E se Pedro Passos Coelho convidasse Teixeira dos Santos para Ministro das Finanças? Vamos assumir que a enorme probabilidade de o próprio não aceitar não se concretizava. Seria, sem dúvida, uma medida muito arriscada, em termos de capital político. Porém, numa altura em que os prazos para o cumprimento das medidas da Troika são apertadíssimos, um Ministro que não necessitasse de adaptação seria uma mais-valia substancial. Por outro lado, Teixeira dos Santos, não obstante algumas derivas noutro sentido nos últimos anos, continua a ser eminentemente um técnico, mais do que um político, pelo que, creio, poderia alinhar no programa do novo Governo. O principal problema seria, sem dúvida, a imagem pública do Ministro, desgastada pelos últimos anos de crise. Todavia, mesmo neste caso, creio que os últimos meses demonstraram que Teixeira dos Santos já tinha visto o filme há muito tempo (no mínimo desde a célebre frase dos 7%), tendo sido impedido por Sócrates de agir atempadamente. Resumindo, Teixeira dos Santos não seria, em condições normais, pelo que já se viu dele, a melhor escolha. No entanto, creio, nestas condições muito particulares, poderia ser uma escolha acertada e corajosa, ganhando em experiência e conhecimento da arquitectura do ministério face a outros candidatos à partida mais capazes. Um pouco como Robert Gates nos EUA, que transitou para o Governo de Obama para terminar o processo das guerras no Iraque e no Afeganistão (embora, claro, as situações não sejam completamente comparáveis).
Uma ideia amalucada
José Maria Gui Pimentel,

Posso-lhe indicar-lhe um bom médico, quando quiser.
A ideia não seria “amulacada” se fosse Campos e Cunha o escolhido, e este aceitasse. Aí sim, seria uma jogada de mestre. Mas duvido que o homem esteja pelos ajustes e PC arrisque.
Essa escolha não seria nada amalucada.
Faço minhas as palavras de Luis Antunes…
Traduzam-me, se faz favor, para portugues corrente, a defesa da indigitação para ministro do “pior ministro das finanças da história da democracia portuguesa”.
Não.
Ok?
Pois eu não acho a ideia nada amalucada. É inviável, claro, mas seria uma jogada de mestre de PPC.
Obrigado, Ana. Mas olhe que a reacção que aqui se gerou mostra bem (ou não) que a ideia, se não é amalucada de todo, é pelo menos completamente inviável, em termos de opinião pública!
O problema é mesmo esse, Zé Maria: a face pública. Não fora esse “pequeno pormenor” e a tua ideia seria acertadíssima.