A página 23 do Público de hoje não devia ter existido. Aquela página não devia ter passado para a tipografia. Saber que quase 700 pessoas foram enforcadas no Irão desde o início do ano já de si é uma notícia tristíssima, que não devia ter existido. Não porque existindo não tivesse de ser dada, ou porque devesse ser censurada. Nada disso. Mas porque é uma vergonha para a nossa espécie. É uma vergonha para as Nações Unidas e uma vergonha para a causa dos direitos humanos saber que ainda há tanta gente que é enforcada no século XXI. Lê-la ilustrada com uma fotografia colorida onde estão pendurados pelo pescoço outros seres como nós é ultrajante. A foto do Público é de uma violência inaudita e em nada contribui para melhorar a situação dos direitos humanos ou a informação dos leitores. E acontece no mesmo número do jornal em que se lembra o Prémio Mandela e se entrevista Jorge Sampaio. Eu sou leitor do Público e gosto de ler o Público. Só que a foto do Público que ilustra a notícia não devia ter sido publicada. A foto do Público é um mau serviço ao jornalismo e aos leitores. A foto humilha os próprios desgraçados. A violência existe, é lamentável. Não tem é que ser promovida. Já basta a simples notícia. O Público devia pedir desculpa aos seus leitores pela foto que publicou esta manhã. Aqui não será reproduzida.
Violência gratuita
Sérgio de Almeida Correia,

Discordo!
700 enforcamentos até Julho deste ano quer dizer que ainda conseguiram piorar a situação que tinham em 2009 que já era péssima: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2010/0 8/pena-de-morte.html
É execrável! Olhando noutra perspectiva, observamos que na nossa realidade, não enforcam as pessoas, mas obrigam-nas a enforcarem-se porque chegaram ao fim das suas forças e já não conseguem lutar, contra a vida que as obrigam a viver e para a qual não têm forças e o único que lhes resta, é isso que tanto lamentamos. Afinal uns são enforcados, outros enforcam-se porque já nada esperam, a não ser o desespero que os conduz a isso.
«A foto do Público que ilustra a notícia não devia ter sido publicada. A foto do Público é um mau serviço ao jornalismo e aos leitores. A foto humilha os próprios desgraçados. A violência existe, é lamentável. Não tem é que ser promovida. Já basta a simples notícia. O Público devia pedir desculpa aos seus leitores pela foto que publicou esta manhã.»
A minha primeira reacção foi pensar que você estava a ser irónico… mas depois apercebi-me de que não. «O Público devia pedir desculpa»? Não, você é que devia pedir desculpa por este texto absurdo.
Nunca é de mais lembrar, mostrar, o que o regime de Teerão é capaz de fazer… e faz. Regime esse que, agora, graças a Barack Obama, foi como que «branqueado», reintroduzido no mundo civilizado… e, com as sanções suspensas, vai poder fazer (mais) comércio e ganhar (mais) dinheiro, sem, obviamente, quaisquer garantias de que acontecerá nas terras persas uma democratização, mesmo que ténue. À semelhança, aliás, do que o Sr. Hussein decidiu (e está a) fazer com Cuba. No caso iraniano, com o «bónus» adicional de que a construção e a utilização de armas nucleares não foi, efectivamente, impedida.
Há claramente um (preocupante) padrão quando os democratas estão na Casa Branca. Com Jimmy Carter os «ai-as-tolas» conquistaram o poder e criaram o maior Estado terrorista e fomentador mundial de terrorismo. Com Bill Clinton tentaram igualmente impedir a Coreia do Norte de obter a bomba atómica (alguns dos «negociadores» de então são os mesmos de agora)… e viu-se o (mau) resultado. Nada de novo, portanto. Infelizmente.
Concordo em absoluto com o que diz, e ainda há pouco tempo escrevi sobre isso, num outro assunto. Não aprecio de forma nenhuma o sensacionalismo, que quanto a mim desrespeita ainda mais a natureza humana, no final de todo o derradeiro percurso de violência. As notícias são para ser dadas, sim, mas em respeito por quem focam, não em exploração da imagem…