Livros num dia já com calor de Verão


Pedro Correia,

 

Primeira incursão à Feira do Livro de Lisboa, ao princípio da tarde de hoje, ainda antes da sessão de abertura oficial. Vou para espreitar, mas trago de lá algumas compras. A preços módicos, como eu gosto. Excepto uma extravagância – provavelmente a única que este ano ali farei.

Atraiu-me desde logo um álbum da Taschen sobre cinema negro a um preço especial: 6,5 euros. Rapidamente fiquei com ele: acabo de o pôr numa estante cá de casa.

E que mais?

Da Relógio d’Água, trago Paixões Passadas, uma colectânea de prosa jornalística assinada por Javier Marías – talvez o melhor escritor espanhol da actualidade. No pavilhão da Presença, fixo-me noutro grande nome da literatura espanhola contemporânea: Rosa Montero. Também em textos jornalísticos, sob o título Paixões. Ela explica num pequeno texto introdutório: trata-se de uma série inicialmente publicada no suplemento dominical do diário El País “sobre as grandes paixões da história”. Mais um para o saco das compras.

Na Tinta da China encontro dois títulos que constavam da minha lista mental de prioridades, já a pensar nas férias de Junho: Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco, a biografia do saudoso escritor e jornalista lançada em 2012 por Nuno Costa Santos, e Um Gentleman na Ásia, de Somerset Maugham – um dos mais recentes títulos desta editora, de que muito gosto.

De um alfarrabista trago uma novela de Tolstoi que nunca li, A Sonata de Kreutzer, a um preço quase simbólico. Três euros.

E despeço-me enfim deste dia inaugural com a já mencionada extravagância: o grosso volume (483 páginas) de entrevistas dadas por Jorge de Sena entre 1958 e 1978 (ano da sua morte), agora enfim reunidas em livro. Outra obra recém-editada, com a chancela da Guimarães.

Muitas horas de leitura em perspectiva. Livros que ficam como lembrança deste primeiro dia já com calor de Verão.

14 comentários em “Livros num dia já com calor de Verão”

  1. A Sonata de Kreutzer e um livro fantástico. Fala do amor como nenhum outro que li até hoje. De certeza que vai gostar.

  2. Gostei muito do comentário de José Menezes .

    Profundo , inteligente , sensível , digno de um espírito superior .

    Vou usá-lo com os meus netos cada vez que peguem num livro .

    E vou fingir que é ideia minha , desta vez vou mesmo impressioná-los !

  3. Pedro, é uma maldade escrever isto quando há gente que pela primeira vez não cumprirá um ritual semelhante ao que descreve… Dito isto, dos que refere li os de Marías, Tolstoi e Assis Pacheco — todos excelentes, sendo que o de Tolstoi é superlativo. Se estivesse por aí, compraria o de Rosa Montero, escritora que muito admiro e aprecio. Aliás, aproveito e deixo-lhe um magnífico texto dela que, creio, vem mesmo a calhar nesta caixa de comentários:
    «Siempre me ha dado pena la gente que no lee, y no ya porque sean más incultos, que sin duda lo son; o porque estén más indefensos y sean menos libres, que también, sino, sobre todo, porque viven muchísimo menos. La gran tragedia de los seres humanos es haber venido al mundo llenos de ansias de vivir y estar condenados a una existencia efímera. Las vidas son siempre mucho más pequeñas que nuestros sueños; incluso la vida del hombre o la mujer más grandes es infinitamente más estrecha que sus deseos. La vida nos aprieta en las axilas, como un traje mal hecho. Por eso necesitamos leer, e ir al teatro o al cine. Necessitamos vivirnos a lo ancho en otras existencias, para compensar la finitud. Y no hay vida virtual más poderosa ni más hipnotizante que la que nos ofrece la literatura.»
    (http://thecatscats.blogspot.pt/2011/07/siempre-me-ha-dado-pena-la-gente-que-no.html)

    1. Obrigado pela citação que aqui deixou, Carlos. Sou admirador há muito de Rosa Montero, que comecei a ler enquanto colunista do ‘El País’ e prossegui enquanto leitor de livros inesquecíveis, como ‘A Louca da Casa’ e ‘Instruções para Salvar o Mundo’.
      Há dois ou três anos, vi-a numa mesa ao lado da minha num restaurante de Lisboa. Sem o menor tique de presunção ou vedetismo, correspondendo exactamente à ideia que fazia dela.
      Quanto ao Porto, é totalmente inaceitável a ausência da Feira este ano. A cultura deu lugar ao vruuuum-vruuuuum dos carrinhos a acelerar: isso é qu’induca, isso é qu’instrói…

      1. «A Louca da Casa», é para mim, em termos de ficção, o seu melhor. E gostei muito (e gosto, pois volto a ele inúmeras vezes; até da capa gosto) do livro de ensaios do qual retirei a citação.
        Quanto ao Porto, enfim, nada a acrescentar.

  4. Por acaso, passei por lá hoje – bom ambiente, bom tempo, mas não achei os preços nada módicos. Muito pelo contrário – salvam-se os caixotes de edições usadas ou danificadas, e os alfarrabistas (e mesmo nesses já fiz melhores negócios).

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