Se celebramos um feriado para comemorar um acontecimento histórico ou religioso, que sentido faz mudar esse dia para outro? Para mim, não faz qualquer sentido. Para a Fernanda Câncio, parece que até faz (não resisti a pegar no tema, Sérgio). Muito bem. Sugiro que se vá um pouco mais longe – que sejam extintos todos os feriados religiosos, sem excepção, e que juntamente com eles desapareçam também as “férias do Natal” e as “férias da Páscoa” nas escolas, e o mui amado subsídio de Natal, que se acabarmos com o Natal acabamos com a troca de prendas, e assim já não é preciso subsídio.
De resto, é estúpido (para dizer o mínimo) celebrar o dia do trabalhador noutro dia que não o 1 de Maio, ou o 25 de Abril noutro dia que não… o 25 de Abril. Acho disparatado fazer guerra aos feriados religiosos, mas nem me oponho à sua eliminação desde que ela seja feita de forma coerente (até às últimas consequências, portanto). Meias doses é que não, pois nem fartam nem matam a fome.
(E sobre o mesmo assunto, recomendo a leitura deste texto do Daniel Oliveira. Grande ideia, a do Dia do Feriado Nacional)

acabar com o subsídio de natal não fará qualquer diferença, o que iria acontecer era é que o custo anual por trabalhador sendo o mesmo seria distribuído pelos 12 meses do ano. A ideia de que o subsídio de Férias e de Natal é uma conquista dos trabalhadores é conversa dos sindicatos para justificar o seu papel, na verdade é a oferta e a procura que vinga.
Talvez. Eu nunca recebi subsídio de Natal 🙂 Mas acho curioso que ninguém o mencione.
Muito bom este seu post, lúcido e certeiro, com o qual concordo quase na totalidade. Uma coisa, contudo, me parece ser quase consensual: temos feriados a mais e alguns há, especialmente religiosos, que quase não têm qualquer relação próxima com a celebração de uma data ou acontecimento. Estou a lembrar-me, por exemplo, do dia do Corpo de Deus (este, já móvel) e da Assunção de Maria (15 de Agosto), cuja existência, estou certo, mesmo as pessoas crentes terão alguma dificuldade em justificar. Quanto à mobilidade das datas, este é um assunto muito velho e que vem já dos anos 80, no tempo em que Cavaco era 1º Ministro. Se há alguns em que essa mobilidade possa ser justificada e até desejável, outros há, (como muito bem refere) cuja mudança de data os desfiguraria por completo, como sejam o 25 de Abril e o 1º de Maio.
Penso, pois, que a ideia apresentada tem alguma razão de ser, uma vez que o que se passa actualmente é que os 16 feriados agora existentes podem, num “ano bom”, acabar por se transformar em 25 ou mais se as ‘pontes’ estiverem de feição. Resumindo, é uma boa ideia na sua génese, só que precisa de ser muito bem trabalhada, o que não foi o caso até agora, como se está a ver. Muito bom, também, o texto do Daniel Oliveira. O da ‘f’ não tive oportunidade.
A 15 de Agosto são as festas da minha aldeia, agora que penso nisso. Nestas discussões também são quase sempre esquecidos os feriados municipais, que normalmente também surgem associados a um santo (ou santa).
Mas sim, talvez tenhamos feriados a mais. Reformular o “calendário de feriados” pode ser uma boa ideia. Mas tem de ser bem executada: fiquei com a sensação de que as deputadas do PS quiseram agradar a gregos e a troianos com a proposta de eliminação de dois feriados civis e dois religiosos, escolhidos mais ou menos à sorte. Mas não deixa de ser divertido que proponham o fim do feriado de 5 de Outubro no ano do centenário da República… 🙂
Eliminar o 15 de Agosto é desconhecer em absoluto o País real. Essa é a data escolhida para inúmeras festas de vilas e aldeias, de norte a sul do País, com a presença de largos milhares de emigrantes todos os anos. Constitui um cartaz turístico e – porque não dizê-lo? – cultural de dezenas e dezenas de concelhos portugueses.
Nada a ver com o eixo Príncipe Real-Chiado. Mas respeitável, ‘quand même’.
João, tu tens graça. E acertaste na mouche.
Obrigado 🙂
A proposta de alteração ou extinção de feriados é muito interessante, sem dúvida.
Seguindo a inspiração, só festejarei o meu aniversário de dez em dez anos. Para quê o incómodo de ter que receber pessoas para jantar todos os anos? Para quê o incómodo de pensar “parece que ainda agora fiz 53 e já estou com 54, quando posso ter os 54 mais tarde?
É isso mesmo. Entro numa outra dimensão. Faço a gestão do tempo como muito bem me apetecer. E, já agora, por que não mudar o dia de Natal para um domingo de Verão? Sempre se comia coisas mais leves, tinha-se menos trabalho e , oh Jesus!, gastava-se menos dinheiro.
Tudo isto, bem pensado e trabalhado, será a solução para todas as crises que nos afectam desde o princípio dos tempos, nomeadamente a económica, social, física, cronológica, espiritual e outras de que não me lembro agora. Surgirá o Homem Novo, anular-se-á a morte e Portugal, enfim, será o farol da civilização universal.
Não tenho esse problema, pois não celebro o meu aniversário; mas o seu exemplo (com toda a lógica, digo-lhe) fez-me pensar num grande amigo, que nasceu a 29 de Fevereiro 🙂
Então, meu caro, não se costuma dizer que “o Natal é quando um homem quiser”? Pois com esta lei… passa mesmo a ser!
Se o problema são as pontes, não se façam pontes. Em 20 anos de profissional, já passei por um tempo em que todos tinham ponte, por outros em que se dividiam as pontes (e vou na do 25 tu vais na do 1º…) e hoje em dia, onde trabalho, não há pontes para ninguém a não ser, claro, para os que mandam, mas isso são outros quinhentos…
Ora bem, cá está a solução mais simples e mais óbvia. E por isso mesmo aquela que jamais será ponderada ali para os lados de São Bento.
A seguir à eliminação dos feriados religiosos, porque “o país é laico” (o país não, o estado sim), que tal uma revolução no registo civil e terminar com os nomes próprios com origem religiosa? Fim às Marias e aos Joões e aos Jesues (horror: lá ficava o Benfica sem treinador) e aos Franciscos e às Teresas e aos Paulos… e aos Pedros (glup!)