Crónica do fim da austeridade


Diogo Novo,

Sobem os impostos sobre os combustíveis. É, portanto, normal e expectável que todos os bens – produtos alimentares, vestuário, entre outros – transportados por via rodoviária fiquem mais caros. O sector da distribuição não é conhecido pelo seu altruísmo e, por isso, haverá impacto no preço final do produto vendido ao consumidor. Abreviando, a vida ficará mais cara.

Depois vêm as famílias com filhos. O fim do quociente familiar, substituído por um valor fixo, tornará mais caro ter filhos, sobretudo para casais com um vencimento conjunto igual ou superior a 2000€ mensais. Qualquer semelhança entre este país e aquele que rasgou as vestes por causa dos problemas de natalidade é pura coincidência.

E, para que os exemplos sejam três, olhemos para o comércio. Todos os comerciantes, pequenos e grandes, pagarão mais por transacções feitas com cartões de débito e de crédito, sendo provável que o aumento seja transferido para o cliente.

Pelo meio, o crescimento da economia será inferior ao previsto. Quanto ao défice, parece que ainda não se percebeu ao certo o que vai acontecer.

Face ao exposto, caro leitor, saiba que acabou a austeridade. Palavra do Governo. E palavra dada é palavra honrada.

0 comentários em “Crónica do fim da austeridade”

  1. O ovo de Colombo do António Costa:

    Tirar a uns ricos para dar a outros ricos.

    Os outros ricos são a função pública e as bem reformadinhos.

    Enfim, os pobres sem e com abrigo continuam feitos ao bife.

    1. É verdade, Teresa. Porém, os antecessores não prometeram uma reposição “imediata” das 35 horas. Não prometeram o fim “imediato” dos cortes nos salários e pensões. Não prometeram o fim total e absoluto da austeridade. Em boa verdade, se bem se recorda, a grande diferença entre o PàF e o PS durante a campanha para as legislativas residia precisamente na “velocidade” usada para por fim à austeridade. O PS prometia o fim imediato da austeridade e crescimento económico, o PàF uma redução gradual da austeridade – o que levou boa parte da esquerda a considerar que a austeridade era, para o duo PSD-CDS, uma opção ideológica.
      Ora, com este orçamento da esquerda, nem a austeridade acaba, nem o crescimento é o prometido. Creio que se o Governo fosse de centro-direita já estaria a ser acusado de mentir…

  2. Pois…
    Mas é o que acontece num país infectado pelo Jornalismo de Esquerda.

    Todas as narrativas do País Portugal são baseadas na mentira sobre a realidade.

    Mas a realidade vem sempre bater à porta. E isto é só o começo.

  3. Afinal, em que ficamos?!
    Se bem percebo, os que foram além da troika no caminho da austeridade começam a fazer meia culpa.
    Se não estou enganado, então, por aqui, há muita gente mais papista do que o papa, que persiste obstinadamente aos pés da santa austeridade.

    1. Aqui está um bom exemplo do discurso fraudulento.

      Ter um défice de 3% é austeridade.
      Ao mesmo tempo dirá que está contra o aumento da dívida…

      Só uma ideologia política com protecção jornalista permite um caldo cultural para que alguém escreva coisas tão contraditórias e não passe por idiota ou imbecil.

  4. Sejamos mais precisos sobre o que aconteceu.

    Bruxelas iniciou uma guerra, também através de seus mandatários nacionais, com o défice estrutural.
    O governo propunha 0,2% e Bruxelas 0,6%. Resultado: ficou em 0,3%

    Défice: Em Janeiro o governo propunha 2,6%.A redução do défice aprovado fica em 2,2%, menos 0,4%.
    Em contrapartida o OE promove a redução do peso da dívida pública em 2,7%, invertendo a tendência de aumento que no ano passado se situou em mais de 130% do PIB.

    Combustíveis: Foi aplicado o princípio da neutralidade, isto é, para compensar a perda de receitas que já vinha ocorrendo com a baixa do petróleo e a receita fiscal em termos de baixa de preço e IVA. Por conseguinte, o aumento visa também travar o volume de importações de petróleo pelo efeito da baixa de preço. Menos despesa compensa menos receita por via do aumento.
    O aumento é de 6 cêntimos para gasóleo e gasolina.
    Contudo, o aumento dos combustíveis contempla uma majoração em sede de IRC e IRS para várias empresas.
    E se o petróleo aumentar o governo compensa o aumento.

    Função Pública: Regressa a fórmula de Sócrates que impunha a regra de 1/2, isto é, para cada 2 trabalhadores que saíssem entrava 1.

    IRS: sobem os escalões em termos de valor de rendimento face à tributação anterior. Subindo os valores nos 2,3 e 4º escalões. Vai ser corrigido o valor de dedução por filho.

    Terminais de pagamento automático: Não será aplicada a taxa do sector financeiro quer sobre o cliente quer sobre o comerciante.

    Em suma, Bruxelas pretendia um esforço adicional de mais de mil milhões. Ficou em 580 Milhões.

    Fica concluído que os profetas da desgraça vão ter de mudar de profissão.

  5. Se eu tivesse a certeza de que Passos é capaz de reformar o Estado; acabar com empresas públicas geradoras de dívida; com a maiora das fundações; com as pensões milionárias e a acumulação de várias delas; com os lobbys da educação, da saúde e dos advogados e com os cambalachos do poder local, eu era pessoa para votar nele, defende-lo e até ajudá-lo. Mas não tenho certeza.

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