«Portugal está em estado de guerra contra o coronavírus. Este não é um tempo de avaliação política, não é um tempo de debate entre partidos. Este é o tempo para todos nos unirmos. Temos de apoiar de forma clara e inequívoca todas as medidas difíceis que forem anunciadas pelo Governo para darmos a resposta necessária perante um desafio sem precedentes na nossa história colectiva.»
Eis um exemplo concreto da importância de falar claro em política, assumindo-a como serviço público – esta intervenção de Ricardo Baptista Leite, deputado do PSD, há dias, na Assembleia da República.
Oiçam do princípio ao fim. Nestes cinco minutos, é dito tudo quanto há de fundamental sobre a emergência sanitária que tem vindo a assombrar o mundo e que mudou por completo as nossas vidas. Com a vantagem acrescida de serem palavras proferidas por um médico, que bem conhece por dentro o que se passa nos hospitais portugueses.
Palavras que devemos gravar na memória. E que mesmo em tempos melhores não deveremos esquecer.

O governo decretou que estão suspensas as consultas de estomatologia, a não ser em situação de vida ou de morte. Se um paciente tiver um abcesso deve dirigir-se ao hospital porque o médico estomatologista não o vai receber em seu consultório.
Em situação de vida ou de morte ninguém vai a um consultório de estomatologia, mas de charola para o hospital mais próximo.
A infecção em um dente não tratado pode ter como efeito complicações respiratórias e até mesmo de outros órgãos, em qualquer indivíduo e em particular em idosos – sim, existem idosos com dentes – e outros com diversas patologias.
O melhor seria manter os consultórios abertos com observações e tratamentos de um máximo de 10 visitas diárias, com interrupção de 24H00 para desinfecção do local e retoma da actividade após as 24H00.
Seria o médico estomatologista – um estomatologista não é um arranca-dentes, é também médico -, de acordo com os registos existentes de seus pacientes e a condição que possam apresentar ao momento, a definir o critério de chamada.
O discurso é belo, mas a racionalidade com que se está a lidar com o problema está longe de ser racional.
Falar claro, sem comer as sílabas.
Olhando para o muito se tem dito sobre a actual situação, este discurso fez a diferença. Houve um antes e um depois.
Infelizmente poderemos dizer que se o mesmo tivesse dito dois dias antes, algumas vidas seriam poupadas. Pode cobrar-se isso a um deputado da oposição?
Isto é um caminho que tem de ser percorrido com cuidado. Dar um “apoio claro e inequívoco” agora não pode ser um expediente para se escusarem, depois, a criticarem aquilo que deve ser criticado sobre as medidas tomadas. Nem pode ser, e isto é ainda mais importante, uma desculpa para evitarem o julgamento das opções políticas dos últimos cinco anos que levaram a um SNS que ficou aflito logo às primeiras vagas do vírus. E apoiar “clara e inequivocamente” o governo não pode fazer esquecer que, ainda há pouco mais de um mês, uma ministra deste mesmo governo dizia a quem a quisesse ouvir que “o coronavírus até pode ter consequências bastante positivas para as exportações portuguesas do sector agroalimentar para os mercados asiáticos”.
Pouca sorte que este não é o ministro da saúde.
Daqui a uns dias o Novo Banco vai pedir cerca de um milhar de milhões de euros. Um ventilador custa 20 mil euros. Veremos o que vai acontecer.
Asneira completa.
Agora querem acabar com o debate, a critica e a opinião. Não admira que venha da muleta PSD.
Unanimismo.
lucklucky
Quando isto aparecer por cá não se pode discutir?
Among the measures introduced in France to deal with the coronavirus is a requirement to fill in a form before going out for a walk.
No, really, this is not a joke. As part of the lockdown it is necessary, before leaving the house, to complete and sign a download from the Ministry of the Interior. Name, address, what you think you’re doing and so on.
This is not filed with anyone, nor registered. It must simply be carried during the errand. Absence, if caught, will lead to a €135 fine. A new form is required for every exit from the house. And yes, there’s a box to tick for “aux besoins des animaux de compagnie” which my memories of exchange visits have as “for the needs of our furry friends”.
The solution to a global pandemic is a form for walking the dog. Of course, it is easy to mock the French but there is an important point here, for this is an example of a pernicious worldview. That we, the people, are only able to cope if we are told what to do, what we may do. All must be decided and enforced by the clever people in power and nothing left to ordinary folks to get on with.
Our own tradition is vehemently different. I have surprised people in a number of countries by pointing out that a British policeman isn’t actually allowed to ask — or at least not to insist upon knowing — what it is that you are doing. If accosted, a cheery “Going about my lawful business, constable” is all that is required. Such liberties might not apply in moments of crisis but they are indicative of a different manner of thinking.
A similar restriction is being applied in Italy, according to The Local.it:
Now that justification is required simply to be on the street, you’ll need to have a copy ready as soon as you leave the house.
If you have access to a printer, you can download the form here.
Ther’s also now an application able to generate an electronic version of the ‘autocertificazione’ form as many times as needed, to keep handy on your phone with a digital signature.
Police at checkpoints (such as those at train stations) should also have a stack of paper forms available, and you can ask to take a few.
But what if you do not have access to the internet?
Alternatively you can copy out the whole thing by hand: make sure to write everything exactly as it appears on the form, in full.
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lucklucky
Como diria o outro: falam, falam e nunca os ouço dizer nada.
Das Companhias de Seguros nem uma palavrinha, coitados com esta avalanche de vencimentos dos seguros de vida, sempre quero ver quem lhes acode.