Uma galambada pegada


Sérgio de Almeida Correia,

(Gerardo Santos/Global Imagens)

Os rocambolescos episódios que têm acompanhado o XXIII Governo dariam uma óptima comédia “à italiana”, não fosse dar-se o caso da situação nacional e internacional ser tudo menos o cenário ideal para uma coboiada.

Os mais recentes casos envolvendo o ministro Galamba e a sua entourage, quase fazendo do despedido Pedro Nuno Santos um menino de coro, mostram bem como o “socratismo jotinha” continua a enxamear o PS. A garotada que António Costa levou para o Governo pode ter frequentado todas as universidades promovidas pelo partido, ter feito a escola dos gabinetes e do parlamento, mas não aprendeu rigorosamente nada.

E o que se está a ver é que transformou o Executivo, com a bênção do primeiro-ministro, numa extensão de um congresso da JS, dominado por fédayins que se digladiam entre si para conseguirem os melhores lugares à mesa.

A falta de senso de que no passado deram mostras aconselharia a que não passassem da sala de visitas de qualquer ministério ou secretaria. Ao invés, deram-lhes palco e estatuto. Os resultados estão à vista dos portugueses, não havendo maneira de disfarçar a sua mediocridade, enquanto o país assiste a mais um deprimente espectáculo de incapacidade governativa, de falta de autoridade política, de ausência total de sentido de Estado, numa galambada pegada pela qual os únicos responsáveis são o primeiro-ministro e a Direcção do PS que ao longo dos anos acarinharam aquela garotada inepta parida pelo socratismo.

Mário Soares se fosse vivo estaria naturalmente siderado com o que se está a passar e já teria dado dois berros para correr pela porta dos fundos aquela catrefada de putos mimados e pseudo-políticos mal formados, que se propõem resolver os problemas aos gritos e ao murro. Figurantes sem consistência, sem estrutura ou estatura ético-moral para integrarem qualquer junta de freguesia; quanto mais um governo da república.

Numa terra sem uma oposição capaz, com uns aparentados de seminaristas a estagiarem à frente das bancadas parlamentares, em que o panorama mais provável, se o PSD chegasse ao governo, seria a reedição do que estamos a viver, substituindo-se apenas a miudagem da JS pelos “agilizadores” da JSD e afins, e com um Presidente da República que dá provas de desnorte, sem saber como há-de levar o seu mandato até ao fim, resta aos portugueses a esperança de que António Costa ainda seja capaz de, por uma vez, correr com a galambada instalada, fazer uma remodelação decente (não é difícil), não continuando a queimar cartuchos, e poupando aquela meia-dúzia de ministros que ainda consegue segurar as pontas e manter o país a funcionar sem grandes ondas.

Mais do que nunca, Portugal precisa de um governo de combate, com gente íntegra, sensata e madura, que deixe de dar diariamente argumentos aos partidos que o querem apear. Enfim, dispensando-se de uma vez por todas aqueles tarecos e jericos de que António Costa se rodeou, e que têm transformado a maioria absoluta num horrível espectáculo, no pior e mais deprimente que um mau infantário pode produzir numa festa de Carnaval.

Não há filme de terror que possa durar sempre. Haja dó.

18 comentários em “Uma galambada pegada”

  1. > Mário Soares […] já teria dado dois berros para correr […] pseudo-políticos mal formados, que se propõem resolver os problemas aos gritos

    Ah … OK. Felizmento o estilo “principezinho mimado” não faz parte do ADN da organização. De todo.

  2. Do que me lembro dos últimos actos politicos do sr Soares aconteceu por sua iniciativa um movimento dentro do PS para substituir o sr Seguro pelo actual secretário geral e inquilino de S.bento. Pronto, agora vou ver aqui a novela mexicana que gravei ontem, nada como o original.

  3. Curiosa proposta — o que é que o faz pensar que António Costa, que não teve lucidez até aqui, ia ter lucidez a partir daqui? É porque ele é também um dos ineptos, aquele que ao longo deste tempo defendeu aquelas pessoas, que desde o seu governo na CML construiu uma maneira de nunca fazer nada (a não ser tomar decisões erradas) e que subjugou o Estado aos caprichos do PS infectando todos os departamentos e todas as instituições da república de uma tropa infinita de galambas. Infinita porque são os únicos que podem ter filhos e portanto o que há será sempre para os seus descendentes porque a famiglia vem primeiro e são tantos que nunca chegará a outros.

    Ainda não perceberam que o país está parado? E destruído?

  4. O socratismo nunca acabou, antes foi dissimulado no costismo. No fundo o mal não está na cabeça mas em todo o corpo, não foi Sócrates ou é agora Costa o verdeiro mal mas sim o partido que permite e estimula este tipo de gente ao leme. O PS é hoje um cancro terrivelmente maligno e, se o país não se põe a pau, as metástases irão levá-lo ao abismo.

  5. ” e poupando aquela meia-dúzia de ministros que ainda consegue segurar as pontas e manter o país a funcionar sem grandes ondas “

    Acho que se enganou ao escrever esta frase, quanto ao resto tem razão mas é o que temos.
    O governo tem maioria absoluta e penso que deve levar o seu mandato até ao fim implementando o seu programa que foi sufragado pelos portugueses sob de se desvirtuar ainda mais a democracia.

  6. Não concordo que eles não tenham aprendido nada do que lhe ensinaram. Pelo contrário, aprenderam tudo, e bem, tudo o que foram vendo fazer e tudo o que lhe garantiram ser normal.

      1. (..) aquilo é tudo gente mal formada (..)
        Mas nos blogues e noutros lados é tudo gente bem formada. Como é possivel?
        Muitos bloggers criticam tudo e todos, mas e eles?
        Quem ainda acredita que muitos bloggers estão preocupados com os outros ou com o país?

  7. “Fazer uma remodelação decente” é, ao contrário do que afirma o post, muito difícil, porque há cada vez menos gente de qualidade disposta a fazer parte do Governo, tais são as implicações de tal pertença – controles sobre as pessoas e sobre todos os seus familiares até ao n-ésimo grau.

  8. É isso mesmo, é tempo de correr com a miudagem que não sei se algum dia vão aprender alguma coisa. porque o tempo em que deviam ter aprendido o básico, já passou.
    Mas o problema é muito maior do que isso, é a falta de alternativa a “resta aos portugueses a esperança de que António Costa ainda seja capaz de, por uma vez, correr com a galambada instalada, fazer uma remodelação decente”, sob pena de vermos mais do mesmo com novos protagonistas.

  9. “Numa terra sem uma oposição capaz, com uns aparentados de seminaristas a estagiarem à frente das bancadas parlamentares, em que o panorama mais provável, se o PSD chegasse ao governo, seria a reedição do que estamos a viver, substituindo-se apenas a miudagem da JS pelos “agilizadores” da JSD e afins”
    Como refere e muito bem, este é o motivo do desnorte do PR e a razão pela qual cada vez menos gente vota!

  10. “Portugal precisa de um governo de combate, com gente íntegra, sensata e madura, que deixe de dar diariamente argumentos aos partidos que o querem apear.”

    Essa gente só vai aparecer qd pararem de votar. Até lá, a estrutura será uma rapsódia, onde em cada retalho se alojam os oportunistas.

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