Através do Jornal de Negócios chegam notíficas frescas sobre o que é que quem efectivamente governa o país exige aos tugas cá do bairro. Aí vão:
FMI diz que chegou a hora das reformas “inteligentes”
Função Pública volta a ser a mais visada no corte de quatro mil milhões
FMI sugere cortes até 20% nas pensões e subida da idade da reforma
Subsídio de desemprego continua demasiado longo e elevado
Cortes na Função Pública devem atingir salários mais baixos e serem permanentes
Dois anos na mobilidade especial pode conduzir ao despedimento
FMI admite dispensa de 50 mil entre professores e pessoal auxiliar
Governo tem margem para voltar a subir taxas moderadoras na Saúde
FMI sugere delegação de competências de ensino nos privados
FMI aponta baterias a forças militares e polícias portugueses
Gosto especialmente da última parte em que o FMI aponta as baterias às forças militares portuguesas. E a nossa tropa fica-se? Contra o FMI, marchar, marchar.

Se há dias em que a patetice, a submissão, o servilismo e a incompetência me chateiam, este é um deles!
Assino por baixo, cara loira.
E temos que aturar esta gente, servi-la, bajula-la, credencia-la…
Muito bem, seguirei a ordem apresentada:
1 – Bem, o FMI, juntamente com os restantes parceiros, declara a sua burrice. Veja-se no Grrowth Forecast Errors and Fiscal Mutipliers, aqui:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2 013/wp1301.pdf
2 – Depois de arrasarem com a produção, pela quebra do consumo, estão a fragilizar ainda mais retirando àqueles que ainda podem “equilibrar” a pouca produção (esquecem que na função pública estão, directa e indirectamente, cerca de 700 mil consumidores). Lindo, “inteligentes” (com aspas);
3 – Sim, parece ser “inteligente” (com aspas), mas primeiro é necessário subir para poder cortar;
4 – Pois é, estes gajitos entendem o subsídio como um encargo para o estado. Mas esquecem um pormenorzito muito importante: aquilo que o estado paga como subsídio não corresponde efectivamente ao valor pago, ou seja, paga muito menos. Então vejamos, um subsidiado paga casa (arrendada ou não, não importa) e contribui com a estabilidade para o que recebe e através deste que, por receber, é também consumidor vai cobrar impostos; o subsidiado alimenta-se, gera riqueza no supermecado e paga iva, por sua vez o dono do supermercado gera emprego e o estado cobra impostos aos donos e também aos empregados dos donos, e por aí fora. Se contabilizarmos o que estado recebe de impostos por cada desempregado subsidiado verificamos que o saldo se aproxima de valores nulos. Mas os “inteligentes” (com aspas) são demasiado burros para ver isto;
5 – “Continuamos na onda da inteligência;
6 – Significa isto que os tipos querem desemprego, mas depois de se cortar no subsídio de desemprego e no valor das indemnizações;
7 – Já sei, os gajos vão introduzir o ensino electrónico;
8 – Eu logo vi que as taxas moderadoras não estavam aí para moderar nada. Como houve quebra nas receitas, os “inteligentes” voltam à carga (é mais um imposto);
9 – Estava visto que era por aqui que eles queriam ir. E na sáúde já começam os “seguros” a partir de 6,00 euro/mês; tudo depende do que se parte;
10 -Bem, a uniformização do SNS, com a integração das forças militares, militarizadas, mas também os subsistemas da justiça e etc., não está mal visto. Acontece que se o fizerem agora vão tapar outros buracos e todos ficarão sem pêlo e sem assistência condigna.
Em suma, eles continuam “inteligentes” e têm um sentido de oportunidade único.
Está a aproximar-se a hora da verdade, e o caro anónimo está carregado de razão. Mas, certamente por esquecimento, não colocou no seu comentário um 11º item: onde é que se vai buscar o dinheiro para pagar as despesas que os malvados, inoportunos e pouco inteligentes (sem ironia) funcionários do FMI querem cortar.
Depois de ano e meio de troika, ainda há quem se surpreenda com coisas destas. É a isto que normalmente se chama “as gorduras do estado”; nós é que estávamos convencidos que eram outras coisas, mas essas coisas são peanuts.
Se não forem estes a fazê-lo, outros serão. Só que nessa altura, vai-se chamar “Memorando da Troika 2”.
Um ilustre autor do defunto e saudoso Albergue Espanhol, disse num post que lá escreveu pouco tempo antes de Socrates pedir ajuda à troika: “tenham medo do que aí vem; muito medo…” parece que ele não se enganou. Isto é mesmo muito assustador!
Caro Alexandre, começo pelo final de seu comentário:
Ainda assim prefiro acturar o FMI a aturar Sócrates; e mais não digo porque sou capaz de escrever o que não quero. Por caridade fico mesmo por aqui.
Se continuarmos a olhar para Portugal como uma ilha isolada, para quem o mundo existe para ser descoberto, o que o Alexandre afirma é verdadeiro. Acontece que nem Portugal é uma ilha nem o mundo está para descobrir.
Significa isto que a Europa tem muito a perder se Portugal entrar em de ruptura de pagamentos e, por isto mesmo, chantagear os seus ditos parceiros para um perdão da dívida.
A política “” pelo FMI, para quem esteja atento, só pode significar que nos dão o perdão da dívida se virarmos isto do avesso.
Não tem outra leitura. Técnicamente o estudo é delirante e esquizofrénico, porque lança o caos no país e também na Europa. Quem está por detrás do FMI?
A Grécia foi mais inteligente, porque manteve bens, adiando a sua alienação, criou o caos político e social, e beneficiou de dois perdões, mais o dinheiro que recebeu.
Infelizmente, se avançarem com isto, estão a colocar-nos entre a espada e a parede: garanto-lhe, tendo em conta os dados históricos, que vamos escolher a espada. Não porque eu queira isto, mas porque a ciência social diz que é assim mesmo que acontece.
Deixo agora o meu palpite, a Europa não tem outra solução que não a de vir em nosso auxílio. O ataque ao euro foi um ataque a todos, se Portugal cai outros cairão.
Todavia, concordo com o que diz sobre a hora da verdade se aproximar; olhe que essa verdade estender-se-á ao mundo inteiro.
Por favor, leia-se: A política “sugerida” pelo FMI…
Caro anónimo, olhe que as coisas já não são o que eram há seis meses atrás. E se o SPD alemão andou a dar uma no cravo e outra na ferradura, e estou a lembrar-me por exemplo do discurso do Helmut Schmidt no congresso do partido, agora que se aproximam as eleições está a mudar a conversa, a ponto de ameaçar vetar o resgate ao Chipre. Não nos podemos esquecer que está em causa muito dinheiro dos contribuintes alemães.
E nós Portugal, cantinho posto à beira-mar pelo Todo-Poderoso, com o nosso peso de 1,2% nesta engrenagem que é a UE, somos perfeitamente descartáveis. E continuo na minha: andam todos a berrar que o FMI quer acabar com o estado social em Portugal, mas ainda não ouvi nenhum desses dizer onde é que vai buscar o dinheiro para manter este estado de coisas. Continuamos a assobiar para o lado à espera que os outros venham resolver, e pagar, os nossos problemas; mas isso acabou.
Este relatório do FMI, e os outros que se vão seguir, da OCDE e de outras organizações internacionais , querem dizer isso mesmo. Se queremos fingir que não percebemos, então estamos pior do que eu pensava.
Caro Alexandre, antes de mais permita-me dizer-lhe algo que considero relevante (não vá eu esquecer-me). Sem qualquer preconceito de classes e sem qualquer fobia à riqueza, o estado social neste país centrou-se na banca, nas finanças, nos interesses de construtoras, nas corporações que emperram o desenvolvimento social, político, jurídico e económico. Foi aqui, neste corporativismo insano, que se notou grande desperdício (não será necessário, por exemplo, lembra-lhe que já vamos em cerca de 8 mil milhões num só banco, sem falar no que a CGD, todos nós, teve que aí “investir”). O RSI, Rendimento Social de Inserção, assim como os recursos que deveriam ter sido canalizados para o dito estado social, está no estômago de muitos destes e não daqueles que necessitam. Eu não me vou alongar porque não quero cair em situações de “linchamentos”. Agora devemos concentrar esforços noutras matérias, a necessidade de sobrevivência é de todos.
Quanto à Alemanha, sabe o caro Alexandre que em matéria eleitoral os políticos alemães não divergem de todos os demais. Não se surpreenda com os discursos pré-eleitorais.
Dinheiro dos contribuintes alemães, diz o Alexandre. Que eu saiba esse dinheiro dos contribuintes alemães está a ter um retorno com lucros do arco-da-velha. Eu não consigo entender que o facto de termos contraído um empréstimo nos torne forçosamente em eunucos, incapazes de escolher o nosso destino. E se é empréstimo, o “favor” é pago com língua de palmo.
Por outro lado, somos nós que estamos a pagar, mas são os outros que estão a agravar os nossos problemas.
Desculpe colocar a questão desta forma, que não tem nada que ver consigo: Quando seremos capaz de crescer, deixando a infantilidade, e assumirmos que nós sabemos fazer contas e encontrar soluções? Só precisamos de tempo: para recuperar a economia paulatinamente, introduzir reformas que não lancem o país para o caos, para segurar o euro… (olhe que estamos a segurá-lo a um preço tal que até a Merkel, Sarkozy e tantos outros tudo fizeram para que nos mantivéssemos neste caminho. Sabe porquê? Para que eles sobrevivessem também e tivessem tempo de arrumar alguns de seus “armários”).
O propagandista de Hitler afirmou que uma mentira dita mil vezes se transformaria numa verdade. A mentira propagada desde o início desta crise foi a de que a culpa era dos portugueses, que tinham gasto muito (já referi aonde estão os gastos, sem ter que bater na tecla das PPP´s. Tive que bater agora). Ao contrário do que aconteceu na crise que depois levou o mundo a embrulhar-se, aqui em vez de termos um NEW DEAL temos a política do NO DEAL.
Nota: Deixe que o Chipre vai ser resgatado, e bem resgatado. Com o problema na Síria, com perca de influência dos Russos naquela área, os EUA e a Europa não terão outra alternativa que não a de os socorrer, ou então teremos uma base Russa na área do mediterrâneo. Viu bem que a política também é geoestratégica?
“Função Pública volta a ser a mais visada no corte de quatro mil milhões”…. “Volta a ser a mais visada”… Então queriam que fosse quem?
Tenho apenas estado a ouvir na radio (estive ontem e hoje no Porto). O relatório diz o que – quem tem um palmo de testa e depois de pegar num OE qualquer – sabe há muito: cerca de 3/4 da despesa do Estado são “despesas com pessoal” e “contribuições sociais”. Querer equilibrar as contas do Estado sem fazer um corte vertical, um que diminua a pegada do Estado – o que implica repensar seriamente o que dele queremos e que estejamos dispostos a pagar – é fingir que se está de facto a fazer algo consequente. Eu sempre atirei o número 100 mil para o ar, e parece que não estava redondamente enganado. O problema é o aparelho PS-PSD que puxa pela trela assim que o cãozinho PM do momento der mostras de querer fazer algo a serio. Resta a esperança que as pressões externas -fazendo uso da alavanca dinheiro – sejam maiores que as internas.
Sobre este tema, do Antologia de Ideias, ofereço a comentarem:
“Portugal: Que Estado Queremos?”
http://wp.me/pAYY8-aO
“Pensar País*”
http://wp.me/pAYY8-8C
E, infelizmente tão velho quanto actual:
“Orçamentos e Equidades”
http://wp.me/pAYY8-39
O Autor as.wordpress
Antologia de Ideias
Facebook: https://www.facebook.com/antologiadeidei
WordPress: http://antologiadeideias.wordpress.com
não há salvação possível para este país: estamos já no fundo e agora vamos a pique para o inferno!
“Depois de arrasarem com a produção, pela quebra do consumo”
Então para si o nível de consumo era perfeitamente natural, isto com défices de mais de 10%…
-o que quer dizer que o Estado pedia emprestado mais de 20% do gastava-
Resumindo mais um que diz que o aspecto central da teoria económica de José Sócrates estava certa…mais défice mais dívida. E que Sócrates não se deveria ter demitido.
O facto de ter duplicado a Dívida e os juros já estarem a 6-7% por essa causa não conta…
Acho muito bem que a troika vá embora com o dinheiro, aí quero ver você a falar de “quebra do consumo” a sério…
Penso que confunde consumo com despesismo e má gestão. O consumo a que me referi diz respeito ao das famílias (pão, saúde, habitação). O pão compreende vários sectores: agricultura, pescas, pecuária, indústrias transformadores, incluindo as panificadoras, que giram em torno destas actividades e consequentes serviços, nomeadamente, entre outros, o de manutenção e peças. Se reparou estamos perante uma área crucial do consumo e do emprego sem esquecer as restantes indústrias e serviços que giram também em torno destas actividades, nomeadamente a dos fertilizantes, fabricantes de apetrechos para barcos e também os da alimentação animal (entre outros, leites de substituição, probióticos etc.).
Se usar o mesmo raciocínio em torno das demais áreas cruciais, por exemplo, em torno da construção, giram serviços e fabricantes (móveis, cabos eléctricos, tijolos, telhas, cimentos, transportes, madeiras, telecomunicações, informática…), verificará que escrevo sobre o consumo que agora quebrou, inclusivamente em torno da alimentação.
Fazer uma reforma no estado, com sanidade, só é plausível se for equacionada a fórmula que permita, no que é crucial, manter a economia minimamente funcional.
A Suécia, ao atravessar a sua grave crise, a verdadeira reforma que implementou foi a de reduzir a carga de impostos ao seus cidadãos. Assim, permitiram o consumo e saíram “rindo” da grave situação que sobre eles se tinha acometido.
No caso português as fórmulas preconizadas vão de insucesso em insucesso. E não me venham com as estorietas do tempo, porque o tempo, neste caso, revela que de véspera morre o perú.
Por último, o aumento do consumo interno, e não externo, só poderá originar investimento em desenvolvimento produtivo. Repare que Portugal que antes era deficitário em azeite já não o é. Se conseguirmos desenvolver, entgre outras, a nossa indústria de pescas também seremos capaz de desenvolver uma boa indústria de frio, para armazenamento e distribuição de pescado, e, consequentemente, também podermos desenvolver um útil sector de transportes frigoríficos que coloquem o nosso pescado rapidamente em Espanha e noutros países. Todavia, nós que temos a maior costa europeia, e a maior zona piscatória, estamos tolhidos na nossa capacidade de gerar riqueza.
Por outro lado, a Europa enfrentou um ataque fortíssimo à sua moeda; Portugal na defesa deste núcleo, para evitar o efeito dominó, tem hipotecado o próprio estômago para que outros não sejam gravemente atingidos: Esta luta é de todos, todos somos responsáveis por um destino que é comum.
Qualquer dúvida, não hesite em vir à fala.
E não se podem exterminar?
Não querem ter um país socialista, descaracterizado e tendencialmente tropical, como está na Constituição? Então paguem para isso. É bem feito.