Valores nacionais?


jmmcc,

Tenho seguido de forma intermitente os directos e os apontamentos televisivos em torno de Saramago, além dos blocos noticiosos e dos debates sobre este e sobre qualquer outro assunto. Correndo o risco de ser injusto por me ter escapado alguma coisa, posso dizer que praticamente não vi um homem de gravata preta. Mesmo entre políticos e autoridades oficiais, o símbolo tem andado muito arredado. Afinal, se não houver sinais simbólicos que nos unam, o que é que sobra ao nosso colectivo pátrio?

Dois dias de luto nacional decretados pelo Governo signficam o quê? Seja qual for o motivo e o nosso sentimento pessoal sobre a causa, sou do tempo em que luto nacional era luto nacional. É muito importante? Não, pelos vistos não deve ser importante respeitar os símbolos nacionais. Nem para quem está a exercer serviço público num cargo público e em lugar público.

Antes optassem pelo modelo négligé do Louçã. Mas guardo para mim que era bem melhor quando estes detalhes tinham uma carga simbólica que nos lembrava valores nacionais, superiores ao que distingue cada um de nós. No mínimo, todos lamentamos uma morte.

 

ADENDA — Antes de comentarem, junto já uma declaração que serve de exemplo e ilustra o que escrevi acima: acho inadmissível que a RTP, empresa pública paga pelos contribuintes, admita pivots em antena de gravata azul-cueca e coisas assim, nestes dois dias de luto nacional. É intolerável, tão manifesta falta de respeito. De respeito e de nível.

3 comentários em “Valores nacionais?”

  1. De acordo. E junto uma nota: o imenso barulho que existe agora nos funerais. Não escapamos à poluição sonora nem nestes momentos que deviam ser de recolhimento. São as palmas a propósito de tudo e de nada como se os mortos fossem actores de teatro de revista, os toques de telemóveis a todo o instante… Cada vez mais me convenço que o silêncio é uma conquista civilizacional. Infelizmente vivemos num lugar e numa época em que se procura fingir que a morte não existe, que a morte não é parte da vida. O ruído permanente que escutamos à nossa volta também decorre disso.

  2. É curioso que antes de ter lido este teu post, com o qual concordo por inteiro, tinha acabado justamente de comentar o da Ana Vidal, acima, onde, entre outras coisas, fiz referência à maneira como se apresentou vestida a nossa ministra da Cultura. Depois do que vi, e também do que ouvi, não sei se deva efectivamente escrever a palavra com “C” maiúsculo, pois parece-me que além da falta cultura no vestir, também a cultura que esta senhora representa, é outra que não aquela em que estou (estamos?) a pensar. Talvez a do ‘fait-divers’ ou a do ‘jet-set’ lhe sejam as mais apropriadas.

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