Uma época para pôr filmes em dia


João Pedro Pimenta,

Este fim de semana, graças ao “recolher obrigatório”, consegui cumprir uma proeza há já muito desejada: ver o Lawrence da Arábia até ao fim. Um filme de quase quatro horas, com uma espectacular fotografia, daqueles que se vêem melhor no grande ecrã, coisa que implicaria também aí uns três intervalos no cinema (hoje já raramente há um).

Já não vou a uma sala de cinema desde Fevereiro, mas acho que nunca vi tantos filmes como este ano. Vida mais caseira oblige. De obras clássicas como a citada, ou o “Dr Jivago”, também realizado por David Lean, ou ainda “A Janela Indiscreta”, “Blade Runner” e “Os Três Dias do Condor”, até ao “The Hangover” – parte 3, “Dumb and Dumber”, ou às últimas Missões Impossíveis, passando por algum cinema português de décadas passadas, como a exibição dos filmes de José Fonseca e Costa que a RTP tem vindo a fazer, e “clássicos modernos” que me faltavam, (“Forest Gump”, Signs”, “A Noiva Cadáver”, etc), tenho visto de tudo e ainda me faltarão algumas fitas que queria ver este ano. A TV por cabo, a possibilidade de gravação, a Netflix e os DVDs é que têm permitido esta saciedade cinematográfica sem sair do sofá.

 

Com esta bagagem variada, daqui a uns tempos ainda me dá para fazer crítica de cinema. Tendo em conta que a maior parte dos críticos parecem estar sempre a escrever uns para os outros, com um vocabulário muito deles, tratando os filmes como se fossem ensaios filosóficos e não narrativas, e aquele mau hábito de descrever o desfecho (“e na última cena do filme, quando, antes de morrer…”), acho sinceramente que não faria pior figura.

 

11 comentários em “Uma época para pôr filmes em dia”

  1. Vi o Dr. Parnassus, vou rever o Barão (era criança quando vi no cinema) e já tenho preparado para ver o Brazil (apropriado à época)

    1. Magnífico, Pedro. Com pormenores que não me tinham ocorrido, como a total ausência de mulheres no filme (tal como na vida de Lawrence). O protagonismo do deserto, esse,é indesmentível, como já me tinha apercebido (vi em tempos partes do filme, mas nunca o tinha visto por completo).

    1. Atreva-se à vontade, caro JSP. O Terceiro Homem já vi há alguns anos (tinha lido o livro pouco antes), precisamente na altura em que morreu Alida Valli, que aqui subiu uns degraus na sua carreira, e com aquele diálogo com Welles na roda do Prater, que não consta da obra escrita – ainda que Graham Greene tivesse contribuido para o argmento.

    1. Obrigado, caro anónimo. A Filha de Ryan já tinha visto. Não tenho visionado muito cinema espanhol por falta de oportunidade, mesmo que tenha havido recentemente uma retrospectiva de Buñuel. Simplesmente era em junho e não tenho grande apetência para estar na sala de máscara.

  2. Aproveite para ver alguns filmes da nova comédia francesa, que estão a passar no tvcine emotion.
    Poucos lhes dão importância, mas são deliciosos.
    O sempre presente Christian Clavier e o mais recente Danny Boon, têm-me feito ficar muito mais bem disposto.
    Outra das vantagens dos vários canais por cabo, poder sair das limitações do cinema americano e inglês.

    1. Boa sugestão. “Sempre presente” é algo que se pode mesmo atribuir a Clavier, ao menos num universo francófono: Astérix, Napoleão, etc. Não tenho os tvcine, conheço alguma coisa da actual comédia francesa, que aliás continua um pouco a tradicional comédia de costumes gaulesa de há várias décadas, mas confesso que o universo de antigos actores como Louis de Funés e Fernandel é-me mais familiar.

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