É isto que se espera, mas não só, do presidente da mais alta instância judicial. Que aponte o dedo, mas também que proponha soluções que possam obviar a esse verdadeiro cancro.
Quem está de fora não sabe, mas quando se está mais de sete anos para conseguir que o Estado/MNE pague as compensações pelo despedimento ilegal de um trabalhador que para ele trabalhou mais de quatro e só o faz em sede de execução de sentença; e mais de três para se cumprir um despejo que ainda não se sabe quando será cumprido e que demorou apenas seis meses a ser decretado, sendo as partes obrigadas a meio caminho a pedir a remoção de solicitadores e a pagar a dobrar ao novo sem que a respectiva Câmara faça alguma coisa para remediar o prejuízo, para só dar dois exemplos concretos, seria bom que alguém fizesse qualquer coisa.
Bem sei que Celeste Cardona já deixou de ser ministra da Justiça há muito tempo, mas isso não justifica que se tenha chegado até aqui sem nada se fazer para matar esse cancro. É que é por aí que os gatos deste país têm ido às filhoses. E enriquecido.
Sobre isto, nem Paulo Portas nem o recém-eleito Passos Coelho botam discurso. Como os anteriores líderes do PSD também nada disseram nem fizeram para corrigir uma situação que nos coloca ao nível do Burkina Faso. Nada de anormal, portanto.
Quando em relação a matérias sensíveis se tem tão grossas culpas no cartório evita-se criticar o Governo. Sempre é mais eficaz, e menos doloroso perante a opinião pública, o edificante espectáculo das comissões parlamentares. Não é, dr. Pacheco Pereira?

Os tribunais de execução são, de facto, “o cancro do sistema”, como bem diz Noronha do Nascimento (tarde, mas concordo contigo: mais vale tarde…). Nada diminui e desvaloriza tanto a justiça aos olhos dos cidadãos.