O desperdício


enlil,

Não desfazendo em Évora, Elvas é uma das cidades mais belas do Alentejo e de Portugal. Nela se reúne um património de arquitectura militar do séc. XVIII provavelmente inigualável na Europa e no mundo. Porém, a burocracia, o desmazelo e a imbecilidade (sobretudo económica, além de patrimonial) abandonaram o Forte da Graça à ruína, como se pode ver aqui.

Outros fazem muito com o que têm; nós fazemos pouco do muito que às vezes temos.

 

Cittadella di Alessandria, Itália

Fort George, Inverness, Escócia

Terezìn, Rep. Checa

Suomenlinna, Finlândia

 

Forte da Graça, Elvas

20 comentários em “O desperdício”

  1. Quando havia dinheiro da Europa e a economia crescia alguma coisa, Portugal não cuidou do seu património e preferiu fazer obra de “regime”, ignorando quase tudo o que tivesse sido construído no tempo da Monarquia que não pertencesse à Igreja. Agora chora-se pelo Forte da Graça, pelo Palácio da Ajuda ou pelo Palácio de Vila Viçosa. Um país de grunhos, é o que é.

  2. Que tristeza. Em questões de património devemos ser os reis da incúria, pelo menos na Europa. Fosse uma auto-estrada e estaria um brinco. Deserta, mas um brinco.

  3. José Andrade,

    Cumpri o meu serviço militar em 1996, no Regimento de Infantaria 8, sito em Elvas.

    Os serviços de guarda ao Forte da Graça eram assegurados pelos militares do Regimento de Infantaria 8 e muitas foram as noites que dormi por lá.

    Subscrevo na integra o que diz e também fico triste porque poucas são as pessoas que conhecem o Forte da Graça.

    A construção, as pinturas no interior, a vista…

    Simplesmente fantástico!

    Espero que reabilitem o espaço e que dêem um uso condigno.

  4. É um duplo problema: por um lado o abandono, por outro a possibilidade de vandalismo arquitectónico em que o estado central, as autarquias e investidores privados são especialistas. Depois das barbaridades que fizeram à Fortaleza de Cascais ou à de Sagres, arrepio-me de pensar nas “recuperações” e “revitalizações” que poderiam fazer, obedecendo às regras comunitárias de terem de ter elevadores para deficientes, caixilharia de alumínio e vidros duplos para certificação energética.

  5. É pedir ao Presidente da Camara Municipal de Elvas para recuperar o Forte. Depois de recuperado passará a chamar-se, em vez de Forte da Graça, Forte Rondão D’Almeida, mas isso é apenas um pormenor.

  6. Os vizinhos espanhóis, por cada pequeno pormenor histórico fazem um roteiro turístico.
    São pequenos nadas que poderiam fazer também crescer a economia… e preservar o património que (felizmente) ainda temos.

  7. Verdadeiramente lamentável. Senti o mesmo há uns anos, ao visitar o histórico castelo de Jorumenha. Senti isso também ao visitar o convento de Cristo, em Tomar: foi até um dos meus primeiros textos neste blogue.
    O desleixo e a incúria a que votamos o nosso património diz muito de nós. E o que diz não é nada lisonjeiro, infelizmente.

  8. Até me atreveria a dizer que Elvas é ainda mais bela do que Évora.
    Nunca subi ao forte da Graça, mas pelas imagens até me espanto como é que a cidadade raiana conseguiu que o seu conjunto monumental castense fosse escolhido recentemente como património mundial pela UNESCO. Não que não mereça, mas ao ver o estado de degradação e sub-aproveitamento, é uma questão que tem de se colocar. É um velho mau hábito dos portugueses: preferem sempre o que é novo e “moderno” em detrimento do património que têm à mão, que deixam apodrecer até ao esboroamento.

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