Ao longo da vida, assisti do camarote a quatro grandes mudanças no mundo. A primeira chegou tardiamente a Portugal, sob a forma de revolução. Na altura, não entendi quase nada, mas agora percebo que houve uma espécie de tsunami social, económico e político que trouxe o país para a normalidade contemporânea. A segunda alteração foi simbolizada pela queda do Muro de Berlim e marcou o fim da Guerra Fria. Vieram depois o 11 de Setembro de 2001, que mudou o nosso sentido de segurança física, e a grande recessão de 2008, que abalou a segurança económica, mas estes dois movimentos estavam ligados a perturbações tecnológicas mais complexas. Não parece ousado dizer que a nossa vida vai levar outra volta. Muitas mudanças podem ser boas, as duas primeiras foram-no, mas esta vai atingir uma sociedade envelhecida e habituada a certos privilégios. Não coloca ponto final numa guerra que nos podia aniquilar nem abre os costumes a novas ideias, antes vem na sequência das outras duas mudanças, a encerrar-nos um pouco mais no medo: o que se aproxima ameaça erodir a abundância, fechar os portões de algumas liberdades, promete dividir ainda mais as gerações e as classes. Os historiadores do futuro talvez olhem para os 50 anos anteriores a 2020 como uma interessante anomalia, onde por acidente estávamos nós, entretanto esquecidos.
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Luís Naves,

Há aí uma muito próxima dessa primeira que refere ter ocorrido em Portugal: o choque petrolífero de 70 que provavelmente ficaram-lhe algumas conversas na memória.
Os americanos, “acossados pelo seus credores”, em mãos com a guerra do Vietnam, astutamente criaram os petrodólares para evitar que seus credores lhes desvalorizassem a moeda e a retirassem como referência mundial, se tivessem cedido à pressão para que o dólar fosse indexado ao padrão ouro. Aliás o problema do Iraque, pós Bush pai, foi precisamente a ameaça de Saddam ao afirmar que usaria o Euro como referência para transacção do petróleo.
O século XX e a primeira década do XXI estarão na memória dos vindouros da mesma forma que esteve na nossa memória colectiva o que nos antecedeu: nada.
Quero com isto dizer que não aprendemos nada com a história e o mesmo ocorrerá a esses. Dirão somente que os sobrevivos, pelos comportamentos que apresentarão e as histórias que lhes contarão, são uns traumatizados – o mesmo que dizemos ou dissemos sobre os anteriores – e que a vida continua.
A história repete-se porque os comportamentos não evoluem e ninguém quer viver pelas experiências dos outros.
Nada de novo debaixo do Sol.
Porém é uma excelente reflexão.
Informe-se sobre o valor de todo o petróleo no comércio mundial na altura ou hoje em vez de trazer os habituais lugares comuns.
E depois a % do Iraque…
lucklucky
Pois, na altura a chantagem foi mesmo o petróleo e sem lugar-comum porque todos sentiram a crise. E os petrodólares uma realidade.
Nos anos 80 em Portugal várias moedas serviam para se transaccionar no mercado negro, mas o dólar mantinha-se a referência para as mais diversas actividades. E sei o que escrevo.
Comparar o preço em situações diversas é fazer disto um lugar-comum para justificar um não sei quê. Talvez a agressão dos erquerdistas lá do outro lado da muralha ou cortina.
Quanto ao Iraque e %. A questão não se coloca nas percentagens , mas sim no que ele poderia fazer com o petróleo, ganhando a % que lhe fosse possível, e com indexação ao euro. Aliás, anteriormente a isso existiu uma razão para se patrocinar a guerra Iraque/Irão. Sabe ou não sabe?
O presente é já tanto que não me apetece pensar em futuro. É um dia de cada vez como os AA.
Seria interessante verificar qual tem sido a estratégia dos vírus ao longo da história dos animais na terra. Não deve ter sido muito diferente da de agora 😉
Gosto deste todo que há em cada fragmento.