Tinha que aparecer um cartilheiro (anónimo) logo na primeira resposta. Estas alminhas andam sempre de picareta na mão, a cavar trincheiras cada vez mais fundas. Para depois ficarem lá em baixo a falar sozinhas.
Olhe que não, Pedro Correia, olhe que não, essa sua frase é um bocado paroquial, claro que há diferenças mas também muitos padrões idênticos, por exemplo aqui falsificam-se licenciaturas enquanto noutros se falsificam mestrados ou doutoramentos e as vagas da COVID assemelham-se embora em tempos diferentes, como pode ver aqui: https://imagenscomtexto.blogspot.com/2021/03/mortes-por-covid-19-em-varios-paises.html
Como obscuro que é deixa-o incapaz de corrigir. Está chateado com a resposta ou com o suposta obscuridade? Porque lhes faltam talentos, são incapazes de produzir os grandes feitos da nação: uma nação que até na linguagem obscura vê motivo de retórica.
Escreve muito, um pouco de cada vez sem nada mais que palavras.
A si faltam as duas mais importantes. Nome e apelido.
Por vezes existem falhas, mas identifico-me agora. Se quiser conhecer-me pessoalmente, terei muito gosto em oferecer-lhe uma bica.
Está nos genes. Basta ler o recente livro do João Céu e Silva sobre o Vasco Pulido Valente, que está lá tudo muito bem explicado desde as invasões francesas. O “Ir para o Maneta” ao fim e ao cabo refere-se ao país.
Pela inversa, e para ir a direito ao que interessa. Por falta de respeito das regras e ausência de um pingo de juízo autocrítico: sempre muito certos das nossas verdades e legitimidade dos nossos direitos e nunca dos deveres, sempre injustiçados e incompreendidos pelo sistema (coitadinhos). Por o defeito estar sempre no vizinho e sermos desorganizados e trapaceiros qb?
E para quem vem com a conversa do lá fora somos muito trabalhadores, respeitadores e respeitados, há que recordar que nos foge o pé para o chinelo: achamos que em casa podemos javardar e lá fora devemos impressionar. A triste sina do para inglês ver.
Em suma, por falta respeito pela nossa casa.
No fim, a culpa é ‘do Passos’ ou ‘do Cavaco’, ou qualquer outro bode expiatório para alívio da má-consciência. E fica tudo na mesma, como a lesma.
Nós os emigrantes somos muito mais trabalhadores! Cada vez que vou a Portugal só vejo jovens mulheres sentadas na esplanada a fumar e a maldizer dos homens no trabalho só por estes gostarem de futebol.
Os países europeus não têm os mesmos problemas que Portugal porque não têm este povo. Se os portugueses fossem todos estrangeiros, Portugal era um país óptimo para passar as férias e sem problemas.
É espantoso. A grande maioria dos comentadores, até agora, pronuncia-se como se não houvesse verdadeiros problemas em Portugal. Esta satisfação com a mediania – para não dizer com a mediocridade – é um dos maiores problemas. Para não dizer mesmo que é o problema principal.
Calma. Há verdadeiros problemas em Portugal, é um facto. A pergunta pertinente que também deve ser colocada é: – Quem é que neste momento se encontra em melhores condições para resolver esses mesmos problemas? Será que é preferível sair duma situação estável para uma situação instável? Há que ponderar os prós e os contras, e neste momento não há nenhum partido que assegure uma liderança melhor do que o que lá está. Tem esse exemplo nos Açores.
Responder a esta pergunta com trincheiras políticas e clubite partidária é a melhor forma de não solucionar coisa nenhuma. Há vinte anos que marcamos passo, estagnados, na União Europeia. Vendo outros países que entraram muito depois de nós na UE ultrapassarem-nos em produtividade, distribuição de riqueza e índices de qualidade de vida. Isto acontece porque damos as respostas erradas às perguntas de sempre. Pior que isso: acontece porque começamos desde logo por fazer as perguntas erradas. Uma delas é precisamente essa: “Será preferível sair duma situação estável para uma situação instável?”
Como já referi várias vezes não tenho nenhuma clubite partidária, e a pergunta poderá ser entendida como o receio de dar o salto para o desconhecido. Só que não é nenhum salto para o desconhecido. Os partidos existentes são sobejamente conhecidos para se esperar alguma diferença de actuação. O caso dos Açores é um exemplo, a ânsia de ir ao pote foi tão grande que até venderam a alma ao diabo. Qual é o indício que você tem para demonstrar que aqui no Continente seria diferente?
Lá vem a clubite outra vez. A clubite partidária consegue ser pior do que a do futebol.
Não sei quem é que tem a clubite partidária maior. Se me conseguir explicar a escolha da Susana Garcia para a câmara da Amadora talvez eu acredite que o maior partido da oposição é a escolha acertada para ser uma alternativa a este governo.
Falo em Portugal e na Europa e você continua obcecado com a Amadora. Isto revela muito do atraso português. Quando alguém aponta para as estrelas, há sempre quem prefira olhar para o dedo.
Eu sei que você quer ir para a guerra, mas com que exército? Com a Garcia, Ventura, Relvas e companhia? Dispenso, obrigado. Para melhor tá bem tá bem, para pior já basta assim. Prefiro olhar para o dedo.
Nada cega tanto como o ódio ideológico. O fanático é mesmo assim: não desvia os olhos do dedo esticado. Seja esse dedo qual for.
Eu posso ser fanático mas não inicio uma guerra com um exército de trapalhões. À mulher de César não basta ser tem de parecer, e se querem dar uma imagem de seriedade e de competência têm de se rodear de pessoas sérias e credíveis. Que imagem é que transmite um líder se o seu braço direito for o batatinha e o braço esquerdo for o croquete?
“À mulher de César”?! Mas que raio de expressão mais misógina. E machista.
” Caesar’s wife ” está melhor assim? Agora é que eu percebo porque é que Portugal enfrenta tantos problemas. Vá lá um gajo ser padre numa freguesia destas.
Você vai de mal a pior. Agora deu em “amaricano”? Caramba, antes vacinar-se com Astrazeneca.
Quem quiser as Astrasonecas que as tome, eu prefiro apanhar o vírus que esse ao menos é natural, não é fabricado com o adenovírus do macaco.
O vírus vem do cruzamento entre um morcego e um pangolim. Não é flor que se cheire. Mas cada um toma do que gosta.
Ainda bem que você tem a certeza, e eu que pensava que o inimigo do batman era o pinguin. É melhor é não ler mais livros senão ainda fico infectado.
O problema de Portugal é pensar em grande. Desígnios nacionais, reformas estruturais, grandes obras, consensos nacionais. Bastaria começar a resolver os pequenos problemas, um de cada vez. Preferencialmente por quem sabe.
Como no comboio. Anos e anos a falar no TGV enquanto se desmonta a ferrovia existente. E toda a nossa estrutura ferroviária digna desse nome remonta ao século XIX. Abençoada monarquia constitucional que nos legou esta conquista, mesmo sem “fundos estruturais”.
Porque somos e continuaremos a ser, desde há muito, o país mais pobre da Europa ocidental, sem recursos próprios de relevo, sem uma geografia envolvente que puxe por nós, com endémicas, seculares e recorrentes, migrações por razões económicas, com uma administração pública e uma máquina estatal desmotivada e sem “accountability” adequada. E por sermos um país com uma auto-estima abaixo do nível do mar, com uma comunicação social medíocre, que descobriu ser patriótico “puxar para baixo”, destacar sempre o que corre mal, temerosa de elogiar seja o que for, cuidando, sempre que tem de fazê-lo, em colocar uma adversativa no fim da frase ou mesmo do título ou do “lead”. E por, também por essa via, se ter agravado a inveja perante o sucesso, a desconfiança permanente, a obsessão conspiratória, o olhar sempre para o lado, não vá o vizinho viver melhor do que nós. Somos assim, estamos assim e, francamente, vejo mal como podemos sair disto. É o país do “vamos andando”.
Penso que há dois problemas fundamentais. O primeiro e talvez o mais importante é o funcionamento das nossas instituições que favorecem o adulador, o amigo ou o familiar em detrimento do mais competente. Os melhores e mais capazes vão pastar para outras paragens (normalmente para esses países bem sucedidos). No podcast 45 graus há uma entrevista com Nuno Garoupa que se debruça precisamente sobre esta temática. Quando ouvi o programa pareceu-me fazer muito sentido. Até fui capaz de visualizar mentalmente muitas situações que vivi e assisti na minha vida profissional. O segundo é, e lamento muito dizê-lo, uma certa mediocridade do povo português. Temos muitas qualidades. Há poucos povos capazes de receber os outros (estrangeiros, emigrantes) como nós. Mas a inveja é o nosso pecado capital. Temos muita dificuldade em assistir ao sucesso do outro.
Discordo dessa imputação negativa ao “povo português”. Aliás cada vez rejeito mais essa noção de povo, que serve para hinos nacionais mas é imprecisa e ambígua. Não por acaso, é das palavras mais usadas por demagogos e ditadores. Em estados de Direito, fomos cidadãos. Concretos, não amalgamados ou arrebanhados em categorias abstractas.
Obviamente que é impreciso atribuir características individuais a um povo. Cada indivíduo é uma entidade. Ainda assim parece-me que há características transversais (que provavelmente não são dissociáveis dos problemas das instituições). Se não houvesse essas características transversais os personagens do Eça, por exemplo, seriam tão actuais.
Claro. Há tipologias genéricas, até ao nível do anedotário: o Eça – por blague – até dizia que Portugal era uma espécie de França traduzida em calão. Ou da vulgata política, como aconteceu há uns anos com aquele ministro socialista holandês que acusou os “povos” do sul da Europa de gastarem demasiado dinheiro em mulheres e copos. Mas estas generalizações valem o que valem: muito pouco. No caso do socialista, não valiam nada.
Serão muitas as razões mas eu privilegiaria ser muito fácil gostar de Portugal mas muito difícil, dentro das nossas fronteiras, gostar dos portugueses.
Também serão muitas as razões e é profundamente errado reduzi-las à mais vulgar que é serem as empresas estrangeiras, como regra, melhor organizadas e com chefias mais competentes do que as nacionais. Haverá muitos exemplos mas a Autoeuropa basta.
Depois há factores politico-sociológicos. A governação sob ideias económicas de esquerda que está a poucos anos de completar um século, produziu por acréscimo (nem sempre era essa a intenção) uma protecção garantística do trabalhador. Cito dois exemplos: – Já no tempo de Salazar e talvez até mais do que agora, os tribunais tinham um claro viés a favor do trabalhador (ou contra os patrões, se quiserem). – Recentemente algumas empresas foram condenadas por controlarem o uso de telefones pelos empregados ou de meios de vigilância de imagens (alegando que se tratava de violação da privacidade). Do primeiro exemplo resultou uma cultura de laxismo, porque os patrões não queriam sujeitar-se a uma lotaria judicial em que perdiam sempre. De facto na maioria dos processos de trabalho, o empregado foi despedido e assim, se perdesse ficava como estava, se ganhasse era readmitido ou indemnizado; já o patrão, se perdesse tinha de readmitir ou indemnizar, se ganhasse, ficava como estava mas entretanto tinha gasto dinheiro em advogados e perdido tempo com recolha de provas, com deslocação de testemunhas (normalmente outros empregados ou mesmo chefes que assim perdiam horas ou mesmo dias de trabalho). Do segundo exemplo resultou uma cultura de abuso, com meios de comunicação e de reprodução da empresa utilizados em assuntos particulares, intervalos para café ou para fumar alargados a outro tanto de conversa com colegas, desvios de economato, etc..
Também considero importantes os motivos psicológicos (ou motivacionais). O trabalhador emigrante não só tem mais iniciativa do que o que, nas mesmas circunstâncias, optou por ficar, mas também logo adquire a noção que tem de dar o melhor para não ser descartado. A sua própria fragilidade no novo contexto, seja por instinto de sobrevivência ou por ambição de triunfar, conduz a um empenhamento superior ao que teria na origem.
O maior problema de Portugal é a falta de responsabilidade/responsabilisação. Vivi lá fora e asseguro-vos que não nos faltam recursos ou meios para tornar Portugal num excelente país. Temos clima, paisagem, recursos marinhos e terrestres que bem geridos e valorizados poderiam ser fontes de rendimento para muitos. Temos muito bons profissionais apesar da educação básica obrigatória continuar a centrar-se na formação teórica ou académica. O que emperra tudo são meia-dúzia de grupelhos que se dizem donos do país, que usam um sistema eleitoral viciado que não atrai gente mais responsável, uma justiça manhosa e pouco confiável, burocracia em cima de burocracia que incita à corrupção, e a falta de responsabilização dos que nos prejudicam em nossa representação. Lá fora também há meliantes e corruptos mas quando são identificados são logo postos fora dos lugares de responsabilidade e são obrigados a reparar os danos sempre que possível. Ninguém gosta de pagar impostos, mas para rendimentos baixos como existem em Portugal o valor dos impostos é excessivo. Há pouco investimento em qualificação técnica, talvez porque a maioria dos docentes não será capaz de ir além da cartilha do ME. A saúde é o que se sabe apesar de estarmos melhor que noutras paragens. E as profissões, para além de médico, advogado, engenheiro e jornalista , não são valorizadas pela maioria dos portugueses.
Porque lá fora as regras da empresa e do contrato são para cumprir, senão perde-se o emprego e é mais difícil encontrar outro sem as referências de bom trabalhador. E não são os diplomas o mais importante mas o que sabes realmente fazer e se és capaz de resolver os problemas ou tarefas para que foste contratado. O salário condigno e suficiente para viver acima do nível de pobreza também faz a diferença. Podia dar vários exemplos de jovens que em Portugal não passavam do salário mínimo em trabalhos precários que emigraram, e mesmo passando algumas dificuldades no início tiveram o seu esforço e capacidades reconhecidos. Presentemente conseguem sustentar as famílias sem se preocuparem se vão chegar ao final do mês com dinheiro suficiente para alimentar os filhos ou pagar as contas. Não sei se será geral mas a emigração no território europeu é feita em família. Dantes ia o chefe da família e ficavam os filhos entregues ao cuidado da mãe e dos avós. Agora vão as três gerações. Os avós vão para cuidarem do netos, pois as creches são caras, e para apoio doméstico. Por vezes trabalham-se 18 horas por dia/sete dias por semana e não sobra muito tempo ou energia para cozinhar e limpar. Mas ganha-se o suficiente para sustentar toda a família e ainda sobra para a poupança.
Esquecendo a típica característica de qualquer “pergunta de 1 milhão”, da questão colocado no “post”, a única resposta que me ocorreu foi a de que, qualquer tuga, está sempre convencido de que “a grande maioria dos seus conhecidos (familiares/vizinhos/colegas/amigos) não tem os problemas que ele hoje (ontem e amanhã) enfrenta”.
Um perfeito exemplo disso, quanto a mim, é o trauma nacional com a emigração: reza a ladainha nacional, entre a lamúria e um certo orgulho que, em cada esquina do mundo, há portugueses humildes, sacrificados, bonzinhos e etc, “com certeza”… bom, aqui na cidade onde resido – segundo um funcionário da nossa embaixada – até, de facto, há um outro tuga (que não o conhecendo até não existe!) mas, da minha experiência, a do meu bairro, onde há mais de dezena e meia de expatriados “ocidentais” (a vasta maioria alemães, ou germanófonos, um italiano e até mesmo um australiano), todos eles estão por aqui porque, no seu país de origem – confessam eles – não conseguem sobreviver por lá, com o que lhes restou na velhice.
A principal razão é ser um país dominado por retornados — e outra gente miscigenada — e enquanto não tirarem tudo para eles não sobra para mais ninguém.
Porque não tiveram nas últimas décadas governos liberais de direita liderados por Coelhos?
Tinha que aparecer um cartilheiro (anónimo) logo na primeira resposta. Estas alminhas andam sempre de picareta na mão, a cavar trincheiras cada vez mais fundas.
Para depois ficarem lá em baixo a falar sozinhas.
Quando se tem uma picareta na mão tudo nos parece uma trincheira
(eu é mais pá, e tijolos. Muros é o que mais faz falta)
Grato em saber que o Dr. Ex-Presidente deixou marca lexical.
Tinha que vir o avençado com a sua 📼 . Está gasta arranjem outra. Sei lei o Putin
Sei lei é o quê? Um prato chinês?
Quais são os problemas aos quais o Pedro se refere?
Falta de mulheres bonitas e sem bigode
Convosco aprende-se imenso, como se vê.
Dois poços de sabedoria.
Porque não tiveram um governo Pafista a trair o país?
Feliz ano de 2016 para si também.
Olhe que não, Pedro Correia, olhe que não, essa sua frase é um bocado paroquial, claro que há diferenças mas também muitos padrões idênticos, por exemplo aqui falsificam-se licenciaturas enquanto noutros se falsificam mestrados ou doutoramentos e as vagas da COVID assemelham-se embora em tempos diferentes, como pode ver aqui: https://imagenscomtexto.blogspot.com/202 1/03/mortes-por-covid-19-em-varios-paise s.html
Você agora lembrou-me o Álvaro Cunhal.
Económicos, sociais ou políticos?
Responder com uma pergunta é soma zero. Nem um passo em frente.
Um dos problemas portugueses é este mesmo: quase nunca saímos do mesmo sítio.
Porque lhes falta talentos.
“Lhes falta talentos”… Tentei descodificar, mas o seu português é demasiado obscuro para a minha compreensão.
Como obscuro que é deixa-o incapaz de corrigir. Está chateado com a resposta ou com o suposta obscuridade? Porque lhes faltam talentos, são incapazes de produzir os grandes feitos da nação: uma nação que até na linguagem obscura vê motivo de retórica.
Um dos sintomas do nosso atraso é gastarmos tantas palavras para dizer tão pouco.
Escreve muito, um pouco de cada vez sem nada mais que palavras.
A si faltam as duas mais importantes. Nome e apelido.
Por vezes existem falhas, mas identifico-me agora. Se quiser conhecer-me pessoalmente, terei muito gosto em oferecer-lhe uma bica.
Está nos genes.
Basta ler o recente livro do João Céu e Silva sobre o Vasco Pulido Valente, que está lá tudo muito bem explicado desde as invasões francesas.
O “Ir para o Maneta” ao fim e ao cabo refere-se ao país.
Tenho já esse livro, para ler nos próximos dias. Depois darei notícia dele aqui.
A que tipo de problemas se refere? Já agora e para não nos focarmos sempre no negativo, proponho que faça a pergunta ao “contrário”…
Obrigado pela sugestão, mas dispenso bitaites em matéria de perguntas.
Disso percebo eu.
Pela inversa, e para ir a direito ao que interessa. Por falta de respeito das regras e ausência de um pingo de juízo autocrítico: sempre muito certos das nossas verdades e legitimidade dos nossos direitos e nunca dos deveres, sempre injustiçados e incompreendidos pelo sistema (coitadinhos). Por o defeito estar sempre no vizinho e sermos desorganizados e trapaceiros qb?
E para quem vem com a conversa do lá fora somos muito trabalhadores, respeitadores e respeitados, há que recordar que nos foge o pé para o chinelo: achamos que em casa podemos javardar e lá fora devemos impressionar. A triste sina do para inglês ver.
Em suma, por falta respeito pela nossa casa.
No fim, a culpa é ‘do Passos’ ou ‘do Cavaco’, ou qualquer outro bode expiatório para alívio da má-consciência. E fica tudo na mesma, como a lesma.
Nós os emigrantes somos muito mais trabalhadores! Cada vez que vou a Portugal só vejo jovens mulheres sentadas na esplanada a fumar e a maldizer dos homens no trabalho só por estes gostarem de futebol.
É mesmo isso: somos umas lesmas! Com a mania que somos caracóis, mas não passamos de umas lesmas…
Fala port ti seu rastejante
Albino Sousa
Foi isso que fiz, falei por mim, dei a minha opinião.
És a 🦅 Victoria, não és?
Bem me pareceu.
Os países europeus não têm os mesmos problemas que Portugal porque não têm este povo.
Se os portugueses fossem todos estrangeiros, Portugal era um país óptimo para passar as férias e sem problemas.
É espantoso. A grande maioria dos comentadores, até agora, pronuncia-se como se não houvesse verdadeiros problemas em Portugal.
Esta satisfação com a mediania – para não dizer com a mediocridade – é um dos maiores problemas. Para não dizer mesmo que é o problema principal.
Calma. Há verdadeiros problemas em Portugal, é um facto.
A pergunta pertinente que também deve ser colocada é:
– Quem é que neste momento se encontra em melhores condições para resolver esses mesmos problemas?
Será que é preferível sair duma situação estável para uma situação instável?
Há que ponderar os prós e os contras, e neste momento não há nenhum partido que assegure uma liderança melhor do que o que lá está. Tem esse exemplo nos Açores.
Responder a esta pergunta com trincheiras políticas e clubite partidária é a melhor forma de não solucionar coisa nenhuma.
Há vinte anos que marcamos passo, estagnados, na União Europeia. Vendo outros países que entraram muito depois de nós na UE ultrapassarem-nos em produtividade, distribuição de riqueza e índices de qualidade de vida.
Isto acontece porque damos as respostas erradas às perguntas de sempre.
Pior que isso: acontece porque começamos desde logo por fazer as perguntas erradas. Uma delas é precisamente essa: “Será preferível sair duma situação estável para uma situação instável?”
Como já referi várias vezes não tenho nenhuma clubite partidária, e a pergunta poderá ser entendida como o receio de dar o salto para o desconhecido. Só que não é nenhum salto para o desconhecido. Os partidos existentes são sobejamente conhecidos para se esperar alguma diferença de actuação. O caso dos Açores é um exemplo, a ânsia de ir ao pote foi tão grande que até venderam a alma ao diabo.
Qual é o indício que você tem para demonstrar que aqui no Continente seria diferente?
Lá vem a clubite outra vez.
A clubite partidária consegue ser pior do que a do futebol.
Não sei quem é que tem a clubite partidária maior.
Se me conseguir explicar a escolha da Susana Garcia para a câmara da Amadora talvez eu acredite que o maior partido da oposição é a escolha acertada para ser uma alternativa a este governo.
Falo em Portugal e na Europa e você continua obcecado com a Amadora.
Isto revela muito do atraso português. Quando alguém aponta para as estrelas, há sempre quem prefira olhar para o dedo.
Eu sei que você quer ir para a guerra, mas com que exército?
Com a Garcia, Ventura, Relvas e companhia?
Dispenso, obrigado. Para melhor tá bem tá bem, para pior já basta assim.
Prefiro olhar para o dedo.
Nada cega tanto como o ódio ideológico. O fanático é mesmo assim: não desvia os olhos do dedo esticado. Seja esse dedo qual for.
Eu posso ser fanático mas não inicio uma guerra com um exército de trapalhões.
À mulher de César não basta ser tem de parecer, e se querem dar uma imagem de seriedade e de competência têm de se rodear de pessoas sérias e credíveis.
Que imagem é que transmite um líder se o seu braço direito for o batatinha e o braço esquerdo for o croquete?
“À mulher de César”?!
Mas que raio de expressão mais misógina.
E machista.
” Caesar’s wife ” está melhor assim?
Agora é que eu percebo porque é que Portugal enfrenta tantos problemas. Vá lá um gajo ser padre numa freguesia destas.
Você vai de mal a pior.
Agora deu em “amaricano”?
Caramba, antes vacinar-se com Astrazeneca.
Quem quiser as Astrasonecas que as tome, eu prefiro apanhar o vírus que esse ao menos é natural, não é fabricado com o adenovírus do macaco.
O vírus vem do cruzamento entre um morcego e um pangolim. Não é flor que se cheire.
Mas cada um toma do que gosta.
Ainda bem que você tem a certeza, e eu que pensava que o inimigo do batman era o pinguin. É melhor é não ler mais livros senão ainda fico infectado.
O problema de Portugal é pensar em grande.
Desígnios nacionais, reformas estruturais, grandes obras, consensos nacionais.
Bastaria começar a resolver os pequenos problemas, um de cada vez. Preferencialmente por quem sabe.
Como no comboio. Anos e anos a falar no TGV enquanto se desmonta a ferrovia existente. E toda a nossa estrutura ferroviária digna desse nome remonta ao século XIX. Abençoada monarquia constitucional que nos legou esta conquista, mesmo sem “fundos estruturais”.
Porque somos e continuaremos a ser, desde há muito, o país mais pobre da Europa ocidental, sem recursos próprios de relevo, sem uma geografia envolvente que puxe por nós, com endémicas, seculares e recorrentes, migrações por razões económicas, com uma administração pública e uma máquina estatal desmotivada e sem “accountability” adequada. E por sermos um país com uma auto-estima abaixo do nível do mar, com uma comunicação social medíocre, que descobriu ser patriótico “puxar para baixo”, destacar sempre o que corre mal, temerosa de elogiar seja o que for, cuidando, sempre que tem de fazê-lo, em colocar uma adversativa no fim da frase ou mesmo do título ou do “lead”. E por, também por essa via, se ter agravado a inveja perante o sucesso, a desconfiança permanente, a obsessão conspiratória, o olhar sempre para o lado, não vá o vizinho viver melhor do que nós. Somos assim, estamos assim e, francamente, vejo mal como podemos sair disto. É o país do “vamos andando”.
sem recursos próprios de relevo
Em compensação, em matéria de relevo temos muitos recursos: Portugal é um dos países mais montanhosos da Europa.
Foi por lapso que este comentário saiu “anónimo”. Nunca escrevo sob anonimato ou pseudónimo. O meu nome é Francisco Seixas da Costa
Seja bem-vindo ao debate, meu caro. Com especial conhecimento de causa, pelas funções que desempenhou.
Penso que há dois problemas fundamentais.
O primeiro e talvez o mais importante é o funcionamento das nossas instituições que favorecem o adulador, o amigo ou o familiar em detrimento do mais competente. Os melhores e mais capazes vão pastar para outras paragens (normalmente para esses países bem sucedidos). No podcast 45 graus há uma entrevista com Nuno Garoupa que se debruça precisamente sobre esta temática. Quando ouvi o programa pareceu-me fazer muito sentido. Até fui capaz de visualizar mentalmente muitas situações que vivi e assisti na minha vida profissional.
O segundo é, e lamento muito dizê-lo, uma certa mediocridade do povo português. Temos muitas qualidades. Há poucos povos capazes de receber os outros (estrangeiros, emigrantes) como nós. Mas a inveja é o nosso pecado capital. Temos muita dificuldade em assistir ao sucesso do outro.
Discordo dessa imputação negativa ao “povo português”. Aliás cada vez rejeito mais essa noção de povo, que serve para hinos nacionais mas é imprecisa e ambígua. Não por acaso, é das palavras mais usadas por demagogos e ditadores.
Em estados de Direito, fomos cidadãos. Concretos, não amalgamados ou arrebanhados em categorias abstractas.
Obviamente que é impreciso atribuir características individuais a um povo. Cada indivíduo é uma entidade. Ainda assim parece-me que há características transversais (que provavelmente não são dissociáveis dos problemas das instituições). Se não houvesse essas características transversais os personagens do Eça, por exemplo, seriam tão actuais.
Claro. Há tipologias genéricas, até ao nível do anedotário: o Eça – por blague – até dizia que Portugal era uma espécie de França traduzida em calão. Ou da vulgata política, como aconteceu há uns anos com aquele ministro socialista holandês que acusou os “povos” do sul da Europa de gastarem demasiado dinheiro em mulheres e copos.
Mas estas generalizações valem o que valem: muito pouco. No caso do socialista, não valiam nada.
Serão muitas as razões mas eu privilegiaria ser muito fácil gostar de Portugal mas muito difícil, dentro das nossas fronteiras, gostar dos portugueses.
Devíamos questionar-nos, desde logo, por que motivo os portugueses produzem muito mais lá fora, trabalhando menos horas, do que cá dentro.
Também serão muitas as razões e é profundamente errado reduzi-las à mais vulgar que é serem as empresas estrangeiras, como regra, melhor organizadas e com chefias mais competentes do que as nacionais. Haverá muitos exemplos mas a Autoeuropa basta.
Depois há factores politico-sociológicos. A governação sob ideias económicas de esquerda que está a poucos anos de completar um século, produziu por acréscimo (nem sempre era essa a intenção) uma protecção garantística do trabalhador. Cito dois exemplos:
– Já no tempo de Salazar e talvez até mais do que agora, os tribunais tinham um claro viés a favor do trabalhador (ou contra os patrões, se quiserem).
– Recentemente algumas empresas foram condenadas por controlarem o uso de telefones pelos empregados ou de meios de vigilância de imagens (alegando que se tratava de violação da privacidade).
Do primeiro exemplo resultou uma cultura de laxismo, porque os patrões não queriam sujeitar-se a uma lotaria judicial em que perdiam sempre. De facto na maioria dos processos de trabalho, o empregado foi despedido e assim, se perdesse ficava como estava, se ganhasse era readmitido ou indemnizado; já o patrão, se perdesse tinha de readmitir ou indemnizar, se ganhasse, ficava como estava mas entretanto tinha gasto dinheiro em advogados e perdido tempo com recolha de provas, com deslocação de testemunhas (normalmente outros empregados ou mesmo chefes que assim perdiam horas ou mesmo dias de trabalho).
Do segundo exemplo resultou uma cultura de abuso, com meios de comunicação e de reprodução da empresa utilizados em assuntos particulares, intervalos para café ou para fumar alargados a outro tanto de conversa com colegas, desvios de economato, etc..
Também considero importantes os motivos psicológicos (ou motivacionais). O trabalhador emigrante não só tem mais iniciativa do que o que, nas mesmas circunstâncias, optou por ficar, mas também logo adquire a noção que tem de dar o melhor para não ser descartado. A sua própria fragilidade no novo contexto, seja por instinto de sobrevivência ou por ambição de triunfar, conduz a um empenhamento superior ao que teria na origem.
Esqueci-me de preencher a identificação.
O maior problema de Portugal é a falta de responsabilidade/responsabilisação. Vivi lá fora e asseguro-vos que não nos faltam recursos ou meios para tornar Portugal num excelente país. Temos clima, paisagem, recursos marinhos e terrestres que bem geridos e valorizados poderiam ser fontes de rendimento para muitos. Temos muito bons profissionais apesar da educação básica obrigatória continuar a centrar-se na formação teórica ou académica.
, não são valorizadas pela maioria dos portugueses.
O que emperra tudo são meia-dúzia de grupelhos que se dizem donos do país, que usam um sistema eleitoral viciado que não atrai gente mais responsável, uma justiça manhosa e pouco confiável, burocracia em cima de burocracia que incita à corrupção, e a falta de responsabilização dos que nos prejudicam em nossa representação. Lá fora também há meliantes e corruptos mas quando são identificados são logo postos fora dos lugares de responsabilidade e são obrigados a reparar os danos sempre que possível.
Ninguém gosta de pagar impostos, mas para rendimentos baixos como existem em Portugal o valor dos impostos é excessivo. Há pouco investimento em qualificação técnica, talvez porque a maioria dos docentes não será capaz de ir além da cartilha do ME. A saúde é o que se sabe apesar de estarmos melhor que noutras paragens. E as profissões, para além de médico, advogado, engenheiro e jornalista
Porque lá fora as regras da empresa e do contrato são para cumprir, senão perde-se o emprego e é mais difícil encontrar outro sem as referências de bom trabalhador. E não são os diplomas o mais importante mas o que sabes realmente fazer e se és capaz de resolver os problemas ou tarefas para que foste contratado.
O salário condigno e suficiente para viver acima do nível de pobreza também faz a diferença.
Podia dar vários exemplos de jovens que em Portugal não passavam do salário mínimo em trabalhos precários que emigraram, e mesmo passando algumas dificuldades no início tiveram o seu esforço e capacidades reconhecidos. Presentemente conseguem sustentar as famílias sem se preocuparem se vão chegar ao final do mês com dinheiro suficiente para alimentar os filhos ou pagar as contas.
Não sei se será geral mas a emigração no território europeu é feita em família. Dantes ia o chefe da família e ficavam os filhos entregues ao cuidado da mãe e dos avós. Agora vão as três gerações. Os avós vão para cuidarem do netos, pois as creches são caras, e para apoio doméstico. Por vezes trabalham-se 18 horas por dia/sete dias por semana e não sobra muito tempo ou energia para cozinhar e limpar. Mas ganha-se o suficiente para sustentar toda a família e ainda sobra para a poupança.
Porque não são saloios nem benfiquistas nem estão presos ao passado ultramarino. E têm muito menos comunas.
Esquecendo a típica característica de qualquer “pergunta de 1 milhão”, da questão colocado no “post”, a única resposta que me ocorreu foi a de que, qualquer tuga, está sempre convencido de que “a grande maioria dos seus conhecidos (familiares/vizinhos/colegas/amigos) não tem os problemas que ele hoje (ontem e amanhã) enfrenta”.
Um perfeito exemplo disso, quanto a mim, é o trauma nacional com a emigração: reza a ladainha nacional, entre a lamúria e um certo orgulho que, em cada esquina do mundo, há portugueses humildes, sacrificados, bonzinhos e etc, “com certeza”… bom, aqui na cidade onde resido – segundo um funcionário da nossa embaixada – até, de facto, há um outro tuga (que não o conhecendo até não existe!) mas, da minha experiência, a do meu bairro, onde há mais de dezena e meia de expatriados “ocidentais” (a vasta maioria alemães, ou germanófonos, um italiano e até mesmo um australiano), todos eles estão por aqui porque, no seu país de origem – confessam eles – não conseguem sobreviver por lá, com o que lhes restou na velhice.
Porque não têm o Benfica, a Nossa Senhora de Fátima e o Fado.
A principal razão é ser um país dominado por retornados — e outra gente miscigenada — e enquanto não tirarem tudo para eles não sobra para mais ninguém.