Tornou-se moda dizer que isto ou aquilo equivale a fascismo ou nazismo. Aplica-se a acusação a presidentes e deputados escolhidos em eleições livres, dirigentes partidários menores, comentadores de tuítes, enfim, a quem não tiver sólidas credenciais para se proclamar moralmente superior a tudo o resto. As pessoas que se dedicam a este exercício de ignorância estão na realidade a negar a história e a desculpar as ditaduras. Julgam prevenir o mal, mas banalizam o horror. Se o CDS é nazi, então o nazismo não pode ter sido assim tão mau; se Donald Trump, Salvini ou Bolsonaro são fascistas, Mussolini está desculpado. Acima de tudo, isto impede-nos de discutir as questões do nosso tempo. A relativização do antissemitismo ou do Holocausto, as comparações absurdas com épocas diferentes da nossa, a equivalência racional entre ideias banais e ideias genocidas ou ainda a crença não democrática de que os eleitores podem e devem ser ignorados, tudo isto vai além da tese estúpida para entrar nos territórios do perigosamente estúpido.
16
Luís Naves,

Muito bom. O post com maior sentido de oportunidade aqui escrito.
Cheguei à conclusão que estas comparações vêm de pessoas que apesar de se acharem muito eruditas, revelam uma tremenda ignorância histórica e social.
Comparar trump, bolsonaro, ventura, ou le pen a um mussolini, ou hitler, é demonstrar que não se tem qualquer conhecimento do passado. São pessoas que falam porque ouviram dizer, são pessoas que têm preguiça até, de ler os manifestos e programas destes políticos, de forma a conhecerem-nos melhor.
E com isto, de facto, descredibilizam a história, desrespeitam milhões de pessoas que sofreram nas mãos dessas personagens.
Estamos numa sociedade em se fala para se ficar bem, para aparecer, para ter protagonismo. É só ver a quantidade de entendidos que à 20 anos se recusavam a entrar pelos caminhos de esquerda e agora parecem papagaios das joacines, das Mortáguas, ou dos louçãs.
E são-no porque perceberam que só o sendo é que mantêm os lugares nos programas de televisão e as colunas nos jornais. Aderiram ao sistema de censura encapotada e influência de massas, para garantir mais uns euros ao fim do mês. Isto está de tal maneira que em programas de debate e de informação, com 3 ou 4 comentadores, todos vestem a mesma camisola. Privam o espetador de um conhecimento das causas, abrangendo os diferentes prismas, diferentes opiniões, ou diferentes pontos de vista. Desse modo influenciam o espetador a comer aquilo que se lhes dá. E ele lá fica na ignorância, até ter oportunidade de ir às redes sociais informar-se sobre outras opiniões.
Tudo o que é direita é fascismo, tudo o que é esquerda é humano. Uns são bons, outros são maus. Deve andar o Adolf a dar voltas no túmulo, por o compararem ao donald, ou ao Jair.
Em Portugal é impossível discutir opiniões. Quem as tem diferentes é logo rotulado de ignorante, analfabeto, escumalha e medíocre. Chega-se ao ponto de o comum cidadão até recear dar a sua opinião sincera, pois será injuriado do pior.
Nos EUA aconteceu isto mesmo. E fizeram-se sondagens que resultaram em erros enormes. Porquê? Porque os questionados nem coragem tinham de dar a sua opinião sincera, sob pena de total exclusão e marginalização. Acabaram por dar a sua opinião sincera no sigilo da mesa de voto… e lá ganhou o Donald, para surpresa geral.
Ainda bem que sabe do que está a falar, devia ter lido em algures ou contaram-lhe, a não ser que tenha 90 anos. Mas pelo ‘espetador’ não parece.
Bem, se um dia quiser fazer carreira como detetive, esqueça. Não tem jeito nenhum para isso.
Não tenho 90 anos, tenho metade, por acaso.
E há 20 anos já tinha acabado o curso à 3 e trabalhava à 8.
É o que dá fazer pela vida, em vez de andar a chular os papás e a bater recordes de matrículas na faculdade, e mais preocupados em ir fumar umas ganzas na festa do avante.
Por isso há 20 anos lia algo mais que o blitz e via algo mais que o big brother.
De repente lembrei-me de uma rábula do Gato Fedorento em que eles diziam.
“O Sr. árbitro foi extremamente incorreto. Ai pois foi!”
E ainda dizem que o politicamente correto é uma coisa de esquerda.
A direita também tem palavras tabu, e razões farsolas para não as usar.
Nas últimas décadas instalou-se no poder e no proveito uma mentalidade muito cor de rosa, radicalmente amiga dos animais, do ambiente e do clima, aniquiladora dos valores e dos princípios ancestrais e promotora do relativismo absoluto, cúmplice e beneficiária da corrupção generalizada.
Trata todos aqueles que reagem a tal situação com maior intolerância que a de qualquer dos ismos que arremessam.
É gente muito perigosa, porque imbuída do espírito proselitista de velhos cruzados.
Comportam-se como missionários de uma nova religião.
E queimam qualquer um na inqusição do politicamente correto.
João de Brito
Estou de acordo, no essencial, mas sinceramente acho que não devíamos subestimar Trump ou Bolsonaro. Se lhes dessem rédea solta, eles podiam mesmo tornar-se perigosos. Esperemos que o sistema democrático aguente…
Verdadeiramente aberrante achei eu, por exemplo, a comparação de Merkel com Hitler, nos tempos da crise. Isso, sim, foi uma falta de respeito pelas vítimas do nazismo. Além disso, penso que hoje, armar-se em vítima de censura é uma falta de respeito por todos aqueles que sofreram com a PIDE.
«A relativização do antissemitismo ou do Holocausto» – sim, muito, muito grave.
E a relativização de Hroshima e Nagasaki e Dresden… não é grave?
Não nos devemos esquecer nunca que a História é sempre escrita pelos vencedores.
João de Brito
Claro que é grave. O facto de dizer que algo é grave, não significa que outras coisas não o sejam.
Seria difícil fazer uma lista de todas as relativizações graves que existem, ou que eu conheça.
A História é sempre escrita pelos vencedores – para grande pena minha.
«Não há História verdadeira sem a versão dos vencidos. Que a História também dos fracos reze!»
Não costumo entrar em diálogo, porque entendo que um blogue não é um chat.
Abro uma exceção, porque, neste caso, as ideias fluem claras e distintas, como diria Descartes.
Para dizer que o problema está no facto evidente de que as relativizações que habitualmente circulam por todo o lado são sempre do mesmo lado (a repetição é consciente).
Desculpe a insistência.
E tenha uma boa tarde!
João de Brito
Boa noite , cara Cristina Torrão , estou um pouco desapontada consigo , gosto de ler o que escreve .
Mas o que escreve sobre Trump e Bolsonaro não parece correcto , José Mendonça escreveu um post sobre Trump no Blog Corta Fitas , aconselho a ler , já sobre Bolsonaro , num ano conseguiu reduzir em +— 25% o numero de homicídios no Brasil, além de conseguir que a economia tenha voltado crescer com alguma consistência .
Luís Almeida
Totalmente de acordo, Trump ou Bolsonaro são perigosos, o Nazismo e o Fascismo não ganharam força de um dia para o outro.
Comparar Merkel com Hitler é ignorância pura.
Hilariante, quem é que quer controlar, corporativizar em raças, sexos, a vida dos outros ?
Quem quer acabar com a prova na lei?
Quem quer acabar com a presunção de inocência?
Quem quer acabar com a liberdade de expressão?
Quem se arroga de poder controlar o clima?
São vocês que se gostam de apresentar como moderados, mas na verdade extremistas. Podemos dizer Extremistas do Centro.
E sim podemos começar com a Merkel, depois podemos ir à Comissária Europeia mais uma radical extremista do centro.
Ao pé destes Trump e Bolsonaro não nos chateiam.
lucklucky