Uma sugestão


Sérgio de Almeida Correia,

Sem que se ponha em causa a necessidade de um programa efectivo de ajuda aos mais desfavorecidos nestes tempos difíceis que atravessamos, parece-me importante que o Governo tome medidas no sentido de ajudar à resolução da situação de muitas famílias que não conseguindo pagar as casas que adquiriram com recurso ao crédito bancário, depois de terem estado a pagá-las durante anos e de terem ficado sem elas por terem entrado em situação de incumprimento em razão do desemprego ou devido à subida dos juros, ainda ficam com a dívida quando o valor do imóvel hipotecado se mostra insuficiente para pagar o remanescente daquela, mais os juros devidos, as comissões que inventam e as demais alcavalas das execuções.

 

Há alguns bancos que são “especialistas” nesta prática e não obstante os alertas de uma associação de consumidores, os exemplos que chegam de Espanha e as decisões judiciais já conhecidas, nada disso tem sido suficiente para demovê-los dessa prática injusta e abusiva pela qual tentam, normalmente contra gente fraca e sem recursos, eliminar o risco do seu negócio e ainda lucrar com a desgraça de quem os sustenta.

5 comentários em “Uma sugestão”

  1. Passou hoje por mim na rua, uma senhora que levava um daqueles sacos de cartão, que as mulheres acham suficientemente elegante e de qualidade para levar alguma tralha, sem perderem o bom ar. Isto, dito assim, sem mais, não mereceria qualquer comentário!
    Acontece, porém, que nesse saco se podia ler “IAPMEI – Instituto da Empresa”, acompanhado do logótipo desse instituto público.
    Pergunto eu: qual o benefício, a vantagem, o benefício, que o IAPMEI, o Estado, o interesse público e os contribuintes, têm com uma despesa no pagamento desses sacos?
    Por acaso, o IAPMEI funciona em regime de concorrência, tendo, por isso, de fazer publicidade a expensas do erário público? Não!
    Quantos sacos daqueles foram feitos? Quanto custaram? Não há suficientes idosos em Portugal que, sem dinheiro, têm que optar entre comer ou comprar medicamentos?
    Querem poupar na despesa pública? Comecem por proibir actos publicitários de organismos públicos, que mais não são do que despesa voluptuária promovida por quem não tem noção de interesse público! E, já agora, sff, punam devidamente essa maltinha ” que gera despesa pública apenas para satisfazer uma vaidade pessoal e institucional!

  2. eliminar o risco do seu negócio e ainda lucrar com a desgraça de quem os sustenta

    O Sérgio esquece que boa parte dos bancos portugueses hoje em dia praticamente não faz lucro em Portugal – o lucro que têm é nas suas atividades no estrangeiro. E para essa ausência de lucro contribui de forma fulcral o facto de, durante anos, terem praticado spreads nos créditos à habitação que eram dos mais baixos da Europa. As pessoas que em Portugal compraram casas a crédito fartaram-se de lucrar com a generosidade dos bancos portugueses.

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