Esta é já, para mim, a frase do ano. Foi proferida por um dos 33 mineiros libertados por um prodígio de tecnologia após 69 dias de cárcere imprevisto 700 metros abaixo de terra. “Estuve con Dios y estuve con el diablo. Me pelearon y ganó Dios, me agarré de la mejor mano.” É esta a frase, proferida pelo extrovertido Mario Sepúlveda, o segundo mineiro que regressou à superfície naquele já inesquecível 14 de Outubro, o primeiro de dois dias que fez colar mil milhões de pessoas aos ecrãs televisivos em todo o mundo. “La mejor mano” possibilitou que esta história, ao contrário de quase todas que nos vão chegando ao domicílio, tivesse um final feliz. Mais emocionante, mais empolgante, mais cheia de imprevistos e com muito melhor elenco do que a esmagadora maioria da ficção televisiva e dos reality shows que se produz actualmente. Foi uma espécie de fim de ciclo, completando a aventura espacial de há 40 anos. Nessa altura, o homem aventurou-se em direcção a outro planeta; agora desce às entranhas da Terra, como as personagens de Verne, e regressa para relatar o que viu.
Heróis do nosso tempo, estes mineiros: vamos ouvir falar deles através dos anos. A operação de resgate que os devolveu à luz do dia resgatou-nos também, de algum modo, o orgulho pela espécie humana, tão abalado tem andado por estes dias.

por algum tempo a humanidade lembrou-se que é uma humanidade. Infelizmente aqueles dias de união vão desaparecer no egoísmo deste mundo.
Infelizmente, o mais certo é que as coisas se passem mesmo assim.
Maravilhoso episódio da nossa história, bem lembrado neste blog. Parabens.
Obrigado.
A adversidade une os homens e torna-os conscientes da sua verdadeira dimensão.
A adversidade une os homens, é certo. Às vezes só mesmo a adversidade (n)os une.
Será difícil suplantar esta frase.
Mais a mais, no contexto em que foi proferida.
Frase do ano, para mim. Candidata a frase da década.
O Pedro Correia, que nalguns posts diz coisas originais e inteligentes, noutros posts, como neste, expele umas vulgaridades que chegam a ser confrangedoras.
Já do Luís Lavoura nunca é de esperar que “expila vulgaridades”, apenas pensamentos profundos como a mina chilena e originais como a cápsula que os resgatou.
Mas… e não foi a mão de Deus que fez cair a mina em cima deles 69 dias antes? Ou Deus, naquela hora, tinha a mão ocupada a coçar qualquer coisa?
Note que eu não tenho nada contra Deus. Apenas me faz confusão a omnipotência ausente.
(E poupo-lhe uma viagem ao Designorado: não posto nada há meses. Muito menos sobre religião)