Desculpem, mas desta vez tive mesmo de escrever o título em maiúsculas. Estou muito revoltada.
A questão dos votos dos emigrantes é uma grande farsa, há vários anos. Começando pelo facto de cerca de 1,5 milhão de votantes elegerem apenas quatro deputados, passando pelos eleitores e pelas eleitoras que não recebem o boletim pelo correio e não haver voto presencial nas Legislativas e acabando na obrigação de voto presencial nas Presidenciais, que obriga, pelo menos, na Alemanha, pessoas a terem de fazer 400 km para irem votar.
Agora, isto:
Em 2019, não pude votar, porque tirei novo Cartão de Cidadão em Agosto e, para ficar registada no recenseamento eleitoral, têm de passar, pelo menos, sessenta dias entre a emissão do novo cartão e as respectivas eleições. Desta vez, achei-me com sorte: recebi o boletim de voto, o que infelizmente não nos está garantido. Há cerca de um mês, publicava satisfeita esta foto no facebook, com o título “já posso votar”:

Agora, ninguém me garante que o meu voto válido contou (sim, enviei fotocópia do Cartão do Cidadão, apesar de achar tal uma estupidez). O mais certo é ter sido anulado.
Mas um escândalo destas proporções fica sem consequências! Afinal, trata-se apenas de emigrantes… que enviam cerca de 300 milhões de euros todos os meses para o seu país.
É revoltante. Desmotivante.

Em qualquer outro país isto seria um escândalo. Quando mais se quer aproximar eleitos de eleitores e quando mais se apela à participação cívica das pessoas, inutilizam-se dezenas de milhares de votos de portugueses que moram longe, perderam tempo e gastaram dinheiro para votar e são afinal tratados como lixo.
Isto é inaceitável.
Mas prevejo que a polémica dure quase nada, como é hábito entre nós, e logo seja varrida para um canto qualquer.
Infelizmente, Pedro.
Vivemos em democracia há quase 50 anos e ainda não se encontrou uma maneira satisfatória de resolver esta questão.
Não foi desleixo. Essa contaminação de que fala foi feita de propósito. É uma questão de saber quem a fez (houve quem não a tenha querido fazer) e que grupo tendencial de votos foram prejudicados.
Eu tenho cá as minhas suspeitas.
foi o POLVO que nos devora
Polvo? É mais os chocos. Sem pinta.
A falta de responsabilidade para com a delicadeza da democracia e de respeito pelos eleitores vem-se repetindo nos últimos actos eleitorais. Desde umas presidenciais que coincidiram com o o arranque do actual cartão do cidadão e o fim do cartão de eleitor que impediu muitos eleitores de exercerem o seu direito na mesa habitual remetendo-os para o local de residência onde já não tinham tempo de se dirigir, até ao isolamento a que foram votados os idosos alojados em residências que por motivos de contenção de pandemia os deixou sem poder votar, até agora este envio dos votos dos não residentes para a picadora de papel.
No dia em que uma diferença entre candidaturas for muito renhida, tudo pode acontecer e vive-se com isso com a maior das frescuras.
É demasiada incompetência e irresponsabilidade, mas parece que o público está satisfeito e quer mais do mesmo.
esta cégada já não me incomoda de tão banal
principalmente porque isto não é um paísm « MAS UM LOCAL MAL FREQUENTADO», sobretudo por politiqueiros que vivem do trabalho dos contribuintes privados.
o cortejo tem a direcção de corruptos, incapazes de criar riqueza, vendedores de promessas que aumentam a dívida pública e o nº de pobres ..
SAÚDE E FRATERNIDADE..
Eu não votei nem voto ,
O voto é secreto e nestas condições não é.
Só voto se estiver em Portugal .
Espero que os meus compatriotas no estrangeiro façam igual.
Abaixo a trafulhice !!
kika, o que aconteceu prova que o voto é secreto. Os votos de quem enviou a fotocópia foram misturados com votos de quem não enviou e já ninguém pôde distinguir uns dos outros.
Se a Cristina o diz é porque está mais esclarecida que eu.
Mas não obstante, só voto em Portugal.
Queira desculpar, tudo isto não me inspira nada de bom.
Isto é inenarrável
Se isto fosse um país a sério as eleições eram repetidas.
Como eu te compreendo. Bater mais fundo nesta matéria seria impossível.
A sua indignação é totalmente justificada. É uma vergonha que isto fique sem consequências. Mas a verdade é que somos um povo manso, e os inúmeros atropelos à nossa dignidade enquanto cidadãos têm ficado impunes.
recebi o boletim de voto, o que infelizmente não nos está garantido
As autoridades argumentam que, se alguns emigrantes não recebem o seu boletim de voto, isso se deve a estarem registados numa morada diferente daquela que efetivamente ocupam.
Não duvido que essa justificação tenha muito de verdadeira. Há montes de portugueses, tanto em Portugal como no estrangeiro, que mudam de residência sem darem conhecimento desse facto às autoridades portuguesas.
Sim, há muita gente que não actualiza a sua morada. Mas já ouvi queixas de quem tem tudo em ordem e, mesmo assim, não recebe. E o jtp publicou um postal mais acima, onde cita dois casos destes.
Os que não recebem são os que provavelmente
não estão inscritos no consulado.
Aqui onde vivo é obrigatório mudar a morada no controle dos
habitantes ,nos correios e em todos os documentos.
Como é tudo tão bem organizado , essa hipótese é impossível
neste país. Nos outros países desconheço o funcionamento.
O sistema de voto por correspondência é pouco fiel. Complicado oneroso. Em termos de segurança, com ou sem cartão de cidadão, nada garante que foi aquele cidadão que colocou a cruz….
O sistema francês organiza mesas de voto no estrangeiro e nos locais (variados, supervisionados por autoridades e representantes dos candidatos) em que justificadamente exite maior concentração de expatriados franceses recenceados. Em Lisboa, na Embaixada, no dia das eleições em França acotovelam-se e confratinizam os franceses em tempo de votar “em França”.
Será muito difícil copiar este sistema?.
É de facto oneroso, mas não penso que seja pouco fiel. O voto por correspondência existe em todas as eleições alemãs, mesmo para quem vive no país. Basta declarar que não vai estar no local de residência no dia das eleições (por férias, por exemplo, ou por outro motivo, nem é preciso dá-lo, de maneira que até pessoas que vão estar em casa o podem fazer). E há tanta gente a requisitar este tipo de voto, que normalmente são empregadas pessoas extra para ajudar na recepção dos pedidos e na preparação e envio da papelada. Eu sei, porque já fiz esse trabalho (bem pago, diga-se de passagem, ganha-se o dobro do ordenado mínimo português e tem-se trabalho para quase três meses). Claro que não se pode garantir quem colocou a cruz e haverá casos desses, mas são residuais e em nada influenciam o resultado final. Os alemães não se ralam com esses desvios, são práticos. Também não se exige envio de cópia de cartão identificativo.
P.S. O problema, na Alemanha, é tratar-se de um país grande e os portugueses estarem muito espalhados. Organizar mesas de voto ficaria por um balúrdio, muito mais do que o voto por correspondência, e os nossos serviços consulares vivem sempre à míngua. Temos o problema das Presidenciais, por exemplo, desde que foram alargadas aos emigrantes. Só há voto presencial, mas verifica-se o caso de haver eleitores que têm de fazer cerca de 400 km para irem votar. Eu tenho de fazer “apenas” 60 km e ainda não me predispus a isso, ou seja, nunca votei nessas eleições. Presumo que em França o problema será semelhante.
Dizem os entendidos que as leis em Portugal são mal feitas e as respeitantes às eleições não fogem à regra.
O direito de votar não devia ser sempre “concedido” automaticamente, como decidiram os nossos deputados. Parece-me errada a inscrição automática dos emigrantes nos cadernos eleitorais, a partir da emissão do cartão do cidadão. Penso que seria razoável pedir, aos eleitores portugueses emigrados, para conferirem periodicamente os seus dados, em especial o acerto da sua morada, perguntando-lhe-lhe, então, se pretendem ou não votar, disponibilizando-lhes meios para o fazerem à distância, via net, eventualmente com ajuda dos consulados e, até, das muitas associações de portugueses existentes por esse mundo fora. Há gente que não quer votar em Portugal, pelas mais diversas razões, inclusive por terem adquirido outra nacionalidade. Porquê remeter votos a essa gente? Despesa necessária. Eu sei que quem quiser pode pedir para riscar o seu nome dos cadernos eleitorais, mas, no caso dos emigrantes, penso que devia ser ao contrário: os interessados em votar deviam manifestar essa vontade, inscrevendo-se nos respectivos cadernos.
“Despesa desnecessária”, queria eu escrever.