Para se compreender o que se passa no mundo, julgo que é necessário considerar dois fenómenos aparentemente separados, a fragmentação das sociedades e a revolução mediática. Nos últimos quarenta anos, nos países avançados, o poder dependeu de uma classe média cuja satisfação era a prioridade de qualquer governante competente. Este grupo maioritário decidia eleições e confiava em meios de comunicação tradicionais que controlavam a circulação de ideias. Em cima da vasta alteração tecnológica que acabou com a estabilidade laboral, surgiu em 2008 uma crise que minou a confiança nas instituições e criou uma economia endividada e mais instável. Agora, chega o terceiro golpe consecutivo, a paragem económica completa por dois meses, que dará origem a falências e desemprego. A classe média, que era uniforme, divide-se actualmente entre uma metade que enriquece e outra que empobrece. Uns sentem-se inseguros, os outros mais confiantes do que nunca. A tudo isto, acresce o segundo fenómeno, que tem a ver com o controlo da circulação de ideias (ou de perspectivas da realidade). Os meios de comunicação tradicionais perderam esse controlo. Toda a gente tem um smartphone e pode filmar uma atrocidade na rua. As imagens espalham-se como um vírus, mesmo quando os fragmentos são incompletos ou fora do contexto. Já não há realidade única, mas muitas, algumas que se desmentem entre si, o que força a sociedade a dividir-se em bolhas, onde se refugiam tribos incapazes de aceitar pontos de vista alternativos. Com a pandemia e os seus efeitos, esta mudança geral só pode acentuar-se. A fragmentação torna difíceis as coligações, vai enfraquecer instituições e dividir alianças. A grande mudança não estará na relação entre potências, mas nas tensões internas de cada uma, alimentadas por descontentamento, guerras culturais e a percepção de insegurança. O tempo das potências é mais lento, mas todas terão problemas internos. Os EUA continuarão a liderar o mundo, a China terá dificuldade em contornar os obstáculos à sua ascensão, a UE depende da Alemanha para formar um núcleo duro de países e a Rússia precisa de gerações para superar as suas limitações demográficas.
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Luís Naves,

Foi Jornalismo e educação Marxistas, que transformaram um caso de brutalidade policial num caso racial.
Só foi a espoleta, a cultura já estava traçada pela narrativa.
É o jornalismo e educação Marxista que quer destruir estátuas, queimar livros, filmes e séries, força despedimentos e punição de quem diz diferente, ataca quem resiste e ou diz algo de que discordam.
É o jornalismo Marxista que chama de Activistas quem faz violência, destrói e ataca em nome da Esquerda. Já os outros são Extremistas como o Tea Party que nada violento fez.
É jornalismo Marxista que censura os números da violência policial e civil nos aspectos raciais que não convêm à narrativa Marxista.
No caso dos EUA, não continuarão a “liderar” o mundo.
Como é óbvio um sistema educativo e mediático completamente politizado já não pela esquerda mas pela extrema esquerda não tem a prazo condições para o fazer. A cultura de defenestração de quem discorda expande-se a todos os aspectos como acontece em qualquer movimento revolucionário e entre os próprios revolucionários.
A entropia que já era importante só vai acentuar-se.
Esperem quando os Democratas cheguem ao poder a Revolução Cultural seja ainda mais acentuada. E desta vez vão se assegurar que não há surpresas eleitorais.
Como sempre em Revoluções não será permitido dizer Não.
Não é obviamente a palavra da Liberdade.
lucklucky
Apoiado. Os EUA estão a destruir-se, por dentro. Gigantismo, centralismo.
Poderá inclusivé ocurrer alguma fragmentação.
Aquela Guerra da Secessão Norte/Sul, guerra civil, foi demasiado secessão, guerra, e pouco a resultante União.
Gigantismo, centralismo, históricamente nunca resistiram ao tempo.
Como nesta mal condimentada UE. Esperemos que sem as usuais guerras sempre “vitoriosas”, para um dos lados.
A Alemanha já demonstrou ser incapaz de formar um núcleo duro de países. Esta incapacidade espelha-se também no tão conhecido Brexit que nunca será uma verdadeira exit na medida em que uns e outros necessitarão manter as suas economias a navegar. Mas politicamente esfrangalhou.
O problema da Alemanha incapaz disto não reside nessa incapacidade em formar núcleos duros, mas presumir ser capaz de impor dureza onde mesmo não tem força bastante.
Portanto a UE é uma Europa de submissos. Europa esta que também permitiu revelar que as ditas forças revolucionárias e “farturantes” chegadas ao poder acomodam-se aos tostões miseráveis para sobreviver. E como é necessário garantir a carteira, finge-se que com discursos sociais, rácicos, generalistas de género e outros mais se alimentam barrigas e criam-se condições.
Portanto, os reinos dos submissos a única coisa que fizeram foi legalizar discursos para encobrir a fome e a miséria.
Todavia, a história revela que é quando as fraquezas internas se expõem, em particular nas grandes ou poderosas nações, que as soluções extremas ocorrem: as guerras.
A guerra sempre foi uma solução para manter o poder de alguns apoiados por uma massa convencida que daí viria alimento e sustento.
O grande golpe que abriu as portas a todas as crises e alterações no funcionamento das sociedades foi a revogação do Glass-Steagall Act por Clinton, em 1999. Pela primeira vez, desde 1933, a banca passou a poder especular com as economias dos depositantes. Esta alteração do funcionamento do sistema financeiro ( correntemente mencionada como o fim da separação obrigatória entre bancos de depósitos e bancos de investimento ) foi depois objecto de acordo por parte dos cerca de 180 bancos centrais membros do BIS ( Bank of International Settlements) em Basileia.
Enquanto não for reposta a disposição do Glass-steagall act, a economia continua a obedecer à finança, a criação de moeda vai toda para as empresas supranacionais, alimentando o crescimento das bolsas e os lucros e valor dessas mesmas empresas. E não haverá fundos suficientes para desenvolver a economia das PME’s e o emprego.
Neste cenário, qualquer acontecimento pode criar ou não uma crise, consoante os interesses dos meios financeiros.
Quantas crises houve antes de 1999? Assim por alto umas 5. Há quem diga que tudo começou com Bretton Woods, mais o “liberalismo” de Reagan (Reagonomics) e Thatcher.
Foi Nixon quem acabou com a ligação do dólar ao ouro definida nos acordos de Bretton Woods e a crise que se seguiu em 1973/74 foi provocado pela repentina subida brutal do preço do petróleo. Foi o fim dos 30 gloriosos anos de desenvolvimento do pós-guerra, e o começo de um período com inflação, estagnação e desemprego. A então chamada estagflação. Ao contrário do que se estudava, a inflação foi provocado pelo aumento generalizado dos custos e não pelo aumento da massa monetária. A indústria ocidental sofreu com a concorrência do leste, sobretudo do Japão, e o nível da fiscalidade atingia níveis elevadíssimos, sobretudo os rendimentos mais elevados. Foi então que primeiro Tatcher e depois Reagan decidiram fazer uma revolução fiscal e libertar a economia de grande parte da tutela do estado. O Mercado Comum alargou-se ( eram 6 países fundadores ) a Efta foi desaparecendo, as trocas intensificaram-se, fecharam-se indústrias não competitivas e o crescimento retomou. Houve uma pequena crise na bolsa de NY em 1987 e depois uma pequena crise econômica em 1992/94. Se a memória não me engana, só houve problemas com dois pequenos bancos, na Alemanha (? ), nos anos 70. O sistema financeiro era sólido, inspirava confiança e financiava a economia. Com o fim do glass-steagall e, para nós, a introdução do euro tal como está arquitectado a história passou a ser outra. Está que conhecemos agora.
O “pessoal” quando começar a perceber que “isto” são métodos de controlo já vai ser tarde.
As “crises” são acções que geram reacções e o pior é quando as reacções são as que se pretendem com as acções iniciais.
WW