O Primeiro-Ministro tem todo o direito de processar o "Sol" e o "Correio da Manhã" por terem publicado as escutas que se julgavam convenientemente apagadas e longe da cobiça dos voyeuristas que usam "buracos de fechadura" para fazer jornalismo, tem todo o direito de exigir que sejam feitas averiguações para que se descubra afinal como é que de mãos fiéis e leais as conversas ditas privadas se propagaram como uma peste contagiosa pela opinião pública, tem o direito de processar Mário Crespo por calúnias, injúrias, atentado ao seu bom-nome e falsos testemunhos, tem o direito de se defender, processar, exigir que se averigúe. Mas como Primeiro-Ministro tem o dever de esclarecer os cidadãos deste país sobre o plano salazarento, despótico e abjecto de silenciar a comunicação social, correr com os inconvenientes que ousam atentar contra a sua opinião. Negá-lo, por exemplo, desmenti-lo e tranquilizar-nos a todos, restituindo ao país a dignidade de que são feitas as sociedades democráticas. Ou admiti-lo e demitir-se. São assim os homens de carácter. Até agora, silêncio.
Verticalidade
cronicasnofeminino,

fica demonstrado com o que veio à superficie, que as ultimas eleições legislativas foram uma autentica e tremendissima fraude eleitoral e mais grave ainda, tiveram a conivência do Procurador-Geral da Republica e do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça…em pleno Sec. XXI!!!?? é caso para dizer, que o Socialismo do Sec. XXI está tão vivo em Portugal com Socrates,como na Venezuela com Hugo Chavez!
como é que o Jornalismo Português, permitiu que Portugal chegasse ao ponto a que chegou!!?? incompreensivel…
Nada disso tem a ver com o meu post.
Leonor Barros
De facto o comentário anterior parece não ter a ver com o seu post. Mas tem!
Porque a comunicação social também tem, urgentemente de fazer mea culpa e recolocar a sua responsabilidade no estado das coisas. Porque toma demasiado partido, confundindo-se muitos que abraçaram a profissão por fautores do regime, porque pelo afundamento paulatino da profissão tentam-se muitos transformar – e sobreviver – em porta vozes do regime.
Bastava olhar para o sinais e para os olhos da personagem, para se verificar que o problema fundamental de Portugal não é um problema de falta de ambição ou de produtividade, é um problema de valores e carácter. E esse, anda nos inícios do milénio muito arredado do espaço público.
Não concordo. Tal como digo no post, caso haja culpas ou queixas da comunicação social há órgãos próprios ou meios a quem as possam apresentar. O que está em causa é a atitude do Primeiro-Ministro. Mesmo que a comunicação social hipoteticamente quissesse assassinar politicamente José Sócrates, nada mas rigorosamente nada justifica esta atitude de tentativa de silenciamento. Que o Primeiro-Ministro tenha atitudes como a que teve em relação a Mário Crespo, goste-se ou não dele, não é apenas lamentável, é inadmíssivel num estado de direito. Se tudo é mentira, então cabe ao Primeiro-Ministro repor a verdade. Foi muito célere no caso Freeport, agora remete-se ao silêncio. Ainda não ouvi ninguém desmentir as escutas nem o caso Mário Crespo, apenas Nuno Santos disse que não foi bem assim. Não discuto que a forma possa ser condenável, mas a questão permanece: Sócrates quis ou não controlar a comunicação social? Naturalmente esta é uma pergunta retórica.
Muito bem, Leonor.
“Negá-lo, por exemplo, desmenti-lo e tranquilizar-nos a todos, restituindo ao país a dignidade de que são feitas as sociedades democráticas.”
não percebo, como se podem negar evidencias…e como não acredito que và “admiti-lo e demitir-se”
logo o meu comentario…
Por qualquer razão, «carácter» parece-me que vem aqui muito a propósito.
E como, João.
Nem mais, Leonor. Sócrates tem todos esses direitos, mas não pode ser arrogante ao ponto de ignorar as dúvidas em que deixa um país inteiro. Que negue, que desminta, que prove que tudo isto é mentira.
Não devia mesmo, Ana. O silêncio em torno do caso leva à única conclusão possível.
Cara Ana, o que escreveu até faz algum sentido, mas não posso deixar de discordar da última ideia. Quem deve provar o que alega é quem o acusa de tentar controlar os media, não o inverso. Aliás, quando tiverem que ser os acusados a provar a sua inocencia, esta a Democracia morta e o Estado de Direito enterrado. Inverter o ónus da prova é inverter a Justiça. Custa-me, como jurista e como cidadão, ler e ouvir quem defenda isto.
Aliás, a prova da perversidade da inversao do onus da prova é a selecção da “matéria probatória”, não tendo o acusado acesso a toda a informação. Sim, porque publicar apenas uma parte da informação, como fez o Sol (aposto que fará o mesmo que a TVI com o dvd, fazer render o peixe, cozendo o PM em lume brando, quando os deveres deontologicos e a etica jornalista impunham a publicação integral!), é aproveitar a parte que interessa, manipulando assim o leitor. Se ignorarmos a (possivel) intervenção do PM disto tudo, temos uma escuta entre dois arguidos (Vara e Penedos), a que os proprios nao têm acesso, mas os jornais sim, promovendo um julgamento publico, onde os primeiros nao tem sequer acesso à prova completa (alias, o inquerito aberto pela PGR vai precisamente neste sentido, de saber porque os arguidos não tiveram acesso aos autos mas o subdirector do Sol, Assistente no processo, sim, aproveitando parte do que leu para publicar).
Muito se tem falado da tentativa de manipulação do PM em relação aos media, mas seria interessante falar-se igualmente das tentativas dos media em manipular o poder politico. Exemplos nao faltam e nao foi apenas com este PM…
Cumprimentos.
Caro Ricardo,
Percebo-o e é claro que concordo com o que defende: o ónus da prova deve ser sempre de quem acusa, e não de quem é acusado. Acontece que estamos a falar de um primeiro ministro, uma figura pública cujos actos dizem respeito a todos nós (no que toca a estes assuntos, evidentemente). A velha máxima de que à mulher de César não basta ser séria, tem também de parecê-lo, aplica-se aqui como uma luva. Se Sócrates está inocente, não deve deixar que estes rumores se transformem num ruído de fundo permanente que o prejudica e ao país inteiro, por arrasto de imagem para o exterior. O nome de Sócrates, com razão ou não, está associado a quase todos os grandes escândalos nacionais dos últimos anos. Nunca vi nada assim, nem nos tempos acesos da revolução. Se não há fogo por detrás deste fumo todo, é bom que ele o desminta categoricamente, em vez de ficar numa posição de silêncio arrogante que não melhora nada a sua imagem.
Era isto o que eu queria dizer no meu comentário anterior.
Entendido, Ana. E subscrevo tudo o que escreveu. Tambem entendo que ficar calado é a pior solução. Nem que seja um simples “é falso!”…
Só não concordo com julgamentos publicos e sentenças proferidas por quem desconhece as regras e apenas sabe parte da história, a parte que é publicada. Ha muito tempo que assumi a minha posição nesta matéria: não gosto particularmente de Sócrates, considero-o arrogante, um político que vive da imagem e da publicidade, um ilusionista, que nos vende mundos e fundos e depois faz pouco. Mas nao temos, infelizmente, alternativa melhor (talvez em breve…) e os ataques que lhe fizeram (e estão a fazer) levam-me a suspeitar das intenções dos que o perseguem. Sim, considero que é uma perseguição. Não me recordo de nenhum politico, pelo menos em Portugal (nos EUA é natural, sobretudo nos candidatos a Presidente), que tivesse sido tao escrutinado, investigado (pelos jornalistas, entenda-se, pois judicialmente nao – pelo menos até ver) e julgado na praça publica e nas manchetes dos jornais. Critico toda e qualquer interferencia da politica no jornalismo, mas não é so o poder politico que intefere neste sector, como alguns residentes aqui do DO o sabem, bem melhor do que eu. Muitos dos que criticam o actual PM de interferir nos media sao os mesmos que fizeram o mesmo no seu tempo na estação publica da televisão ou nos jornais. Moniz tem telhados de vidro do tempo da RTP e ninguem pode desmentir que JMF, no Publico, fez campanha descarada contra o actual governo e Socrates em particular. MMG era criticada dentro da propria TVI, por colegas, por dizer à boca cheia que detestava o PM e ninguem é capaz de dizer que nao fazia, tambem, campanha contra o PM.
Repito: nao gosto de Socrates, mas o que lhe estao a fazer podem fazer a mim um dia, ou a si, a todos nós, incluindo aos sucessores no cargo (como aliás, em parte, ja fizeram a Santana e considero-o o pior PM que tivemos até hoje).
Muito mais haveria aqui a dizer. Mas tenho de concluir com isto: como o Pedro ja escreveu num post mais recente, muitos dos que comentam esta questão têm aplicado um double standar, dizem uma coisa hoje e outra amanha, dependendo das suas preferencias politico-partidárias. E depois esperam ser levados a sério.
Cumprimentos.
Estamos de acordo, então. Detesto o estilo de Sócrates. Gosto de clareza e gosto de poder acreditar em quem me governa, e não sinto nenhuma das duas coisas, só isso. Mas também não sou pelos linchamentos públicos.
Ao contrário do que o post parece sugerir, as escutas ora divulgadas não são as que Noronha Nascimento mandou destruir.
Essas, tanto quanto sei – e eu sei alguma coisa disto, devo confessar… -, são muito mais graves (em todos os aspectos).
Mas lá chegará a hora.
Pior ainda.
Apetece-me aplaudir de pé este post, Leonor. De forma concisa e objectiva puseste o dedo na ferida. Subscrevo. A bem da lucidez e da higiene mental.
Faz-me alguma confusão como se misturam as coisas, Carlos. Da parte do PS, o argumento apresentado incide sobre a ilegitimidade da divulgação das escutas. Agora que foram não há ponto de retorno e o país merece um esclarecimento.
Espera sentada, Leonor.
Já estou, Pedro.
Leonor Barros
Está a ver o que eu dizia. Toma-se em Portugal a nuvem por Juno demasiado depressa, com demasiada emoção. Obviamente que o carácter e a verticalidade nem se questionam. Acerca do cidadão Sousa estamos todos conversados. Em qualquer país onde a doença medo e uma certa inconsciência não tivesse a carga que tem em Portugal, nunca o Sousa faria parte da história, assim, fará parte da má história e da nossa triste condição. O que não invalida que no mundo da comunicação social muito bicho mimético dê do jornalismo uma má imagem pública. E a agravar-se! Fenómeno que nasce com as empresas de comunicação na política, essa forma mercenária e bastarda de informação …por mediocridade, baixos salários, deficiente formação? … mas, como em tudo, a generalização é a arma dos ignorantes e quantos vezes forma e libelo da injustiça. E essa não a cometo! Agora que há muito bom “jornalista” co-responsável por acto ou omissão por esta grave infecção na nossa sociedade…
O que está em causa neste post é a verticalidade e a atitude do Primeiro-Ministro. É claro que em todas as profissões, sem excepção, há sempre incompetentes. Muitas vezes são esses que são vistos com A profissão. Sou professora, sei muitíssimo bem do que falo no que respeita a generalizações abusivas. No essencial concordamos: Sócrates deve-nos uma explicação.
mas o que é quer que se desminta ou que se confirme? que há (houve) um plano para controlar toda a comunicação social? no sec. xxi, na europa ocidental? ridículo….
Ridículo?