Se és funcionário público, és um merdoso manga-de-alpaca, proxeneta de todos os trabalhadores honestos e cumpridores deste país. Não fazes nada, faltas sempre que podes, recorres a atestados médicos falsos, tens regalias sem limites, vais passar férias para as Caraíbas com o dinheiro do vizinho, tens casas, carros, telemóveis, ganhas acima da média e, mau, funcionário mau e ranhoso, filho da puta mor, culpado de todos os males deste país, tens o que mereces agora. Se te reduzem o salário é porque o mereces, se te roubam o subsídio de férias e subsídio de natal por tempo que se prevê indefinido, é bem feito. Querias o quê, ó chulo de merda? Não interessa que tenhas filhos ou compromissos, sim quem te mandou, ó presunçoso projecto de gente que ainda tem o topete e a ousadia de ter vida como os outros? Reduz-te à tua insignificância de capacho onde a elite produtora deste país limpa os cumpridores pés.
Se trabalhas para o privado, és um lindo cumpridor. Chegas a horas, um modelo de pontualidade e eficiência, não vais para o Facebook e blogues em tempo de trabalho, arfas e abanas o rabo à passagem do chefe, trabalhas com afinco e empenho, és eficiente e produtivo, ajudas e participas na construção deste país, não vives acima das tuas possibilidades, carregas contigo um velho telemóvel dos anos 90, e és tu, meu lindo menino, coisinha linda da mãe, ó minha fofurinha eficaz, séria e competente, que estás a levar o país para a frente e a acarretar com essa massa indigna e rasteira de funcionários públicos, os tais que merecem tudo o que têm agora e ainda mais.
E no meio destes dois não há mais nada. É fácil conclui-lo pelas caixas de comentários deste blogue. Lamentavelmente.
Uns e os outros
cronicasnofeminino,

BRAVO, Leonor. Brilhante! Só tenho pena de não encaixar plenamente nas enumerações do teu belíssimo sarcasmo, porque enquanto professor contratado, há quinze anos precário, não poderia estar mais abaixo de cão. Mas, pronto, bem sei que para efeito de bode expiatório e costas largas também sirvo como os demais.
Um enorme abraço beijado.
Adorei o abraço abeijado. Um para ti também.
Agora o resto: pois, é verdade, Joaquim, mas para o efeito de bode expiatório estás bem ao meu lado na primeira categoria.
Lamentavelmente, sim. Sou funcionária pública, trabalho que me desunho (na escola e em casa, f d semana incluídos), etc, etc, e sou eu (nós) que temos sempre de pagar caro. Em total acordo com tudo o que escreve. Mt bom. Por más razões…
Se trabalha não lhes interessa, efectivamente.
pronto, pronto – já passou 😛
Passou? Só se o javali trabalhar no privado. É que para mim já começou em Janeiro com uma bela poda no ordenado e vai continuar como se sabe.
Bom fim de semana 🙂
Eu trabalho no privado financiado pela UE. Se calhar nem ordenados vai haver. Quanto à indolência, maldade e parasitismo dos funcionários públicos – já ouço essa conversa desde os tempos do Vickie, o Viking na TV -não vale a pena um tipo chatear-se com esse tipo de coisas, sinceramente 🙂
Concordo que talvez não nos devêssemos chatear, mas para como dizem os brasileiros, enchi o saco. Raios os partam a todos.
Leonor,
sou mais um entre os concordantes com o brilhantismo do post. Deles me desvio apenas no facto de trabalhar para o privado.
Chego, de facto a horas e também eu trabalho que me desunho. Tenho, no entanto e paradoxalmente, uma particularidade que me aproxima dos demais colegas nesta caixa de comentários e, por inerência, a este post:
Mesmo no privado, sou um merdoso manga-de-alpaca, proxeneta de todos os trabalhadores honestos e cumpridores deste país.
Não me revejo na separação das águas entre privado e público. Todos somos portugueses e, neste momento, todos sofremos com isso. Não diabolizo, como não santifico, uns nem outros. Haverá-os bons e maus, em qualquer das margens das águas que alguém teima em separar.
Cumprimentos.
André, o meu ponto é que nem somos todos prevaricadores no Estado nem todos cumpridores no Privado. Não admito que me culpabilizem por este estado de coisas e acho absurdas as acusações. Concordo consigo, claro, somos todos portugueses. O que me arrepia é que para muitos, há portugueses de primeira e de segunda. Agora em vez de nos unirmos para ver se ultrapassamos ‘isto’ da melhor forma, uns divertem-se a dar bordoada nos outros. Fico triste mas é o espelho do país.
Obrigada pelo resto.
“dividir para reinar”- parece que é 1 velha tactica!
Saudações…!
Pois é, Rosa, mas lá vai dando os seus frutos.
Loooool, Leonor! Boa tosa, para interlocutor entender… Ao nível. Esqueceste-te foi de dizer que os privados não recebem a 23 e não contribuem para a sobrevivência dos comerciantes. 😉
Pois olha agora os comerciantes vão ter de viver sem mim. É o meu boicote pessoal. Compras e gastos é só mesmo o essencial: comida, gasolina, a casa, água, luz e gás. Orientem-se!!!!!! Enquanto me lembrar disto faço-lhes portuguesmente um manguito. Algo me diz que me vou lembrar durante algum tempo.
Beijo 🙂
Leonor
Tu tens o dom da palavra, disseste-o melhor do que ninguém e vou partilhar este post no meu facebook, porque desde ontem que às fofurinhas eficazes, sérias e competentes me apetece apenas e só dar-lhes com o meu martelo de geólogo para lhes enfiar algum sentido crítico e capacidade de pensar antes de abrirem as suas goelas por tudo é que é lado. Escandaliza-me também que depois se ofendam quando nós, os culpados de todos os males deste país expressamos a nossa opinião.
Bêjos amiga.
Obrigada, Loca. Ora bem, concordo contigo.
A observação é compreensível, Leonor. Mais do que compreensível. Devíamos distinguir entre “funcionários públicos” e “funcionários públicos” – talvez criando a categoria de “disfuncionário público”.
Na minha área – a náutica de recreio – tenho histórias de “disfuncionários públicos” que dariam para alimentar uma stand up comedy durante dez anos. E fui bastante prejudicado (se bem uma parte da responsabilidade tivesse sido minha, sem dúvida. Mas isso é outra história).
Não sou nem de longe o único, nem a náutica de recreio a única. Daí provavelmente as generalizações.
Luís
Luís, provavelmente para as suas histórias com o funcionalismo público eu tenho algumas com o privado para a troca. A questão é que quando os privados mostram a sua incompetência eu não me ponho a dizer que são todos uns incompetentes e a meter tudo no mesmo saco. Isso é que é profundamente lamentável.
Este retrato é muito bonito… só que há uma diferença substancial que, propositadamente, escamoteia:
Dos 700.000 desempregados nenhum é funcionário público ( do quadro) !!!
Que se saiba, nenhum organismo do Estado faliu… ou tem ordenados em atrazo…
Nenhum funcionario do quadro com mais de cinquenta anos, vive o drama do privado… ficar desempregado… para sempre!!!
— Troco , com gratificação, a precaridade do meu TRABALHO por um EMPREGO no Estado…
Não ha empresa privada nehuma que, comparativamente, aguentasse 3.000 ( tres mil) funcionarios só no ministerios da Agricultura!!!!
Tenham juizo…
Não admito que me diga que o fiz propositadamente. Não admito! Como lê, o post não foi nessa direcção, não é esse o ponto e não tenho de me justificar mais.
Percebo bem a tua indignação. Mas nestas coisas paga sempre o justo pelo pecador e a verdade é que há uma cultura particular na função pública de onde ressalta muita incompetência e laxismo, marcas que se identificam há décadas, e que as pessoas criticam com razão. Meu pai trabalhou na Função Pública e eu lembro-me das queixas que lhe ouvia em casa. Ele era dos que gostavam de fazer obra, mas o sistema parece desenhado para neutralizar as pessoas mais dinâmicas e acoitar os medíocres.
Também já tive oportunidade de colaborar com alguns departamentos do Estado e a impressão que retive foi sempre a mesma: muita frustração por parte de quem gosta de tomar iniciativas, má coordenação de serviços, baixa produtividade. Mas se quisermos ser rigorosos e justos não é aos funcionários que devemos imputar as culpas do mau funcionamento dos serviços do Estado. Afinal não foram eles que criaram o sistema. Quanto aos privilégios dos funcionários públicos, se exceptuarmos os que se encontram em situação precária, são vários em relação à maioria que trabalha no sector privado e resultam de anos de reivindicações apoiadas por sindicatos que só na Função Pública podem mostrar serviço: salários mais elevados, mais segurança no trabalho, subsistema de saúde mais compensador, progressão de carreira assegurada. Tudo isto agora está a ser pesado e medido. É natural, Leonor. As pessoas andam a contar os cêntimos.
Mas a questão é o privado funciona bem? Só o privado é que funciona bem? E são todos competentes? Eu não vejo nada disso mas como disse acima se me tratam mal no privado eu não me ponho em fervores a dizer que são todos uns incompetentes. Quanto às regalias, pois não sei. Não vejo progressão nenhuma, zero, há quase dez anos, independentemente da minha avaliação e do grau de cumprimento das minhas funções e como eu há muitos. Quanto ao subsistema de saúde também já tive seguro de saúde só para garantir. Quanto aos ordenados, não sei, sei que as funcionárias lá da escola ganham uma porcaria, uns euros acima do ordenado mínimo, uma vergonha. Como elas há muita gente no Estado a ganhar ordenados de caca. Ganha-se muito mais a limpar casas. Se é preciso mudar? É claro que sim. Acima de tudo as pessoas devem desempenhar em pleno as suas funções.
Se fossem todos competentes no privado – incluo aqui não só os empregados como os patrões – teríamos metade dos nossos problemas económicos resolvidos, Leonor. Claro que não foi isso que quis dizer e, repito, percebo bem a tua irritação, mas tal não invalida tudo aquilo que eu disse no comentário acima.
Também há salários baixos na Função Pública, claro que sim. Mas se compararmos o que se aufere no Estado e no privado por categorias profissionais a vantagem vai para o Estado, salvo nos lugares de topo.
Eu sei que não foi isso que quiseste dizer, Teresa, a ressalva tinha a ver com o extremar desta bipolarização que considero até ofensiva e sei que não disseste isso. O meu ponto é que não há inocentes. Enquanto eu respiro fundo e não peço o livro de reclamações quando o provado é incompetente, porque não sei se isso não custará o emprego a alguém, a única coisa que vejo são dedos apontados na minha direcção enquanto professora e funcionária pública.
Quanto ao resto, acho que os sacrifícios deviam ser repartidos. Que fizessem um ajuste. Não há ajustes. Nós vamos receber zero.
Teresa, cá em casa a única funcionária pública sou e o meu trabalhou no privado a vida inteira. Também sei como é.
O meu pai, queria eu dizer.
Salário mais elevados???
Onde??
Todos os que comigo se licenciaram ganham, no mínimo, o dobro do que eu ganho!!! (nas mais diversas áreas do privado)
Têm o risco do desemprego, pois sim. O meu trabalho também não é garantido, ou estamos “por fora” dos tipos de contrato que se praticam actualmente na função pública???
Não há ordenados em atraso, é um facto. Para não se atrasarem…cortam-nos!
Querem que eu seja um dos diabos desta crise…sê-lo-ei! SOMOS TODOS UM POUCO.
Uma coisa eu sei, não tenho telemóvel topo de gama, não tenho carro topo de gama (aliás, tenho carta há 20 anos e vou no meu 2º carro), comprei casa pequena, usada e fora da cidade para não me sobre-endividar, nunca atravessei o atlântico para uma semana de férias em resort, nem vou a correr para o Algarve quando há uma ponte (até porque no estado não se fazem pontes há uns anos). Roupa? Sim…compro quando preciso porque acho que legalmente não posso andar nua pela rua!
Engana-se minha cara, pois no meio destes dois existem outros, muitos como eu.
Que não são os filhos da puta dos funcionários públicos, nem os zelosos e ultra eficazes trabalhadores por conta de outrem, que modernizam a nossa economia ao ponto de a assemelharem a uma qualquer terceiro mundista. Somos uns sacanas de uns ambiciosos, porcos capitalistas, anti-patriotas que viramos as costas à luta por um país melhor, país esse que premeia tanto o mérito que enjoa, ao ponto de procurarmos melhores paragens onde não nos elogiem diariamente. Sabe como é, somos pequeninos e tal e é de países assim que gostamos. Somos tão egoístas que estudamos no nosso país para depois irmos aplicar o que aprendemos lá fora. Veja só a heresia!
Portugal está tão recheado de gente competente que nem há espaço para nós. Afinal, quem nos manda ser empreendedores e ambiciosos, quando o nosso país tem paisagens tão giras, um clima tão fantástico e umas praias tão fabulosas que compensam tudo o resto? Malvados emigrantes que ainda vêm à terra no verão para ostentar e se acharem mais do que aquilo são: uns oportunistas.
Não, não me engano, o que defendo é que tristemente há gente que vê o mundo a preto e branco, que adora bipolarizar e fazer de alguns bodes expiatórios. Podem ser os funcionários públicos ou os emigrantes. Compreendo perfeitamente.
Quantas horas trabalham semanalmente os funcionários públicos?
Que funcionalismo PÙBLICO é este que, no hospital de Setúbal faleceu um familiar meu no Sábado de manhã e só entregam o corpo a partir das 9 horas de Domingo? È um funcionalismo para servir ou para ser servido?
Os meus pêsames pela morte do seu familiar primeiro que tudo.
Não vai querer que eu lhe responda à pergunta, pois não? Ou acha que ela é relevante para a discussão? O meu médico era privado, por uma questão de doença tinha de lá ir. Pagava a módica quantia de 130 euros por consulta e esperava a tarde inteira para ser atendida por uma consulta marcada para as duas da tarde. Saí de lá um dia às 9.30 da noite. Para sair mais cedo ainda subornei várias vezes a empregada das marcações com bombons. Agora responda-me que raio de médico privado é este que se atrasa sistematicamente cinco horas e que marca sempre consultas para as duas quando sabe que só aparece às 4, 4 e meia? Não responde? Pois, é natural, deve ser a mesma razão pela qual não lhe falo sobre o hospital de Setúbal. Nem tudo é bom e é mau no Público e no Privado.
Mas a senhora tinha de certeza alternativa para os péssimos serviços desse médico privado, que deve ser dos tais que tem compromissos desde o público ao privado, a senhora só lá foi porque bem quis. A isso chama-se livre concorrência. A senhora se calhar nem foi capaz de pedir o livro amarelo e reclamar.
Agora diga-me, que alternativa teve a minha família?
Pois tinha, a alternativa foi não voltar findo o assunto que me lá levava e procurar outro que eu possa pagar e que não me obrigue àquilo. Este médico tem desprezo pelo público e só trabalho no privado e com privados. Isto só serve para ilustrar que nem tudo o que é privado é bom. Se leu tudo o que digo em cima, percebeu que o que me irrita é este desprezo pelo público, tal como o meu ex-médico que o queria era que lá deixasse o que tinha e o que não tinha. Quanto ao resto é claro que o Público funciona mal também. Não tenho qualquer dúvida. Como calculará, não conheço a situação, sei lá eu porque só lhe entregam o corpo a essa hora. Podia dar-lhe um exemplo pessoal nessa mesma situação e em que o tempo de espera foram umas horas e não, não tenho cunhas nem conheço ninguém no ramo.
Para acabar a conversa, confesso que acho muito estranha a sua linguagem: “subornei a empregada”, “não tenho cunhas”…….
O moralismo e o politicamente correcto são terríveis. Sim, cunhas e suborno, ou não entendeu o que é ‘suborno’ no contexto do que o escrevi? Para acabar com a conversa claro. O que eu acho estranho são os anónimos, isso é que eu acho estranho e não gosto.
Post acutilante, sarcástico mas também representativo, Real dum modo de pensar instalado desde há muito…não excelente porque pretende fazer/desenhar a dicotomia dogmática, parva e injusta instalada.
Confunde-se conscienciosamente funcionalismo público com funcionários públicos, sem enganos ou distracções…não há certamente melhor bode espiatório face à dimensão do monstro Estado.
É necessário haver despedimentos…é certamente.
É necessária uma reestruturação – devida, coerente e justa, nada comparada à reforma da Adm.Pública executada pelo cessante que não valoriza nem o mérito nem a postura, simplesmente cria balizas, já decididas, geral e localmente -, um reset, porque o trigo não pode continuar a ser avaliado/equiparado ao joio.
Nada é a preto e branco com excepção do carácter, ou se tem…ou não se tem.
Bom texto Leonor.
Fique bem.
Obrigada, outside. Sim, há coisas que ou se têm ou não se têm mas uma grande parte de tudo o que nos rodeia não é a preto e branco.
Claro que é necessária uma reestruturação e uma mudança de mentalidades. Também já assisti a pessoas a dizer que agora que eram do Estado iam meter baixa. Esta vi eu. E sendo professora também vejo que nem todos são cumpridores, mas também vejo gente que dá de si e do seu tempo sem nada em troca. O que não tolero é que me culpem e que bipolarizem.
Um abraço, Leonor.
Beijo, Zélia.
Vitimização…
Os Funcionários Publicos não querem concorrência.
Vamos colocar os Hospitais e Centros de Saúde a competir pelos Doentes? Não tem de se ir ao Centro de Residência.
Escolas? Professores? O mesmo desastre.
O comportamento corporativo de todos os representantes dos funcionários publicos tem sido obsceno. E com o apoio destes.
20% do que gasta o estado é pedido emprestado. 20% do ordenado de um funcionário publico é dinheiro pedido emprestado.
É simplesmente isto.
Qual vitimização????? Gostava de saber quem paga impostos neste país. Obscenos são os ataques constantes.
Se houver um policia … do privado, eu falo…para comparar.
Enfim, nada é a preto e branco. De facto