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Parece-me haver aqui uma enorme contradição. Mais uma. O Governo mantém fortíssimas restrições à presença de público nas bancadas dos estádios – onde só um terço dos lugares podem ser preenchidos – enquanto decretou a partir de ontem o fim dos limites da lotação dos transportes públicos, que voltam a andar à pinha após ano e meio de drástica contenção.
Tenho dificuldade em descortinar um fio de lógica entre duas medidas tão díspares. Será mais provável alguém – mesmo exibindo certificado digital à entrada – ser contagiado com Covid-19 num espectáculo desportivo do que se for entalado entre dezenas de pessoas num transporte público onde ninguém pergunta a ninguém se já tomou vacinas?
Enfim, a meu ver isto apenas confirma o preconceito do Executivo relativamente ao desporto. Nada a que não estejamos habituados.

A pandemia é um fartote para ‘o gosto de mandar’!
Esta malvada pandemia, provou “cientificamente” que a lógica é uma batata.
Olhe para os hotéis.
Apresenta um teste à entrada (ou faz lá). Faz o registo para passar uma semanita de férias. Nunca mais faz teste nenhum, e entra e sai dezenas de vezes.
Irracional.
Melhor que a restrição dos testes e certificados apenas ao fim de semana não há. Como se numa zona turística houvesse mais ou menos clientes a um Sábado ou a uma Segunda.
Há uns dias estive numa zona de cafetaria em que, para tomar café não necessitava do certificado, mas para comer já precisava.
O vírus é muito selectivo, como sabemos.
Que motivação adormecida sirva de rastilho para inflamar indignação acumulada.
Não foi, afinal, este governo que afirmou repetidamente e com várias vozes, depois de acusar as máscaras de ineficazes e de garantir que as máscaras seriam a salvação do mundo, não haver nenhum caso de infecção associada aos transportes públicos? Pelos vistos, quando analisaram os infectados, nunca encontraram um vírus com passe ou bilhete de metro.
Sim, até disseram que a maioria das infecções ocorriam… em casa. Precisamente para onde remeteram a quase totalidade dos portugueses durante quase ano e meio.
Com certeza, nos transportes públicos não andam aos abraços e beijinhos.
Tens mesmo a certeza disso?
Olha que não, olha que não.
O vírus não anda de transportes públicos, prefere o transporte individual.
No dia em que aderir à mobilidade suave aí sim, estamos feitos.
Fonte geralmente bem informada confidenciou-me já ter visto o vírus de trotineta.
Ah. Está então explicada a febre das ciclovias: facilitar a mobilidade viral (do Corona, evidentemente, o único vírus a merecer a preocupação de quem manda). Ou talvez clicovírus, ou virovias.
Ciclovírus. Medida emblemática.
Mais assustador que o vírus é essa nova tendência negacionista masculina de dizer não ao banho matinal, sofrendo o ar uma mutação de odor deverás desagradável no transporte público.
No anterior desconfinamento também havia limites à lotação nos transportes públicos e não dei por nada. Talvez nesta última fase a fiscalização tenha aumentado.
Quem for utente que diga de sua verdade.
Eu dei. Nunca andei em autocarros ou carruagens de metro que excedessem sequer metade da lotação, entre Março e Agosto.
Não é verdade que os transportes coletivos andem “à pinha”. Alguns andarão, mas serão raros. Ainda ontem andei no comboio da Linha de Cascais e no Metropolitano de Lisboa, e o comboio não levava ninguém em pé e, em geral, só metade dos lugares sentados iam ocupados. Quando olho para autocarros, é o mesmo panorama que observo: ninguém de pé, e frequentemente lugares sentados vagos.
Até agora tem sido assim. E sei do que falo pois sou utente de transportes públicos em Lisboa.
A partir de agora tudo vai mudar.
Até quando vamos aceitar este embuste?
Até quando vamos aceitar que nos tratem como débeis mentais?
Até quando vamos aceitar a necessidade de um certificado digital que não certifica absolutamente nada?
Até quando vamos aceitar que uma medida de protecção de saúde seja decidida na assembleia da República por políticos que não percebem rigorosamente nada de saúde?
Até quando vamos aceitar este assédio moral para tomar uma vacina experimental?
Até quando vamos aceitar esta chantagem psicológica criminosa e exigir que nos devolvam a vida a que temos direito?
Até quando…?
Pedro, os autocarros que, normalmente, andam à pinha não deixaram de andar com os utentes a monte durante a pandemia, salvo no primeiro confinamento. O Governo decretar ou não o fim dos limites de lotação é absolutamente indiferente para a realidade de quem circula no dia-a-dia de autocarro.
Isabel, andei regularmente em transportes públicos desde Março e nunca vi nenhum deles atingir sequer metade da lotação. Refiro-me a autocarros e metro, sobretudo.
Já ontem começou a ser diferente.
Ando entre 2 e 4 vezes por dia de autocarro em horários de ponta no Porto. Claro que nos horários mortos ou nas rotas com poucos passageiros continuam como sempre, confortáveis. Mas os que fazem percursos onde “pescam” mais passageiros nunca deixaram de andar à pinha (salvo na Primavera de 2020, a do primeiro confinamento).
No 1º desconfinamento o Metro do Porto andou apinhado, nunca alguém ficou de fora da carruagem pela lotação (como se alguém a medisse) ultrapassar o limite.
Tal como nas plataformas o distanciamento era inversamente proporcional ao número de pessoas à espera.
É raro andar de metro, mas na Primavera de 2020 vi passar várias vezes carruagens vazias. Não se esqueça (agora na memória um ano equivale a 10) que imperava o dever de ficar em casa: os estudantes estavam e casa e muitos trabalhadores também, tal com os nossos mais velhos. O que não quer dizer que não acredite no que diz: com certeza continuava a haver algumas carruagens cheias em determinados horários.
De qualquer modo, o ponto era a diferença de tratamento. E não deixa de ser caricato olhar-se para o futebol como o parente pobre. Digo eu, que não me importo nada que os estádios voltem a encher (pelo contrário), muito menos gosto das múltiplas restrições arbitrárias impostas por este Governo.
Cada um “berra” onde mais lhe toca. A mim nada pareceu pior do que a exigência europeia do Certificado Digital para entrar em espaços públicos. Senti nisso o regresso ao tempo do livre-trânsito e não esqueço como em 2018 o Ocidente muitos de escandalizaram (bem) com a notícia que a China estava a desenvolver o sistema digital de hierarquização social. Saber que a razão aqui é a salvaguarda da saúde pública não me tranquiliza: de boas intenções está o inferno cheio.
A propósito, li num blogue (que “linkava” as notícias) que a task force pediu ao Ministério da Saúde autorização para aceder a dados pessoais e clínicos dos cidadãos. Isto sim, deixa-me apreensiva por maior consideração que tenha pela pessoa que dirige a equipa que coordena o plano de vacinação.
Nas carreiras de autocarros à volta de Lisboa (Linha de Sintra, Linha de Cascais) nunca se cumpriu a lotação a não ser nos primeiros dias da pandemia quando toda a gente se fechou em casa.
Creio que há notícia de variados surtos com origem em estádios e suas «vizinhanças » mas, curiosamente, não com origem em transportes públicos. Porque será? A densidade é um factor importante, mas o (mau) comportamento típico de uma certa classe de espectadores da coisa futebolística é outro e é tão ou mais importante que o primeiro. Mesmo tratando-se de uma minoria de espectadores, é quanto basta. Pagam os justos pelos pecadores, como é costume.
Já os utentes dos transportes públicos, como todos sabemos, têm um comportamento cívico absolutamente irrepreensível e exemplar. Só se transtornam quando vão ao futebol.
Extraordinário, como certos leitores aqui aparecem tentando justificar o injustificável…
Não sobrestime o que « certos leitores » deixam escrito, caro Pedro, pois um singelo parágrafo não chega para justificar coisa alguma. E o « injustificável » ainda menos, e isto por definição, seja de que natureza for.
“Creio que há notícia de variados surtos com origem em estádios e suas «vizinhanças » mas, curiosamente, não com origem em transportes públicos. “
Qual é a base científica dessas notícias?
É a porteira lá do prédio. Com mestrado em Ouvi-Dizer.
Está a perder qualidades, Pedro. Leio e comento os seus textos há anos sempre de forma cortês, e estas suas respostas são completamente descabidas e indelicadas.
Você agora “chama-se” Anonimus?
Os meus cumprimentos à sua porteira.
Os meus cumprimentos à sua. Passe bem.
O Anonimus é mesmo você?
Enfim, cada um com a sua panca.
Eu sou eu. Por que haveria de ser outro?
Já fui empregado do Medina, agora sou Miguel?
Pergunte ao Miguel, que lhe usurpou a “identidade”.
???
Só fiz um comentário a perguntar qual a base científica da citação. Um. Único
Entendam-se um com o outro. Este “diálogo” com sucessivos anónimos, a partir de certa altura, torna-se cansativo.
Bem me parecia que o problema era a mesa estar inclinada.
O único diálogo é entre o Pedro Correia e o Miguel. Se o Sapo não sabe encadear comentários, a culpa não é dos asnónimos.
Agora imagine quem recebe largas dezenas de comentários por dia. Gerir tudo isto, por vezes com comentários desalinhados e fora de contexto, não é fácil.
Leopedro, este não sabe que você é coleccionador de caderneta de cromos.
Colecciono muitos cromos.
Só aqui são uns atrás dos outros.
“Creio que há notícia de variados surtos com origem em estádios e suas «vizinhanças » mas, curiosamente, não com origem em transportes públicos.”
Haha! de facto “curiosamente”
Yeah, the truth is out there …
Chamar ao futebol profissional desporto é forçar um pouco as coisas.
Será um espetáculo, será um negócio com regras muito próprias, será uma reunião de fanáticos que não batem com as colheres todas, agora um desporto não é certamente.
Um comunista chamar fanático a quem quer que seja é quase divertido.
Sabe com certeza que a expressão “desportista de bancada” é irónica.
Sei, sim. É como “comunista de bancada”. Que los hay, los hay..
Há uns tempos quando ia a sair dum centro comercial em Lisboa havia filas organizadas para entrar, apesar de haver muito espaço e ter todas as condições.
Mas logo à frente no metro estavamos todos juntos, as carruagens tb quase cheias sem qualquer problema.
Foi uma sensação muito estranha, mas logo me tranquilizei porque está provado cientificamente que o vírus não se transmite em transportes públicos principalmente em Lisboa.
É reconfortante saber isso.
Covid é um vírus político, ideológico. É favorável à Esquerda.
Note-se como ao invés já os serviços públicos era só por marcação…neste caso o Governo, o PS valoriza mais os votos dos funcionários públicos do que o resto dos cidadãos.
Ao invés odeiam a hotelaria e o turismo, um das áreas que traz mais riqueza a Portugal mas não está nas mãos do Estado, do PS. da Esquerda.
Parece ser por nos transportes não haver abraços a festejar os golos, ah!ah!ah!
Este seu comentário só revela que você não frequenta transportes.
Lá está você a zandingar,
Experimente um dia andar de transportes públicos e percebe como acertou ao lado.
“Tenho dificuldade em descortinar um fio de lógica entre duas medidas tão díspares.”
Se calhar é porque não há qualquer lógica subjacente a esta medidas, Pedro.
😉
Assim como, aliás, praticamente todas as restantes medidas. Eu nem consigo imaginar como estas luminárias que nos governam conseguem produzir semelhantes disparates contra-sensos.
Eu tenho tentado fazer um inventário completo das disparidades, Susana. E das incongruências. E dos dislates. Mas é tudo em dose tão intensa que a lista peca sempre por defeito.
Pois é… Não sei se ria ou se chore.

Isto parece ser uma realidade paralela
Cada vez mais, sim.
Tenho dificuldade em descortinar um fio de lógica entre duas medidas tão díspares.
Eu apostava todas as fichas aqui: lotação máxima e ninguém pergunta nada nos transportes por causa dos afros e das minorias.
Não comece a dar ideias senão ainda põem em vigor a Lei da Paridade nos transportes públicos.
Eu não vejo nenhum “decisor político” nos transportes públicos.
Andam muito ocupados a acelerar nas auto-estradas.