “intervenção militar” russa na Ucrânia o João Gonçalves embicou, e com afã, contra as posições europeias e um (aparente, digo eu) unanimismo ucranófilo. No início, uma ou duas vezes lá terei resmungado em comentários – julgo que aquela posição é um erro de compreensão – mas depois desisti. Pois às minhas atoardas guardo-as para o meu mural (e blogs), para quê chatear os outros em sua “casa”? Ora, e até porque o seu mural é muito activo (imensos “gostadores”, múltiplos comentários), o “Algoritmo” mostrava-me os seus vários postais diários e a azáfama dialogante que lá sempre acontece. Também por isso um dia irritei-me com aquilo e cortei a ligação, num “quando acabar a guerra pedir-lhe-ei “amizade” outra vez”…” em busca das (outras) caneladas que ele vai distribuindo a eito. Passados uns tempos ele criou um outro perfil (João S. Gonçalves) e reestabeleceu a ligação e eu, que estaria em dia menos zelenskiano, acolhi-a sem mais.
Percebi agora que as suas duas contas foram “canceladas” durante um mês. Não sei exactamente porquê. Talvez por motivos lexicais, não me surpreenderá – um amigo co-bloguista acaba de me avisar que ele próprio está suspenso do Facebook porque utilizou um substantivo abstracto derivado da célebre “Mariquinhas” (!!), e eu já fui informado que, e apenas por ter comentado alhures interrogando se tal substantivo era “ilegal”, seria suspenso se repetisse tamanha agressão a uns inditos “valores comunitários”. Ou então foi barrado devido às suas posições políticas.
Independentemente da razão isto é inaceitável. Há no Facebook um controlo global (robótico, dizia-se) iconográfico, algo atrapalhado – o episódio da censura ao “A Origem do Mundo” de Courbet foi um risonho exemplo, tornado ainda mais anacrónico face à recente pornografia via vídeos “reels” divulgados nesta rede – mas que se poderá justificar, pois avesso à transformação da plataforma num avatar dos porn hubs. Mas o controlo lexical é patético, não só por questões de princípios mas também pela polissemia dos termos que se querem barrar – as “mensagens odiosas” de que a empresa Meta se quer expurgar dependem da sintaxe e não do léxico.
E há, acima de tudo – e este caso deve depender disso -, o controlo censório avulso. Executado pelos pobres avençados da empresa e, muito, pelos inúmeros utilizadores “denunciantes”. Que “denunciam” através do “barrar” de outrem, dando sinal ao sistema que essoutro tem más práticas, algo cujo somatório provoca sanções – já me aconteceu um punhado de vezes, até com gente que conheço, antigas visitas de casa, recentemente um antigo aluno a quem cortei a ligação devido ao seu desbragado putinismo e que assim se “vingou”, colegas antropólogos por razões que desconheço -, ou mesmo “denunciam” postais com os quais não concordam.
Ou seja, a coberto de uma aparente “cidadania”, de uma defesa dos tais “valores comunitários” (quais?, qual “comunidade”?), o que grassa é a vil bufaria, a da maledicência frustrada, ciosa da sua mediocridade. No fundo, bem no fundo, apenas gente dessas “coitadinhas”, furiosas diante da “Pretendida, desejada / Altiva como as rainhas / Ri das muitas, coitadinhas / Que a censuram rudemente / Por verem cheia de gente / A casa da Mariquinhas”.
Alfredo Marceneiro – Casa da Mariquinhas

se até o meu querido repórter de guerras Arturo Pérez-Reverte foi suspenso do Twitter .
´”Ucrania: entre un abuelo SS y un abuelo guripa en la Guerra Patria, hay poca duda. Pero si piensas en Merkel y el lV Reich, aún dudas menos.”
as melhores pessoas que conheço são todas anti zelenskistas , só isso.
Pobre marina. Porventura merece o horrível meio em que habita mas ainda assim…
sim , percebo que seja horrível para a maioria. quase ninguém aprecia virtude , tranquilidade , silêncio , paz e recato. seria um tédio para os apreciadores de exposição pública , hiper consumo , fogueiras de vaidades e adoradores de ídolos falsos fabricados pelos média..
É preciso uma lata …
Caso para perguntar à marina porque vem tantas vezes parar a este antro infestado de “zelenkistas”.
A marina vem aqui por interesse antropológico, espreitar estes humunculos avessos à virtude e alheios às elevadas qualidades daqueles ínclitos que a rodeiam
Hoje esse fado não poderia ter esse título.
Casa da Mariquinhas ??
Que horror ! Mariquinhas é proibido dizer e escrever.
🙉😂😂
Autores, cantores e músicos seriam “cancelados”
Até a expressão “macaquinhos no sótão “ está sujeita a
censura exactamente pela mesma aversão que os inteligentes
sentem com a designação da varíola dos macacos.
Atrevo-me a perguntar. será que o ‘Fado Bicha’, com vídeo abrilhantado pelo deputado Tavares, também será “cancelado” pelos censores-robôs do magnata Zuckenberg?
Ui, será coisa para “auto-crítica pública” lá no “partido”.
Ora, que novidade…pergunte aos católicos integristas como é com o facebook.
Tudo o que tenha a ver com LGBTI é imediatamente censurado. Lobbies ou não, mal algum comentário, afirmação ou tomada de posição não lhes agrade, atacam em grupo. O objectivo é a censura – com o argumento de que o ódio não tem direito a palavra – e a mudança de linguagem, aqui verdadeiramente um propósito totalitário, pois visa forçar a mudança dos parâmetros de pensamento e discurso..
Um exemplo engraçado, recente, é a vacina dos macacos. Todos sabem que afecta quase exclusivamente, pelo menos até agora, gays e bi.
Só que para evitar o que eles qualificam de estigma, agora usam a expressão homens que têm relações com outros homens. Já dizer que o problema se deve à promiscuidade (deles), nem falar; e nem vale a pena falar em homofobia. Não consta que haja lésbicas com a maleita.
esta questão da denominação da varíola dos macacos é pungente. e disto de não se poder dizer que afecta predominantemente homossexuais é inenarrável
A censura recorrente e persistente nas chamadas “redes sociais”, designadamente Twitter e Facebook, demonstra, por contraste cada vez mais evidente, como é amplo o espaço de liberdade de que gozamos nos blogues.
Agora tão esquecidos e até algo vilipendiados, os blogues continuam a ser um espaço de livre pensamento e livre troca de ideias. Sem guilhotinas censórias de robôs concebidos para o efeito. Já nem sequer há gente a exercer tão abjecta função, agora delegada no “algoritmo”.
Caso para perguntar por que raio persiste tanta gente em envolver-se na galáxia do senhor Zuckenberg.
Primeiro amordaçam, depois castram. Quem lá fica, melhor tomar cautela.
P. S. – Amália e Marceneiro, vítimas de censura. Nenhum poderá mais cantar “A Casa da Mariquinhas”, em qualquer das versões que ambos celebrizaram. Perante o silêncio conivente de tantos ‘amantes da liberdade’.
Os blogs não têm censura e têm leitores. Nós vimos aos blogs ler, textos longos ou médios. Mas “redes sociais” a maioria está para conviver, o que é bom. Mas quem lê exige textos curtos, sinopses de argumentos. Julgo que isso ainda é o pior.
A marina adorou o American Psycho e até

cita passagens do Novo Testamento.
É uma comunista adorável.
É abrangente
No Youtube têm um algoritmo artificialmente estúpido, como referi neste post: https://imagenscomtexto.blogspot.com/202 0/10/nem-todos-os-algoritmos-sao.html
Episódio delicioso…
Essa malta quer impor a tolerância, e com tanta força que nem repara que são eles próprios que no fim de contas apenas aprovam quem os aplaude. Os outros terão de ser afastados do espaço público que fica assim reservado apenas para os “tolerantes”. É mais fácil de entender se trocarmos o sentido da palavra “tolerante” com o da palavra “tolo”.
são os “tolorantes”!
O João Gonçalves é alvo assíduo dos censores do Facebook. Há um ano ou dois, ele foi suspenso durante dias apenas por escrever um texto sobre o Festival da Eurovisão no qual, com a sua tão apreciada acidez, lhe chamou o Festival Eurobicha da Canção (ou um trocadilho parecido).
Pois foi, lembro-me disso – e essa do “Eurobicha” foi muito bem atirada…
Quem diria que deixar o mercado livre decidir quem pode falar e o que pode falar não seria boa ideia… Então nos dias de hoje em que corporações são mais poderosas que países…
Pois, tem muito disso – quem censura, quem controla o censor?
Quem não viu que veja “A Rede Social” de David Fincher. O Facebook é um cancro (cancelei a minha conta há muito tempo) coisa que todas as pessoas deveriam fazer, mas infelizmente continuam a alimentar a conta bancária do sr Zuckerberg achando que o referido sr é um “gajo” porreiro
Um bom fds
Pedro Cunha
Bem, não se pede que os criadores e os proprietários das empresas sejam tipos porreiros, senão estávamos mal. E depois, nós nos blogs? Quem é o proprietário do blogspot, do wp? Quem é o proprietário do google, nossa constante muleta?
Já falta pouco para ir preso cá.
No Reino Unido que tantos elogiam sem saber o que aquilo se tornou, um inglês foi preso por ter colocado online uma “pride flag” em forma de suástica…
https://www.samizdata.net/2022/07/the-me dia-could-not-be-played-and-that-frighte ns-me-even-more/
Este blog também pratica censura. Por muito que eu não goste do Facebook ou do Sr. Zuckerberg, não deixo de achar graça à hipocrisia. E a única coisa com menos gente que o Facebook nos dias de hoje é este blog por isso nem percebo o drama.