É o Natal, ou não, uma festa com origem pagã? Pois. É um tema entusiasmante mas não é disso que este post trata. O que sei é que é uma festa que todos pagamos. E não nos fica nada barata. Se tiver dúvidas, consulte a Base dos Contratos Públicos. Escolha “ajustes directos” na barra latera e pesquise por “natal”. Espere pelo resultado. Seleccione a “pesquisa avançada” e carregue no botão exportar. Depois, some as parcelas do Excel. São mais de 35 milhões de euros entre Maio de 2008 e Novembro de 2012. Em iluminações, árvores, presépios com o Gaspar, as vacas, os boys e os burros, luzinhas e jantares e almoços de Natal. Saídos directamente dos bolsos dos contribuintes. O Natal deve ser quando os homens quiserem? Se calhar, é melhor não. Acha tudo isto um espectáculo? Bem, podemos falar disso. Porque no mesmo período, a dita Base regista um investimento de cerca de 90 milhões de euros em espectáculos, espetáculos (convém fazer a pesquisa em acordês e língua portuguesa), concertos, festivais, performances e outras manifestações destinadas a animar, ao longo do ano, os serões e matinées deste povo bom e cordato. E não me venham com futebóis. Até porque o futebol levou, no mesmo período, 25 milhões de euros. Para relvados, bancadas, transporte da criançada, balizas e balneários. Estes números espantam-no? Parece-lhe que retratam um país a afundar? Isso é porque ainda não viu os das piscinas. Sim, foram cerca de 60 milhões de euros desde 2008. Isto é, entre Natal, espectáculos, futebolices e mergulhos, 200 milhões de euros em menos de 4 anos. Números que se referem, naturalmente, apenas a prestações de serviços e não integram custos de outra natureza, como encargos com pessoal das estruturas e intalações a que dizem respeito. São só exemplos. Mas começo a acreditar que qualquer reforma séria do Estado terá mais hipóteses de sucesso se a análise começar pela Base. Pela Basezinha.
A Base, a Basezinha
Rui Rocha,

Que raio são 200 milhões de ôros (e em 4 anos) comparados com os 3.5 mil milhões (ou coisa parecida, com tendência a aumentar) do buraco do BPN.
Que se lixe a tróika, quero dizer, a basezinha…
Vamos ver. A decisão de nacionalizar o BPN foi uma decisão no mínimo controversa do governo de Sócrates. Vista à luz do que sabemos hoje é provável que tenha sido errada, tendo as consequências que se conhecem. Espero que o buraco não se repita. As despesas, aliás, o esbanjamento de dinheiro público que se constata nos exemplos que dei não me parece menos “criminoso” pois, para além do mais, é normalmente feito por paladinos da defesa do Estado Social e dos mais pobres e desfavorecidos. O erro do BPN, se aconteceu, não justifica que se continuem a cometer outros.
Claro que sim, mas a verdade é que todos esses esbanjamentos juntos, mais outros tantos que haja, são uma parcela mínima do buraco em que nos meteram.
mas esses gastos são os mais facilmente escrutináveis pois são feitos regra geral pelas Câmaras. O povo sabe bem o que é feito com o dinheiro municipal, conhece os autores da despesa e … aplaude (com uma mão só)!
É verdade. Por algum lado tem de se começar. Mas sim, são só exemplos de um grandioso buraco.
20.000Euros em chocolates para a Fundação Inatel???????
10.720Euros para o almoço de Natal dos funcionários da camâra de Mortágua ?????
Isto não é normal num país onde temos crianças a passar fome,idosos sem poderem comprar medicamentos.
É vergonhoso.
Parece-me uma vergonha, Isabel. Depois os mesmos andam por aí a gesticular e a berrar em nome das preocupações sociais. O mais revoltante é que esse tipo de despesas tem como único objectivo a obtenção de dividendos eleitorais à custa dos mais fracos e utilizando-os como arma de arremesso (é ver os jantares de Natal e os passeios de idosos).
Pois é Rui, os portugueses são danados prá brincadeira, porque é de brincadeiras que estamos aqui a falar, não é?
O pior é quando lhe apresentam a factura, aí é que a porca torce o rabo. E enquanto olharmos para o dinheiro publico, como sendo “deles” e não como “nosso”, “eles” sentem-se à vontade para o gastarem como lhes der na real gana! E a gente a pagar.
Parece que se chama Estado Social, Alexandre.
Bem, agora percebo a razão do Papa “solicitar” que se passe a suprimir o burro e a vaquita. Pois, o que se tem gasto na alimentação com estes animais justifica perfeitamente a medida. Mas eu cá vos digo, o meu presépio só tem Jesus, Maria e o pastor, que sou eu; pois pasto pela vida que nem um burro.