A forma como têm surgido as notícias na comunicação social relativas à Operação Face Oculta (ainda um dia há-de haver alguém que me explique a escolha de nomes tão bizarros para as operações da PJ), para além da evidente curiosidade que o assunto desperta, faz-me pensar que pelo menos por uma vez a investigação da PJ não se limitou a aguardar sentada, ao contrário do que aconteceu noutros processos que deram em nada, a transcrição de escutas telefónicas. Até agora, os relatos da imprensa e as imagens das televisões têm todos muito "molho". A ascensão, queda, morte e ressurreição de um caixeiro que chegou a banqueiro, condimentada com a generosidade de um grupo empresarial de Aveiro [é pena que uma terra com a tradição liberal, republicana e democrática de Aveiro seja hoje mais conhecida pelas proezas dos seus figurões do que pela sua história, excelente gastronomia e simpatia das suas gentes] e a ambição de um rapazinho nado e criado numa jota e que, por acaso e só mesmo por acaso, é filho do "patrão" das REN, tem todos os condimentos para servir de guião a uma novela policial. Condimentos, refeições abundantes, carros topo de gama, gente obscura que se move com facilidade nos meios políticos e empresariais, membros do Governo que não se deixam corromper, pagamentos em dinheiro e tipos com ar parolo, com os bolsos cheios e ávidos de promoção social, é coisa que parece não ter faltado. Para já só faltam as louras, mas com sorte elas ainda hão-de aparecer. Como assinalava ontem o João Gobern na sua revista da imprensa diária, agora o importante é saber se tudo isto tem consistência, se desta vez a PJ fez o trabalho de casa bem feito e se de uma vez por todas será possível começar a agarrar na maltosa que se apoderou dos partidos, dos negócios com as empresas do Estado e da vida pública, e que à custa deles ganhou educação, estatuto, notoriedade, posição, uma carreira e um pé-de-meia, atropelando todos os valores que lhes permitiram guindar-se às posições que ocupam. Para já, a única certeza, atendendo à pormenorização dos relatos das operações e ao detalhe das vigilâncias, é que a PJ tem paredes de vidro. E nem sequer é fosco.
Uma polícia com paredes de vidro
Sérgio de Almeida Correia,

Caro Sérgio,
É simples, Face Oculta é um bar para adultos na praia da Barra…..
Agradeço o esclarecimento. Então já vejo as louras (e não só).
Neste caso, não há malas, mas há muitas varadas. E varadas que já vêm de longe… E muita gente silenciada com essas varadas. Por que será?!…
De faces ocultadas
atrás da devassidão,
moralidades fintadas
por fétida podridão.
A ética fedorenta
de negócios imorais
é a marca bolorenta
de decoros viscerais.
Jogos de bastidores
para alguns varar,
são denunciadores
de gente a perorar.
De mãos encardidas
fedendo a perversão,
negociatas fundidas
por abjecta corrupção.
Milhares foram varados
para rede tentacular,
negócios engordurados
com intuito de burlar.
Resta saber se o legislador (a classe politica) não deixou na lei (a que os tribunais não se podem furtar) os devidos alçapões que permitem a fuga.