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Leio que neste cerimonial contestatário também a estátua de Voltaire foi atacada, devido a que o filósofo investiu, in illo tempore, na Companhia das Índias francesa e até aceitou que baptizassem um navio com o seu nome. Encolhi os ombros mas, de facto, fiquei a remoer o assunto. E noto-o pois no dia seguinte a ter sabido do acontecido de súbito lembrei-me que Lowry escreveu sobre um navio chamado Diderot. “Onde?“, resmunguei … Não me pareceu que fosse no Vulcão, e ainda por cima não o tenho comigo, pois levei-o para o confinamento para releitura – houve um tempo, não tão benfazejo assim, em que ele me foi Bíblia, felizmente amadureci e nisso tornou-se-me um Livro de São Cipriano – e por lá ficou neste meu interregno lisboeta.
Vasculhei as estantes e encontro-a, a tal navegação no Diderot “foi” naquele naco Através do Canal do Panamá (tradução da excelsa Ana Hatherly). E é extraordinário o início, logo na terceira página um monumento de profecia, tudo resumindo de tudo isto, tudo demonstrando sobre toda esta gente:
” … as fúrias em mercês. A sensação inenarrável inconcebivelmente desolada de não ter o direito de estar onde se está; as vagas da inesgotável angústia perseguidas pelo insaciável albatroz do eu. Há um albatroz, de facto.“
Moles perseguidas pelo insaciável albatroz do … nós. Do seu “nós”, apenas isso, que julgam injustificado. Acima de tudo cada um incapaz de encarar o seu próprio albatroz, assim querendo exorcizá-lo nesta pantomina. Histriónica, que todos julgam poder sossegar-lhes esta desolação. Pobre crendice.

Terei que queimar o candido e o tratado da tolerância? É só para saber! Cumprimentos
Palpita-me que os tinhosos dos agressores de estátuas não os teriam no sítio para agredir as pessoas que as figuras representam.
E nem sequer têm estofo para um dia terem uma estátua em sua homenagem. Nesse caso o acerto de contas ficaria, como fica frequentemente, por conta da história.