Um dia perfeito


Pedro Correia,

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Ontem, para mim, foi dia de praia e futebol. Com um belo salmonete ao almoço num restaurante à beira-mar. 

Um dia simples. Um dia perfeito.

28 comentários em “Um dia perfeito”

  1. Discordo do tom deste teu postal. Pois deixa entender a primazia dos saberes culinários para a obtenção desse desiderato perfeccionista, deixando na sombra – elidindo mesmo – o esforço, dedicação e devoção de alguns profissionais de outras artes…

    1. De outras “artes perfomativas” (como agora se diz), incluindo a terrífica “cozinha de autor”, a vomitiva retórica política e mamadudescas pichagens de monumentos, passei o dia arredado. O que também contribuiu para que fosse perfeito.

  2. E dentro do tempo regulamentar. Aposto.
    De certeza que não teve que esperar mais 14 minutos para o saborear.

      1. Demorei anos a perceber o que era peixe escalado — que presumo ser um anglicismo sem a partícula despoletante dos substantivos.

        1. Mais à portuguesa, também lhe chamam “peixe limpo”. Vem para o prato sem “impurezas”, como agora é de bom-tom.
          Esta gente com hábitos tão amaricados nem sabe comer peixe. Como os “amaricanos”, que trocam um salmonete por qualquer hambúrguer.

          1. Há muitos anos uma senhora das antigas, sem fortuna mas vivendo num solar herdado, acolheu uma estudante norte-americana num desses programas de troca de estudantes durante um ano lectivo. Algum tempo depois foi visitada pela estudante e pela mãe, da boa (conhecida) sociedade americana. Desejando obsequiá-la, esmerou-se e ofereceu um almoço de linguado.
            A americana, antes ainda de todos se servirem, pegou na faca e no garfo e cortou o linguados em pequenas porções que começou a comer apenas com o garfo. Passou o resto almoço a cuspir espinhas.

          2. Os americanos parecem aleijados a comer. Usam só uma mão, tendo a outra pousada no colo.
            O mais caricato é ver alguns portugueses a imitá-los. Como se ansiassem ser “amaricanos” também.

          3. Não são só os “amaricanos”.
            Em tempos, por altura das férias, jantava num restaurante médio-baixo que enchia sempre e com .alguns estrangeiros, que assavam o jantar a ver como eu comia o peixe de faca de garfo.
            Eles achavam estranha a faca de peixe e partiam/cortavam um saboroso sargo como se fosse um bife.

        1. O que tem andado mesmo a escalar é o preço da gasolina — e ninguém faz nada. Ainda vamos todos andar de bicicleta e ir a lojas para binários mais homo-não-sei-quê e papar brunchs à força. Era tão moderno.

          1. O candidato Vieira vai prometer uma trotineta para cada português nas próximas eleições

          2. Há um ano o candidato Vieira prometeu o campeonato e um Benfica “europeu”. Com mais de cem milhões de euros em cima (ou por baixo) da mesa.
            Ganhou “bola”, como diz o outro.

  3. Sim, vale a pena estar vivo. Obrigado pela refeição. Por favor, contacte a uber ou a glovo para trazer-me a casa esse manjar.

  4. Bom dia Pedro Correia
    E salmonete, apesar da sua cor, rima muito bem com verde!
    Bom Domingo. Saúde.
    António Cabral

  5. Reparo que não foram extraídos os fígados. Com os fígados picados, juntando uns pós de farinha, água, manteiga e salsa vai a ferver e, depois, rega o peixe quando é servido.
    Mas, em Sesimbra, os anos eram outros, diziam ‘não trocava por uns carapaus fritos’.
    E, agora, cá aparecem os mesmos a dizer ‘tanta gente com fome e ninguém fala dos talibãs’. Também não vão ser assim tão mauzinhos de todo, nem sequer são contra a iniciativa privada, diziam outros.

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