Se a cabeça não está no comando, se falha o entendimento, o discernimento, a capacidade de se integrar, se o mundo nos chega com uma translucidez a raiar a opacidade, então o que fazer ao plano de traça pombalina para os dias do fim, carregado de um arrojo que ficou em suspenso? Existir e não ser, é essa a questão.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Esta é uma questão com dois pontos de vista.
Do ponto de vista do próprio:
– Se não tem entendimento nem discernimento penso que a própria existência será irrelevante.
Do ponto de vista do outro, ou do cuidador:
– Manter um ser humano na condição de vegetal será a melhor forma de executar o plano de traça pombalina para os dias do fim ou será a melhor forma de eu expiar os meus pecados?
É como diz, Carlos, mas os pontos de vista não se resumem a esses dois. Tal como as opiniões e derivados, cada um tem o seu. Um ponto de vista teológico, um ponto de vista sociológico, um ponto de vista gerontológico, um ponto de vista criminológico, um ponto humorológico… e por aí fora.
E já analisou a sua questão através desses pontos de vista todos? Olhe que é uma excelente maneira de relativizar um problema.
Com o avançar da idade estas questões (porque são mais interrogações do que problemas e só se tornam problemas se se deixar chegar ao limite), afloram frequentemente as reflexões de cada um, com maior ou menor intensidade ou constância, Carlos.
e um ponto de vista económico : muito dinheiro ganham alguns com o alimentar da doença. é o que fazem as farmacêuticas nesses casos , alimentam e fazem durar a doença e o mal estar , adiando, sem que faça qualquer sentido , o inevitável fim.
como escrevia Machado de Assis , não tenho qualquer interesse em sobreviver a mim própria.
Certíssimo, Marina.
A traça pombalina?? não conheço essa raça de traça, mas a traça vulgar domestica dou-lhe com força com bolinhas de naftalina.
Maria José
Pombos e traças dariam pano para mangas, Maria José
Last Will , cooperativa holandesa da sociedade civil , ajuda-nos a tratar da saúde por umas dezenas de euros.
Pela Nederland proliferam empresas desse tipo há já bastante tempo. O meu tio Manuel adormeceu o seu sono sem fim através dos serviços prestimosos de uma clínica do ramo. Escolheu assim, mas nunca souberemos se o valor correspondeu condignamente ao serviço .
penso muito nesse assunto , também . o ficar demente à mercê de pessoas desconhecidas , assusta-me de morte ( calhou bem
)
O desânimo pinta quadros aterradores empurrando tantas vezes o juízo a navegar em águas turvas…
Existir para querer parecer, o mais alto gau de não ser.
Parecer, mais para querer aparecer, que é uma tendência em França ascensão.
Odeio este corrector. Onde se lê França, leia-se franca, por favor.
Manter cá alguém que não está em posse de quaisquer capacidades cognitivas é um exercício de egoísmo da nossa parte. Um vegetal é apenas isso (pelo menos para já, ainda vão descobrir que as cenouras sofrem ao serem cozidas a vapor).
Aprecio o argumento de “não sermos Deus”, para decidirmos quando se morre. Assim sendo, se for o caso, é desligar as máquinas e deixar Deus decidir.
Confesso não prestar qualquer atenção à vida depois da morte, salvo seja, nem faço especial menção de ir prestar as últimas despedidas num funeral (faço-o enquanto função social formal), o respeito para com outros serve é quando estes estão vivos, tudo o resto é mera expiação de culpa.
Eu até concordo consigo, apesar de considerar que a avaliação do estado “vegetal” é altamente subjectiva.
“Deixar Deus decidir” parece uma boa solução. Mas, isso suscita tantas questões, não é verdade? Para começar, Deus existe, mesmo? Se sim, quem será, e que relação poderemos ter com ele? Se não podemos relacionar-nos, como tomará as suas decisões?
Dá que pensar…
O Anonimus é mesmo primitivo!
Quer dizer que concorda com polvos, lagostas e caranguejos de serem cozidas vivas e tudo o que é animal senciente ?
Sou um bárbaro.
Quando as sapateiras tomarem o poder, não fugirei às minhas responsabilidades e assumirei as consequências dos meus actos perante a Justiça do Crustáceo
Anonimus,
Deviam era de te assar os tomates em lume brando para veres o que é bom para tosse, De certeza que não dizias asneiras e ficavas a crepitar da moleirinha.
Gosto de pimentos assados, os tomates prefiro crus.
Com cebola e óregãos, já se faz uma bela montanheira.
Até ficarem esturricados.
Joana Afonso
Assim perdem o sabor.
Sim senhor, isto sim é Delito de Opinião que não tem azulada que lhe valha.