Começa a ser difícil encontrar livros publicados recentemente em que não tenha sido usada a grafia do novo (enfim, novo…) acordo ortográfico. Custa-me particularmente que algumas das minhas editoras favoritas o tenham por fim adoptado. Apesar de saber que o fizeram, verifico os livros que publicam como se fosse crível terem entretanto mudado de ideias. Por vezes folheio o mesmo livro em diferentes livrarias, na esperança irracional de me ter enganado antes ou de alguns exemplares – e bastar-me-ia um – terem conseguido escapar às novas regras (mas os livros são afinal muito conformistas). Ou talvez o faça não por ter esperança mas exactamente pelo contrário – para vencer a descrença e confirmar a separação, esta nova e surpreendente incompatibilidade que se estabeleceu entre mim e os livros. Seja qual for a verdade, mais importante é convencer-me de que não vale a pena cair em grandes lamentos: afinal, tenho stock suficiente para uns anos, um Kindle e a Amazon já nem cobra portes de envio.
Valorização de stocks
escafandro,

Já se escreveu, ainda Língua Portuguesa, imenso sobre este “acordo”.
Nunca percebi:
qual a sua utilidade;
qual a vantagem para Portugal;
qual a benesse para os portugueses;
de onde copiaram este conceito idiota;
e se os PALOP deturparem ainda mais a língua de Camões no futuro, fazemos outro acordozito e adapta-mo-nos, de novo, à suas incapacidades?
Eu não chamaria deturpação às alterações introduzidas pelos PALOP (ou pelo Brasil). A língua evolui natrualmente e de forma diversa (veja-se por exemplo o inglês do Reino Unido e dos EUA). Mas também nunca percebi a utilidade do acordo – pelo menos para Portugal. Quando acordo cínico, penso que há por aí uns quantos académicos que precisam de justificar o que ganham arranjando problemas onde eles não existem. E como os políticos adoram acordos internacionais…
JAA,
é evolução da Língua quando é natural.
Quanto ao facto dos PALOP terem evoluído, ou divergido, nada tenho contra.
Quando se adopta evolução ou divergência alheia por motivos obscuros e com fins que não se enxergam não posso deixar de me manifestar.
Deu um bom exemplo, o dos países que têm o Inglês como língua oficial.
Tantos, tão diversos, tão ricos, tão cultos alguns…
Como se entendem sem acordo??
Deve ser obra do belzebu…
Cumprimentos.
Os PALOP nem ratificaram o acordo ainda. E nos PALOP não se escreve mal – como no Brasil. O problema aqui é outro: o erro em defender que a grafia dever seguir a oralidade de forma cega.
Quanto aos livros na nova ortografia – estou farto de poupar dinheiro. Em minha casa não entram e os que apanhar vão direitos para o lixo. No outro dia até fiz uma cena numa livraria em Coimbra. Quando ia para pagar, reparo que o livro já está na ortografia tropical e deixo-o sobre o balcão: “Está cheio de erros ortográficos. Já não vou levar.”
Os comentários deste blog são, hilariantes! ahahahah…
Tal como a sua vírgula.
Ò dona o que tem a vírgula?? Esta, tamém, tem, a, mania, que, sabe, escrever,!
Andas a fumar erva marada, ‘facebook’.
Olhe o nível Drª Teresa, é por essas e por outras que não nos entendemos!!
Reparo que o teu caso é ainda mais preocupante. Qué kandas a inalar, pá?
Eu divirto-me mais com a estupidez alheia do que com a minha própria. Obrigado por mo ter recordado.
Também não consigo entender este afã de unificação. A diversidade de uma língua é uma das suas grandes riquezas, e o português ainda é falado no mundo inteiro. Essa dispersão geográfica ainda torna mais estúpida a ideia de submeter a grafia à fonética, porque a fonética é, por natureza, muito variável.
Nas palavras onde a fonética é variável, as pessoas devem escrever segundo a sua fonética. É isso que o acordo prescreve. Que em cada país se escreva as palavras de fonética variável de acordo com a fonética prevalecente nesse país. Só as palavras nas quais a fonética é uniforme se escrevem de acordo com uma norma unificada.
De acordo, Ana. Bai-se a ber e inda abemos de ter milhares de bariações. Todas oficiais.
Se o critério passa a ser o ‘fonético’, a primeira letra a abolir devia ter sido o H.
Penso o mesmo, faço o mesmo. Recentemente, estive para comprar vários livros (incluindo o mais recente do actual secretário de Estado da Cultura), mas ao perceber que estavam redigidos em ‘acordês’ – um idioma que só o professor Malaca Casteleiro entende – deixei-os repousar nos escaparates. Poupo uns cobres e resguardo-me de atentados à nossa ortografia. Além do mais, é como dizes: não faltam obras escritas em português correcto para irmos lendo durante muitos e bons anos. Que faça muito bom proveito às editoras que se apressaram a virar a casaca.
Eu sei, Pedro. Mas a maioria das pessoas está-se nas tintas.
“a Amazon já nem cobra portes de envio”
!!!
Ainda há pouco tempo comprei um livro nela e paguei portes de correio.
Porque não passava de £25,00.
http://www.amazon.co.uk/gp/help/custome r/display.html/ref=hp_rel_topic?ie=UTF8&nodeId=200355380
No teu caso, é muito bem feito.