Não sabemos nada dele. Pode ser apenas um palerma, mas como o estado de paixão nos limita o discernimento, merece que lhe demos o benefício da dúvida. Nesse caso poderá ser apenas um homem loucamente apaixonado. O que faz dela, a mulher de quem menos sabemos ainda, uma falsa, a pérfida encarnação do anjo azul, versão tropical. São mulheres assim que nos dão má fama.
Se fosse ao contrário, seria notícia? Talvez. Mas não seria a mesma notícia. Suscitaria menos dúvidas quanto ao perfil dele e dela e a aura romântica desaparecia da história. O tom seria de comiseração.

Seduzido e abandonado… tadjinho dele, viu?
Nem mais!
São dois preconceitos de uma assentada, Teresa: o risco permanente de se generalizar, tomando a parte pelo todo. e o modo diferenciado como se encaram os casos de acordo com o sexo do/a protagonista.
Muito bem observada por ti, a notícia.
É isso mesmo. João. Não resistimos à generalização, devidamente organizada segundo oa sexos dos protagonistas.
identifico a ironia e ainda bem Teresa 🙂
Comiseração? Depois de ler que há sete anos que não vê os filhos acho que nem a comiseração o salvará .. 😉
Bom fim de semana
(Once)
Beijo, Catarina.
Teresa, gostei do seu “olhar”, sobre o caso, pertinente e revelador de grande sensibilidade e do “modo” como passou à escrita. Subscrevo o comentário do João.
Ao ler a notícia lembrei-me de um outro caso – Merhan Karimi Nasseri – o “célebre” refugiado iraniano que viveu no Terminal 1 do Aeroporto Charles de Gaulle, de Paris, de 1988 a 2006, por ter ficado sem documentos na sequência de um roubo (há quem diga que a sua história inspirou o filme “The Terminal”, 2004, protagonizado porTom Hanks, e dirigido por Steven Spielberg) muitos se lembrarão …
Pelo relato do “episódio” – Heinz Müller – poderá ser uma pessoa perturbada, para além de ser portadora de doença – “Parkinson”- que dizem sofrer, por isso e não só merece a minha compaixão.
Lembro-me bem desse filme. Apreciei-o sobretudo pelo risco que representou para Spielberg limitar toda a acção ao espaço de um aeroporto. Quanto ao nosso alemão, é bem possível que seja uma pessoa perturbada. Mas o meu objectivo foi, como o João Carvalho muito bem apanhou, comentar as diferentes leituras de uma história que o preconceito nos induz.
Comiseração. Hum… não desgosto dessa palavra.