Vitória de Seguro por K.O.


Luís Menezes Leitão,

 

 

Com grande surpresa minha, António José Seguro esmagou completamente António Costa. Não apenas pôs a nu todas as suas contradições passadas como também demonstrou que ele não tem qualquer solução concreta para a actual crise no país. António Costa limita-se a papaguear que tem uma agenda para a década, mas não é sequer capaz de responder qual a política fiscal que defende, o que é confrangedor num candidato a primeiro-ministro. Pelo contrário, António José Seguro entrou a matar, acusando o seu adversário de traição, e mostrou-se muito mais bem preparado em todas as questões, encostando sempre o seu adversário às cordas. Acho que os debates não vão alterar a tendência existente a favor de Costa, mas é evidente que Seguro vai vender cara a derrota. Mas, ao contrário do que se pensava, o PSD até pode ficar com a vida mais facilitada com António Costa na liderança do PS do que com António José Seguro. Na verdade, se António Costa é esmagado desta forma por António José Seguro, imagine-se se o seu interlocutor no debate fosse Passos Coelho.

8 comentários em “Vitória de Seguro por K.O.”

  1. Concordo em geral com o que diz, mas na tv estão a falar uns tipos que viram um filme diferente.
    Esse é o maior espanto!
    Isso é o que aqui já disse, sobe Passos: pelos seus «jeitos» e personalidade, não faz grandes discursos, mas é bom nos debates políticos.

  2. Achei piada a o TóLuís pretender sempre que o TóZé respondesse às questões que lhe punha mas fugir sistematicamente às perguntas que o TóZé lhe fazia.

  3. E eu vejo, muito agradado, que o Luís Leitão compreende agora o que eu pretendia dizer quando, primeiro como “anónimo” e depois como “Vento”, de há dois anos a esta parte afirmei (também num seu post) que “Seguro surpreenderia pela positiva”.

    Garanto-lhe que virão mais surpresas. Há traços de personalidade e postura que se descortinam de muitos modos, e a evolução desses mesmos traços também podem ser antecipadamente lidos. Isto não é uma fórmula matemática, é uma leitura que pode ser feita sem que haja uma regra que a explique e demostre.

  4. A última frase revela a atribuição de créditos que Passos Coelho não tem, nem merece. Pelo contrário, fartou-se de prometer aquilo que depois não cumpriu. Daí que AC é muito mais coerente com a postura de um político coerente e responsável – o que ficou demonstrado no debate – do que PC e AJS.
    Qualquer pessoa que tenha experiência governativa (seja de uma câmara, de um organismo, etc) sabe, de antemão, que há coisas que não podem ser prometidas antecipadamente pela simples razão de que há sempre, para quem está na oposição, imponderáveis. Ou seja, por mais competente que o líder da oposição seja, por mais estudo que dedique aos dossiers, nunca tem os dados todos e nunca está devidamente na posse de todas as informações que lhes permita fazer futurologia.
    E é precisamente isso que abomino nos políticos. Enquanto na oposição, prometem tudo e mais alguma coisa. Uma vez no governo, esquecem-se do que prometeram ou, então, lá vêm com as falsas desculpas do costume.
    Ora, considere muito mais honrada e correcta a atitude de prudência, do que as promessas da banha da cobra.
    Uma coisa ficámos a saber: AJS, se for eleito primeiro ministro, não aumenta impostos ou demitir-se-á!!! Há declaração mais demagógica do que esta? Alguém acredita que se tiver de aumentar impostos, não o fará e apresenta a demissão? Entendo o desespero e a necessidade de pôr a fasquia a esse nível.

  5. Por uma vez estamos de acordo, o Costa levou uma grande tareia. O debate em si foi fraco, porque os debatentes são fracos. Mas o pior da noite foram os comentários nos três canais: fora raras excepções, estavam todos cheios de azia porque viram a estrela deles ser sovada pelo “fraquinho” Tozé. O mais chateado de todos era o Marques Lopes.

  6. Com esta é que tu me partiste todo: “mas não é sequer capaz de responder qual a política fiscal que defende, o que é confrangedor num candidato a primeiro-ministro.”

    Tipo, preferias que dissesse: eu prometo que não vou aumentar impostos… haja paciência!

  7. «Com grande surpresa minha, António José Seguro esmagou completamente António Costa. Não apenas pôs a nu todas as suas contradições passadas como também demonstrou que ele não tem qualquer solução concreta para a actual crise no país.»

    Ficou surpreendido porquê?
    O Costa tem boa imprensa. O Costa tem carisma. O Costa tem voz de barítono… O O Costa não tem propostas. O Costa não tem substrato. Costa foi o n.º 2 do Sócrates.
    Não sabia disto?

  8. «Na verdade, se António Costa é esmagado desta forma por António José Seguro, imagine-se se o seu interlocutor no debate fosse Passos Coelho.»

    E então?
    O Coelho tinha boa imprensa. O Coelho tinha carisma. O Coelho tinha (e tem) voz de barítono… O Coelho não cumpriu as propostas. O Coelho não tem substrato. O Costa é mais mentiroso do que o Sócrates. O Coelho não tem um discurso básico e vazio como o do Cavácuo, mas é tão chato e diz frases tão compridas e desligadas que quando acaba de falar já ninguém se lembra do que começou a dizer.

    Será possível o Seguro, que anda na política há trinta anos e é líder do PS há três, ainda conseguir surpreender as pessoas?

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