
O progresso. Se há palavra malbaratada, desvirtuada, pervertida, vilipendiada é a palavra progresso – sempre pronta a ser usada e abusada por todos os vendedores de ilusões. Alguns dos maiores torcionários de que há memória usaram-na em discursos e até em livros. Em nome do progresso, matou-se e torturou-se. Sob a bandeira do progresso, o homem é constantemente empurrado com excessiva frequência de regresso às cavernas. Invoca-se o progresso como se fosse um dogma, pratica-se o retrocesso como se fosse inevitável.
Nada há de tão perverso na política como esta novilíngua destinada a iludir as mais legítimas aspirações dos povos. Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional e símbolo de um futuro radioso. «O verbo “guilhotinar”, notai, não se pode conjugar no passado. Não se diz: “Fui guilhotinado”.»
Palavras proferidas na véspera da sua morte, a 5 de Abril de 1794: foi vítima da guilhotina, na sequência de uma conspiração liderada por Saint-Just, que costumava proclamar: «Ninguém pode governar inocentemente.» Provavelmente tinha razão: o próprio Saint-Just – apelidado de Anjo da Morte – viria a ser executado a 28 de Julho (10 do Thermidor do ano II, segundo o calendário revolucionário), com apenas 26 anos, acusado de “inimigo do povo”. Com ele morria Robespierre – outro protagonista dos alvores da Revolução Francesa, outra vítima crepuscular da guilhotina.
De nada valera a Saint-Just o brilhantismo das suas intervenções enquanto mais jovem deputado eleito para a Convenção Nacional, em 1792, com a ardente apologia da revolução permanente. «Àqueles que o povo (não o voto, porque o voto é um acto de Estado, de subserviência) derruba, não devem ser conferidos quaisquer direitos», proclamou, entre apelos à execução sumária de Luís XVI, o monarca deposto três anos antes. Sem imaginar que viria a ser vítima da sua própria oratória, tão implacável, tão intransigente, tão incendiária.
Foi a primeira revolução de grande envergadura a devorar vários dos seus filhos – e esteve muito longe de ser a última. Nenhum discurso inflamado por cartilhas partidárias é capaz de atingir os abismos que moldam e condicionam a natureza humana.
Imagem.
Execução de Saint-Just e Robespierre, em 28 de Julho de 1794 (10 do Thermidor): a Revolução Francesa devorando os seus filhos

eu chovo, tu choves, ele chove …
o homem nunca saiu das cavernas pulmonares
« já disse um home
que foi toureiro afamado
mais maradas dá a fome … »
Maradas?
marradas
Agora percebi melhor.
Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional
E é mesmo. Basta comparar a decapitação por guilhotina com o método anterior – a deapitação à machadada.
Ele experimentou essa “conquista civilizacional”. Infelizmente para ele, não teve oportunidade de relatar o benefício da conquista após a instrutiva experiência.
Trata-se de uma conquista civilizacional para o carrasco, que na guilhotina somente tem que largar a corda que impede a lâmina de cair – nem sequer precisa de olhar para a vítima. Para a vítima não há, evidentemente, conquista civilizacional nenhuma.
Foi no mesmo espírito que os nazis decidiram matar as suas vítimas usando gás venenoso. Anteriormente abatiam-nos a tiro, mas esse método era penoso e traumatizante para os carrascos.
Você daria um excelente dirigente sindical.
Como presidente do Sindicato dos Carrascos.
Eu achava que o Delito de Opinião era burguês. Enganei-me. É feudalista mesmo. Viva a República!
Se achavas mas já não achas é porque te falta vocação para detective.
Todos aqueles que são contra o progresso deviam fazer um exame à próstata, mulheres e tudo para não haver discriminações.
Os homens deveriam, ademais, fazer uma contagem ao número de espermatozóides. Tem havido um retrocesso constante nesse número.
Não se esqueça também do exame à próstata. Para o Carlos Sousa não ficar inquieto.
Não se esqueça também da contagem dos espermatozóides. Para o balio não ficar inquieto.
Os que são contra o progresso não têm espermatozóides têm espermatossáurios.
Nesta caixa de comentários até fazem bicha, os especialistas em espermatozóides.