
Viva o 25 de Abril! Viva o povo de Lisboa! E o português! Viva a democracia!
- Nota de rodapé dedicada a mais novos: a imagem é de arruada lisboeta bem anterior a 25 de Novembro de 1975. Avessa a grappistas, brigadistas, grupelhos maoístas e enverhoxistas, utópicos boumedianos, barbudos guevaristas, ciosos brejnevistas, intelectuais titistas, ignaros polpotistas. Havia sido convocada pelo então PS.

Viva a democracia e o povo português.
E que Abril nunca se perca.
Este Abril não está nada perdido.E o “Abril” então combatido continua a fazer algum barulho, apenas isso, entre os gemidos senis e os trinados dos funcionários instalados…
ganda ajuntamento!
Foi necessário.
O tempo em que no PSD se diziam sociais democratas, o CDS fazia comunicados a dizer que não estava à direita mas ao centro e o PS queria o caminho para o socialismo.
Estou firmemente convencido que o facto de ninguém se declarar de direita nesse tempo não vinha do medo ou convicção, Então como agora os políticos vestiam-se da maneira que lhes dava maiores garantias de ir ao pote.
Espero que seja muito novo (alternativamente que esteja senil e tenha perdido a memória).
Ao longo do PREC foram sendo denunciados todos os partidos à direita do CDS na conhecida táctica do salame. O próprio CDS viu um congresso cercado 12 horas no Palácio de Cristal e só não aconteceu o pior dada a pressão do corpo diplomático que levou o COPCON a intervir.
As sedes foram saqueadas, os ficheiros confiscados e os membros sujeitos a denúncias públicas quer por comissões de moradores quer por comissões de empresas. Muitos foram presos sem acusação com maior destaque no rescaldo do 11 de Março (em que também foram presos dirigentes do MRPP) mas ao longo de todo o PREC. Isto está documentado no relatório sobre violências e sevícias, que Marcelo entendeu abrir ao público (estava sob segredo) perto do centenário do PCP.
Sanches Osório, um dos 6 oficiais que esteve no comando do 25 de Abril na Pontinha, foi depois fundador do Partido da Democracia Cristã, igualmente ilegalizado no PREC.
Completamente ao contrário do que diz, as pessoas não se diziam de direita por medo e, as que o tentavam, eram denunciadas e enxovalhadas e era-lhes negado o direito de reunião.
Meu caro
O comentador “jo” é bem conhecido (e há muitos anos) de caixas de comentários.
Não é muito novo e não está alternativamente senil nem perdeu a memória.
Ele é mesmo assim.
A senilidade às vezes dá-nos para vermos só um lado. O MDLP e a rede bombista que matou gente no Norte, ao assaltos às sedes do PC, o golpe de 11 de março – que provocou mortos – foram todos filhos desse tempo. Como foi desse tempo um embaixador americano que quando acabou o seu mandato foi nomeado diretor da CIA.
Não há inocentes num processo revolucionário nem as pessoas que prosperaram com o Estado Novo se tornaram democratas instantaneamente.
Quem pensa isso ou é parvo ou pensa que os outros o são.
Resposta a Jo 26.4.2021
Em 25.4.2021 declarou estar convicto que as pessoas não se diziam de direita, não por medo mas por motivos espúrios. Eu refutei, dizendo que era por medo e explicando porquê.
Sem comentar, reafirmar ou contradizer o assunto – que era as pessoas de direita terem ou não medo – disparatou em todas direcções.
Que não tinha razão, provou-o sucintamente, quanto ao resto vejamos.
– O MDLP`, a rede bombista e os assaltos às sedes do PCP e MDP-CDE foram todos posteriores ao 11 de Março, melhor, à repressão generalizada e extra-judicial que se seguiu ao 11 de Março (o MDLP fundado em 5.5.1975, as outras no Verão quente de 1975).
O 11 de Março foi uma tentativa de golpe militar contra a chamada esquerda militar que tinha ocupado sem legitimidade o poder e que, contra o próprio programa do MFA, estava a criar uma estrutura tipicamente comunista (activistas civis nos quartéis, 5ª Divisão, sessões de “esclarecimento” nas aldeias, etc..). Pessoalmente, lamento que Spínola tenha fugido. Gostaria que tivesse sido preso e ver qual a reacção popular a essa prisão.
Lamento obviamente o morto no Ralis, mas relembro que foi um soldado que, desobedecendo a ordens, ficou na sua tarimba numa caserna que foi metralhada. É sintomático que a parelha de T-6 não tenha metralhado as zonas em que se concentrou a guarnição e também que o chefe da parelha, cunhado de Eanes, não tivesse, que me apercebesse, sido preso depois.
Em face da repressão que se seguiu ao 11 de Março, MDLP, rede bombista e assaltos às sedes, devem ser enquadradas no direito à revolta, depois consagrado na Constituição de 1976. Pessoalmente desaprovo totalmente os atentados bombistas com vítimas e acho que deveriam ter sido julgados os responsáveis, como acho que deveriam ter sido julgados os PIDEs contra quem se fizessem acusações concretas, como acho que deveriam ter sido julgados todos os que praticaram torturas em unidades militares, como acho que não deveriam ter sido amnistiados os assassinos e mandatários das FP-25.
Mas uma coisa é clara: MDLP, bombistas do Norte e assaltos populares às sedes, potenciaram ou mesmo precipitaram o 25 de Novembro – em que morreram 2 militares – e que, no que ainda era possível repôs o programa do MFA. Ou seja, se temos liberdade de expressão e de associação, deve-se ao lado que contrariou os vencedores do 11 de Março.
– Nunca referi a existência ou não de inocentes em processos revolucionários nem salazaristas convertidos. Ou seja, quando chama à colação questões impertinentes apenas quer insinuar, sem ter a coragem do o afirmar, que eu serei parvo ou que penso que os outro são. Ainda bem que o fez. Além de um auto-retrato moral, deixou escapar a expressão “processo revolucionário” que é “per se” inerente a uma ideologia leninista.
– Antes do mais, nunca serão erros de um lado que justifiquem – podem explicar mas não justificar – erros do outro lado. Depois a experiência de vida que tenho, leva-me a uma conclusão diferente: no envelhecimento a maioria das pessoas tende a adquirir visões mais abrangentes e tornar-se mais tolerante e mais compreensiva com adversários.
Infelizmente há outras coisas que, se não forem induzidas cedo, já não se adquirem com a idade. Por exemplo, a decência e, também nisso, o seu défice é evidente.
P.S. – Não comentei Carlucci por não ser possível fazê-lo em poucas linhas.
Bom se o MDLP era dos bons e só se defendeu, está tudo explicado. E os mortos só contam se forem feitos pelos outros ou forem muitos. Vejo que conhece bem a retórica leninista. Tem a certeza de que lado estava quando dos factos que menciona? Há para aí tanto arrependido!
“- Nunca referi a existência ou não de inocentes em processos revolucionários nem salazaristas convertidos. Ou seja, quando chama à colação questões impertinentes apenas quer insinuar, sem ter a coragem do o afirmar, que eu serei parvo ou que penso que os outro são.”
Veja bem o que eu escrevi, não fiz insinuação nenhuma, fiz uma afirmação, se pensa que a carapuça lhe serve, é consigo. Por mim tanto me faz que seja parvo ou inteligente, é somente irrelevante.
Ainda não encheram bem a pança — dá-me ideia de que vai acabar antes de ter chegado a todos.
Esqueceu-se dos gonçalvistas…
não esqueci, estão lá todos
Parece que nada mudou nesse “É Preciso Respeitar a Vontade Popular”. Mas em democracia alguém decide pelo povo, tal como em outros regimes depois que se instalam.
Hoje é dia de liberdade
Que bonito é este dia
Mas para falar a verdade
E digo isto sem maldade
Isto é tudo uma hipocrisia
Vai a malta mascarada
A desfilar pela avenida
E diz uma voz abafada
Veja lá ó camarada
Se a distância é cumprida
Já não sei o que dizer
Isto para mim é surreal
Eu não poder conviver
Com medo de incorrer
Neste dia tão especial
A liberdade é diferente
Isto assim é repressão
E no momento presente
Basta haver muita gente
Para ser uma violação
O célebre Alameda, contra a “muralha de aço”? Cá no Porto teve correspondente no estádio das Antas, e não era para ver bola.
Exactamente.