Voxelência, com vénia, costa da mão sobre os rins e espirais desenhadas com o indicador


Paulo Sousa,

Mais do que um sítio de respeito, Portugal é o país do “respeitinho”.

António Costa, inquirido pelos jornalistas pela falta de diálogo com o Presidente da Câmara Carlos Moedas, durante as cheias dos últimos dias, fugiu ao assunto. À saída da sala, talvez julgando que os gravadores já estivessem desligados, mandou a boca “Posso-lhe perguntar porque é que ele não me contactou a mim, que tive a casa inundada”.

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Pode parecer um inocente dislate, mas mostra bem em que mundo é que estes alegados defensores dos princípios republicanos, funcionam. Trata-se de gente de outra condição, como se de uma aristocracia do antigo regime se tratasse, que merece a deferência do tratamento excepcional e mesmo durante uma chamada telefónica, a vénia ou a continência, ou ambas, caem sempre bem.

Ontem postei sobre a arrogância de António Costa, hoje é sobre a sua sobranceria. Ele recomenda que nos habituemos a isto, mas isto é um indicador de insalubridade democrática. E até de falta de educação.

17 comentários em “Voxelência, com vénia, costa da mão sobre os rins e espirais desenhadas com o indicador”

    1. A capacidade de perdoar será directamente proporcional com proximidade do topo da pirâmide da máquina socialista, sendo que o contrário também é válido. Prova tudo isso na sua frase.

    2. Certamente que, apesar do que disse acima, aplaudirá o “mea culpa” posterior do seu PM. Ele estava cansado, e até se entende, herrar é umano e temos de o aplaudir. Sempre aplaudir. Até à falência final.

  1. O facto é que ninguém tem nada que contactar ninguém, nem ninguém tem nada que perguntar se contactou ou deixou de contactar.
    António Costa não tem nenhuma obrigação de telefonar a Carlos Moedas, nem este último tem qualquer obrigação de telefonar a António Costa.
    Nem os jornalistas têm nada que andar a indagar a quem é que cada um deles telefona.

    1. Ora essa, então os jornalistas não podem fazer perguntas ao PM? Devem com o seu silêncio evitar que ele mostre a sua arrogância e a sua falta de educação?

      1. os jornalistas não podem fazer perguntas ao PM?

        Poder, podem, mas é claro que o PM tem todo o direito de não responder a tais perguntas de treta.

        Pois se ninguém tem obrigação de falar com ninguém, é perfeitamente espúrio perguntar se falou.

        1. A pergunta dos jornalistas é obviamente legítima, já que “a desastre” Vieira da Silva fez questão de passar à volta de Lisboa: visitou Oeiras e Loures – mudei de canal antes de verificar se repetiu a fórmula “vai ficar melhor do que estava” – pelo que os jornalistas pretendiam saber se teria havido contacto de outro membro do governo com o presidente da câmara da capital, igualmente devastada pela intempérie.

          Parece óbvio que não pois que, para os lados do Rato, o Moedas é sal na ferida da capital, daí a fita do petulante PM. Mas o malcriado já veio dizer que afinal estava com a birra do sono… andam eles (andamos nós) a pagar agências de comunicação para isto.

          Mas menos mal: a prepotência, sobranceria e arrogância da personagem ficaram a descoberto para todos, excepto para os que não querem ver.

  2. Dizia um treinador de futebol há anos: “um vintém é um vintém e um cretino é um cretino”. E há ainda mais anos, o dono de uma papelaria aqui no Seixal dizia que “isto há coisas que já nascem com a pessoa”.

  3. Aos grosseiros deve deixar-se lhes liberdade de traduzirem a grosseria em palavras.
    Não só lhes é indispensável factor de equilíbrio como se evitam males maiores.

  4. Foi sempre assim desde o início da sua carreira política: arrogância e incompetência. Porque é que só agora é que repararam?

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