O comentário da semana


Pedro Correia,

«Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é glorificado. Ele que falou pelos Profetas.

Assim a profética judaica está incorporada no cristianismo, sendo quase universal pois esta parte do Credo é, no geral, comum a católicos, protestantes (a grande maioria), ortodoxos e orientais.

 

O cristianismo, antes de chegar a Roma, expandiu-se na Grécia. Os evangelhos, como os conhecemos, foram escritos em grego e o mesmo se diga das epístolas de S. Paulo. Grega era igualmente a cultura dominante das romanos.

Esta dominância grega foi contestada em ramos originários cristãos no Médio Oriente que a consideravam uma deturpação do verdadeiro cristianismo e, por maioria de razão, contestaram a versão romana estabilizada em concílios depois de Constantino. Esses ramos na maioria extinguiram-se mas alguns foram depois declarados hereges e subsistiram, como, por exemplo os Nestorianos dos quais um monge foi uma das grandes influências de Maomé.

Também não é exacto que a cultura grega só se tenha tornado conhecida no Renascimento. A filosofia e a literatura, com destaque para o teatro e os diálogos, foi conservada e copiada nos mosteiros durante toda a Idade Média e estava acessível aos estudiosos. Os grandes Doutores da Igreja foram influenciados pela cultura grega. Pedro Julião, depois Papa João XXI cuja obra Summulae Logicales foi o livro de estudo de filosofia em toda a Europa por cerca de três séculos *, era um Aristotélico.

No Renascimento o que se deu foi a expansão do saber, acompanhada da secularização do ensino nas Universidades. Também se expandiu o saber científico, que tinha sido ignorado nos mosteiros, e que foi recuperado dos árabes que o conservaram: matemática, física, biologia, medicina, astronomia e geografia foram conservados e desenvolvidos pelos árabes e alguns judeus e só tiveram intercâmbio com europeus nos muito raros períodos áureos em que um líder esclarecido conseguiu a colaboração das três religiões: Abd el-Rahman III em al-Andalus, Rogério II na Sicília, Alfonso X de Castela e, menos significativo, D. João II, cuja Junta de Matemáticos integrava pelo menos um judeu e um árabe.

* Algum tempo depois de Pedro Julião, Pedro da Fonseca (1528-1599) um jesuíta, produziu uma obra filosófica que dominou o estudo na Europa por dois séculos. É para mim motivo de imenso orgulho que, durante quase cinco séculos, quem sabia pensar (ou pelo menos quem sabia Lógica) tenha estudado por livros de um português.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

5 comentários em “O comentário da semana”

  1. O Francisco desperdiça energias ao querer estabelecer diálogo com alguém que busca incidir seu olhar numa perspectiva errónea dos acontecimentos. Uma coisa é a questão judaica e outra é o holocausto.
    A questão judaica é milenar e diz respeito também às perspectivas que eles tinham relativas à forma como viam os “cães”, os gentios e/ou outros povos. Essas mesmas perspectivas encontram-se bem descritas nos seus textos no exílio na Babilónia, em seus actos em momentos de sucesso e até mesmo na forma como as autoridades judaicas usavam o poder externo para alcançar seus objectivos e manter seus privilégios. O Julgamento de Jesus, na chantagem feita a Pôncio Pilatos, revela-nos também esta realidade.
    O Holocausto é de outra natureza e não pode servir para limpar os erros da questão judaica acima descrita.

    Por outro lado, é perda de tempo catequizar, ou, de outra forma, lançar pérolas a porcos, sem abordar a verdadeira essência profética que subjaz ainda hoje no cristianismo, quer para cristãos quer para pagãos das mais diversas religiões.
    ” A lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para aí entrar. Mais facilmente, porém, passará o céu e a terra do que se perderá uma só letra da lei.” Lc 16,16-17

    Para compreender o reino que Jesus revela necessário nos é ir até Cesareia de Filipe (lugar simbólica) onde Jesus reúne seus discípulos e coloca a questão lapidar:
    “Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
    Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.
    Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou?
    Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!
    Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
    E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
    Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Mt. 16: 13-19
    Breve Anotação: Cesareia de Filipe situa-se a norte do mar a Galileia, local elevado onde nasce o Jordão e onde existiam vários templos pagãos. Um local, tal como a Decápole, onde convergiam várias culturas.

    Compreender este reino que Jesus anuncia e em Jesus se revela não é fácil para seus discípulos da época, e ainda hoje para a diversas igrejas cristãs e as demais também pagãs, mesmo para aquelas que dizem adorar um só Deus e não são capazes de revelar Sua face: Jesus.
    O reino de Deus é a Palavra feita carne (Homem), que inaugura um tempo de prosperidade e crescimento em cada homem pela acção do Espirito Santo,. Esse mesmo que levou Pedro a concluir quem Jesus era e é.
    Pedro era um desbocado, e por ser desbocado muito acertava e muito errava. Mas era corajoso por isto mesmo.
    Portanto, a chave do Reino que Jesus oferece a Pedro e a qualquer um que acredite é Ele mesmo: a sua Palavra, obra e o seu Espírito. Também deve notar-se que Pedro significa Cefas (Pedra), e nenhuma Pedra existe sem a Rocha, sendo um fragmento desta. A Rocha é também o local onde deve assentar e edificar-se a habitação, o interior de cada um.
    Todavia, ignorantes, os discípulos discutiam entre si quem ficaria à direita de Jesus chegado esse momento do reino, que eles pensavam ser terreno e que se edificaria pela espada, atirando para longe deles romanos, gregos e outros mais.

    Após a ressurreição de Jesus e suas aparições começa a tomar forma o sentido desse reino e a direcção que se deve seguir.

    Continua

  2. É agora que entra em cena o Espirito Santo.
    “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
    E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
    Vós sois as testemunhas de tudo isso.
    Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
    Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
    Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
    Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. Lc. 24:46-52

    10 dias depois, no quinquagésimo dia (Pentecostes), ocorre o acontecimento extraordinário que leva Pedro a falar e a confirmar na fé mais de 3000 pessoas em Jerusalém:
    “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
    De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
    Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
    Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
    Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
    Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
    (…)
    E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos”. At. 2: 1-41

    Com referi, Pedro era um desbocado e não entendia tudo, mesmo depois de Pentecostes ter ocorrido em Jerusalém.
    Foi necessário ele ir a Jope e aí, após o milagre que opera através do Espírito a Tabita, ser chamado a casa do pagão e centurião Cornélio para compreender o significado do sonho que lhe revelava que a partir de agora (no reino e Jesus chaves chaves nos são atribuídas) não se poderia produzir mais o culto do puro e do impuro, pois todos são iguais diante de Deus e merecedores desse mesmo reino que lhes (nos) está destinado.
    Transcrevo alguns versículos de Actos 10
    15 Esta voz falou-lhe pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro…
    28 Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro…
    44 Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra.
    45 Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos;
    46 pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus”.
    Bastou a Pedro anunciar a Palavra para o Espírito agir. O que hoje temos nada mais são que artistas de púlpito a fazer malabarismos.
    Concluindo, neste dia em que se celebra a continuação da destruição do reino de Portugal, deixo aqui a fórmula para o reerguer, começando pelos ditos crentes.

  3. a profética judaica está incorporada no cristianismo

    Está também incorporada no islamismo. Aliás, ao contrário do cristianismo, que considera a profética judaica como imperfeita e cheia de erros, o islamismo assume por completo a profética judaica, afirmando que os profetas judeus transmitiram corretamente a mensagem de Deus.

    a dominância grega foi contestada em ramos originários cristãos no Médio Oriente que a consideravam uma deturpação do verdadeiro cristianismo e, por maioria de razão, contestaram a versão romana estabilizada em concílios depois de Constantino

    Certo. Um das vestígios da herança grega no cristianismo é a noção do Deus trinitário, em particular de um Deus “Pai” e de um Deus “Filho”. Essa noção, normal para os gregos mas anátema para muitos outros (em particular para os judeus), ficou como uma pedra no sapato para muitos cristãos, em particular no Norte de África, e viria a facilitar a sua rápida conversão ao Islão, o qual insiste fortemente na unidade e unicidade de Deus.

    1. “Levanta-se Deus na assembleia divina, entre os deuses profere o seu julgamento.
      Até quando julgareis iniquamente, favorecendo a causa dos ímpios?
      Defendei o oprimido e o órfão, fazei justiça ao humilde e ao pobre,
      livrai o oprimido e o necessitado, tirai-o das garras dos ímpios.
      Eles não querem saber nem compreender, andam nas trevas, vacilam os fundamentos da terra.
      Eu disse: Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo.
      Contudo, morrereis como simples homens e, como qualquer príncipe, caireis.”
      Salmo 82: 1-7

      “Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfémia, porque, sendo homem, te fazes Deus.
      Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses,
      ora se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida {ora, a Escritura não pode ser desprezada},
      como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus?
      Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais.
      Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. Jo. 10: 33-38

      Eram considerados deuses aqueles a quem a Palavra de Deus se dirigia, proferindo em Seu nome suas sentenças. No salmo a verdadeira justiça é aquela que se baseia na Palavra e que sai em favor do oprimido. E existe uma crítica contra aqueles que dizendo proferir a justiça usavam seu estatuto para a adulterar e fazer um sem número de falcatruas.
      Assim sendo, a ideia de unidade que Jesus apresenta em Jo 10: 33-38 só pode ser interpretada quando as obras realizadas por Jesus expressam a presença de Deus. E aí também se encontra a crítica aos sacerdotes, fariseus e doutores da lei que usavam seu estatuto para oprimir o povo em benefício próprio e colocar u véu sobre a revelação divina.
      Nota: ainda hoje ocorre esta situação pagã entre as diversas igrejas cristãs e aquelas outras que dizem crer no mesmo Deus.

      Em conclusão, a Trindade não é a expressão de um triteísmo, mas do Uno. Jesus inaugura seu magistério na Galileia com a seguinte passagem de Isaías:
      “Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galileia. E a sua fama divulgou-se por toda a região.
      Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
      Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
      Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito {61,1s.}:
      O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
      para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
      E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
      Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.”
      Lc. 4: 14-21
      Em conclusão, balio, o Pai, o Filho e o Espírito Santo indicam-nos a Unidade pela Obra que o Pai realiza em e através de seu Filho. É este poder de filiação divina, isto é, de se ser filho no Filho, que Jesus também confere em seu ministério e magistério, exortando todos e cada um a deixarem-se conduzir pela Força do Espírito Santo que é Vontade e Expressão divina que Ilumina a terra inteira (todos os homens e mulheres e, com a conversão destas, também as feministas).

      Abraço, balio. Continue esta caminhada, pois está próxima a sua conversão.

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