Uma metáfora do regime


josegomesandre,

Glória Araújo, deputada do Partido Socialista (PS), foi detida na passada sexta-feira em Lisboa, por conduzir com excesso de álcool no sangue (2,41 gramas por litro), bem acima do limite a partir do qual esta infracção é qualificada como crime (1,2 g/l). […] A deputada foi detida numa operação stop no centro de Lisboa às 3h20 da madrugada e foi depois notificada para comparecer perante o Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, desconhecendo-se o resultado da audiência com o juiz. […] a deputada socialista faz parte da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação […]. A nível partidário, integra a comissão nacional do PS. Glória Araújo já participou até em acções sobre a segurança na estrada, como a Comissão Interparlamentar da Segurança Rodoviária (Setembro de 2008) e um encontro com empresários em Lousada para debater a Estratégia Nacional para a Segurança Rodoviária (Março de 2009).

 

Deputada há 8 anos. Membro da Comissão para a Ética. Dinamizadora de acções sobre prevenção rodoviária e segurança na estrada. Conduz com excesso de álcool, com quase o quíntuplo permitido por lei. Perfeito. Ainda chega a ministra dos Transportes.

11 comentários em “Uma metáfora do regime”

  1. Diz que ficou muito desgostosa por não ter sido convidada para o jantarinho de Pinto de Sousa com Estrela e mais uns poucos.

  2. Meu caro, o rei David cometeu crimes e violou a Lei que tinha de defender, e no entanto continua a ser o ícone dos reis de Israel e foi o ungido de Deus e o seu preferido.
    Deixe lá a moça: era o dia do seu aniversário e até em Canãa se bebeu demais pois que se acabou a reserva da adega do dono da casa. E o que fez a Virgem? Condenou? Não, mandou que se fizesse mais vinho.
    “…Que o bebam,
    que recordem em cada
    gota de ouro
    ou copo de topázio
    ou colher de púrpura
    quem trabalhou no outono
    até encher de vinho as vasilhas
    e aprenda o homem obscuro,
    no ceremonial de seu negócio,
    a recordar a terra e seus deveres,
    a propagar o cântico do fruto.” Neruda

  3. Ora, não sei se na Engenharia Mecânica se aprende a técnica mas a Observação Participante pode ser de grande importância, quando se querem conhecer a fundo determinados fenómenos. Se a senhora já não é membro da Comissão Interparlamentar da Segurança Rodoviária (e se é que esta ainda existe) deviam voltar a convidá-la. E, em trabalho, às 3.20, até é de elogiar…

  4. Este post é uma desilusão por estar neste blog.
    Há blogs especialistas no achincalhamento pessoal de figuras públicas, que nem é muito o caso desta deputada. Este novo paradigma que querem impôr de uma conduta ascética de quem tem funções públicas. Para si quem desempenha um cargo político deve ser um indíviduo puro, alvo e sem mácula. Este novo paradigma quer levar as pessoas a serem amorais. Moral ou ética são definições que perdem sentido num mundo tão limpo e branco como o querem fazer ser. Ou então a culpa é do Sócrates.

  5. já ouvi a gente do costume dizer que “errar é humano” e etc.

    claro que é humano, mas não tem desculpa.

    ou a senhora não está a par das suas responsabilidades como eleita e representante de todos nós, no parlamento?

    penso que não exagero ao dizer que a maior parte de nós, sem sermos deputados ou ministros, éramos incapazes de pegar num volante com esta “gramagem” de álcool no sangue.

  6. Por uma vez não concordo contigo José. A sra. deputada bebeu uns copos a mais na noite do seu aniversário. Foi extremamente imprudente em conduzir nesse estado. Cumpra-se a lei sem ressalvas. Do ponto de vista político – so what?

  7. Um qualquer deputado de um daqueles países de que nós invejamos a qualidade de vida, leia-se Norte da Europa, se lhe acontecesse um caso ainda que parecido, de certeza que resignaria ao cargo. É que naqueles Países (com P grande) o exemplo vem sempre de cima. E quem admitir que os governantes têm o direito de errar desta maneira , considero que não tem razões para exigir o que quer que seja do Estado.

    1. Mas nesta terra de anedota não resignou, não pediu sequer (e imediatamente) o levantamento de uma eventual imunidade parlamentar e tem sido noticiado que é o MP que vai fazer essa diligência… Total falta de vergonha de quem foi apanhada com uma taxa de alcoolemia dupla do limite a partir do qual é considerada CRIME.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *